“Inspirado em uma história real” tem peso diferente quando os acontecimentos de anos atrás, por infeliz coincidência, ganham novo significado em 2022. Klondike: A Guerra na Ucrânia mostra uma família que vive na fronteira Rússia-Ucrânia no início da guerra, em 2014. Ela (grávida) se recusa a sair de casa, mesmo com a tomada do território por forças armadas.

O longa tem roteiro, edição, produção e direção de Maryna Er Gorbach, no quinto projeto da ucraniana, que costuma dividir o posto com o marido Mehmet Bahadir Er. Klondike reflete uma história pessoal, pois Maryna se viu renitente contra o militarismo, como ela própria conta em vídeo de Sundance, festival que a rendeu o prêmio de Melhor Direção em filme internacional.

De fato, a coragem da protagonista expressa tamanha força e disposição para parar a guerra. “Quero que o espectador experiencie o poder do instinto feminino de sobrevivência, de resistência e da luta pelo futuro” diz a diretora, no vídeo.

A tensão atual é somente um dos fatores que contribuem para a crua realidade de Klondike, nesta característica quase documental daquele pequeno núcleo ficcional. Observamos a transformação de pessoas e ambientes, a improvisação de máscaras feitas de trapos e a frieza de atos grotescos, nos guiando por aquele recorte na vila rural ucraniana.

Ao decorrer do longa, vemos inevitáveis conflitos políticos, mas impressiona como há comentários implícitos (abaixo da superfície), em abreviados diálogos dos poucos personagens. Como um todo, Klondike se mostra menos violento do que poderia, dado o contexto e temática. Não por isso vemos ausência de todo o peso, com a brutal perspectiva feminina, de uma mulher que tenta seguir normalmente com a vida em sua própria casa – que, agora, virou um campo de guerra.

Klondike: A Guerra na Ucrânia estreia nos cinemas nesta quinta-feira (05) nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Brasília, Recife, Porto Alegre, Aracaju e Balneário Camboriú.







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