A Felicidade das Coisas, estreia de Thais Fujinaga sob direção de longas-metragens, chega aos cinemas brasileiros. Em pleno litoral de São Paulo, acompanhamos uma família de classe média e suas expectativas sobre uma nova piscina a ser instalada no quintal de casa. São quatro personagens, em quatro etapas da vida, intepretados por Messias Gois, Lavinia Castelari, Patrícia Saravy e Magali Biff.

No núcleo, há fortes discussões sobre a responsabilidade da mãe na vida de seus filhos. Existe ainda um nível de estresse materno somado à ausência da figura paterna, problema que não é padrão exclusivo dos brasileiros, mesmo que seja bem marcado em nossa estrutura familiar. Do pôster às cenas mais marcantes, temos a piscina, objeto central que ganha múltiplos significados ao decorrer da narrativa. Ora é a solução para todos os problemas, ora é o motivo para ainda mais problemas. É o sonho que parece estar ao alcance do sonhador e, ao mesmo tempo, está muito distante.

Por estes e outros exemplos, A Felicidade das Coisas explora um espaço não somente físico, mas também a distância emocional, com os próprios limites estabelecidos por cada personagem. Como em um poema, todos estes elementos são traduzidos no longa em homogeneidade, que nos livra da exposição gratuita e de diálogos que poderiam ser soltos. A simplicidade vai além, retomando a representação da água e possíveis interpretações. Logo, a água do mar não é a mesma que a das piscinas – nem a água do clube rico, nem a da piscina inacabada. 

No ano passado, o filme recebeu o Troféu Aruanda por melhor roteiro e atriz coadjuvante, além de melhor filme e direção, na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. A Felicidade das Coisas só não atinge a absoluta perfeição por ficar justamente neste campo da observação. Às vezes vira contemplativo demais, às vezes é reflexivo e profundo, deixando muito a ser interpretado – o que aproxima-o do “cinema arte” e afasta do conteúdo de fácil entretenimento. Temos, em suma, uma colagem de situações norteada pelos quatro (em momentos distintos) e a exploração do desejo pela felicidade, não a felicidade em si. 







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