Quando as salas de cinema foram agraciadas com o lançamento de Turma da Mônica: Laços em 2019, a maioria do público ficou satisfeita com a adaptação. Afinal, era a primeira vez que os personagens criados por Maurício de Sousa seriam encenados por atores em carne e osso, ao invés das tradicionais animações longevas do estúdio. A recepção foi espetacular e houve uma surpresa: a produção teria uma continuação. Não só uma simples sequência, mas uma trilogia, inteiramente inspirada nas HQs criadas por Victor e Lu Caffagi. 

Passados dois anos (com a maior pandemia da nossa História), Turma da Mônica: Lições chegou aos cinemas no último dia 30 de dezembro. E pode-se dizer que é o raro caso onde o segundo filme consegue ser melhor que o seu antecessor. 

Depois dos eventos do primeiro filme, Mônica (Giulia Benite), Cebolinha (Kevin Vechiato), Cascão (Gabriel Moreira) e Magali (Laura Rauseo) estão mais unidos do que nunca. Porém, após um incidente na escola, onde Mônica acaba por quebrar seu braço, a vida do quarteto sofre uma reviravolta. Os pais de Mônica decidem colocá-la em outra escola, fazendo com que o grupo se separe. É nesse momento que a história começa a ficar emocionante.

Com um retrato coming of age, o roteiro amadurece os personagens em absolutamente tudo com uma realidade que já chegou para todos nós: a transição da fase infantil para a fase mais jovem, onde se começa a ter uma tomada grande de responsabilidades (e de consequências também). Tendo isso, a história foca no desenvolvimento de cada um dos quatro personagens. Os seus medos, desejos, tristezas e suas alegrias. É um salto dramático gigantesco em comparação ao primeiro filme da franquia. Tudo isso para culminar em um final emocionante, onde até mesmo o mais bruto dos espectadores vai derramar uma lágrima. 

Acrescido a isso, há todo um ode ao universo criado por Maurício de Sousa. Desde a sequência inicial, onde o quarteto está encenando uma versão de Romeu e Julieta (que os fãs vão reconhecer na hora com uma referência à animação de 1979), até a aparição de personagens clássicos – Franjinha, Marina, Do Contra, Nimbus, Humberto, Milena, Dudu, Tina, Rolo, Pipa, Zecão, todos com atuações perfeitas, por sinal – os fãs terão um fan service completo. Sem falar também no ótimo design de produção que recriou com perfeição a atmosfera e a estética do Bairro do Limoeiro. Maurício de Sousa pode ficar tranquilo que toda a sua criação estará em boas mãos em projetos futuros. 

Daniel Rezende nos oferece algo que estava faltando no cinema brasileiro, uma resposta às grandes franquias de Hollywood. Lições passou uma emoção muito maior do que qualquer filme da Marvel nos últimos anos. Você se conecta muito forte com essa obra, ainda mais sendo um produto nacional e uma trama com personagens que a maioria dos brasileiros cresceu lendo e vendo. É um filme que solidifica o universo da Turma da Mônica nos cinemas, abrindo portas para outras histórias (haja em vista a cena pós-créditos). 

Lições começa o ano de 2022 com uma história emocionante e já pode ser considerado um dos melhores filmes lançados. Por isso, quando for ao cinema, leve um lenço, pois será um tour de force







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