Estreia da última sexta-feira (09) na Netflix, a série A Maldição da Mansão Bly serve como sequência antológica para A Maldição da Residência Hill, maior sucesso de terror do serviço de streaming até o momento.

Sob comando de Mike Flanagan, "especialista" moderno do gênero que também cuidou de Doutor Sono, caímos de pára-quedas na história de uma babá americana, contratada pelo tio de duas crianças inglesas que precisam de cuidados após a misteriosa morte dos pais. Ambas moram em uma mansão junto de uma jardineira, um cozinheiro e a caseira, vivenciando situações paranormais com frequência excessiva – desconfortável para elas, arrepiante para quem assiste. 

Em ritmo introdutório, conhecemos os personagens, o cenário e os tipos de assombrações que rodeiam a mansão. Ao decorrer dos episódios, nos pegamos de surpresa em revelações sobre a trama, com uma média equilibrada de atenção dada a cada protagonista, bem como as explicações sobre a importância deles (em individual) na história. O resultado disso? Uma vontade absurda de querer maratonar a série, vendo todos os episódios quanto antes.

No maior estilo American Horror Story, ela traz parte dos mesmos atores da primeira temporada (Residência Hill) para interpretar novos personagens, em contexto bastante distinto. Oliver Jackson-CohenVictoria PedrettiCarla Gugino Henry Thomas são alguns dos exemplos mais marcantes de ambas as séries/temporadas.

Tratando ainda do elenco, devo afirmar que cada escolha foi certeira, tanto dos adultos como das crianças. Os "pequenos" convencem qualquer um em cenas de grande tensão, obstáculo enorme no gênero de terror – particularmente, é mais fácil se distrair com uma má atuação de criança do que com o restante da equipe. Em destaque, dentre os adultos, cito a inglesa T'Nia Miller em sua interpretação impecável, de uma personagem que logo virou uma favorita.

Em meio às explicações sobre relacionamentos, vemos a complexidade que é o resultado do híbrido de terror e romance. Então resume-se aqui o maior diferencial da série: a mistura homogênea destes gêneros, de maneira tão sutil que sutilmente conquista o espectador. Uma verdadeira reinvenção da fórmula, sem exageros.

Tanta atenção e profundidade, porém, casualmente vira um tiro no pé, já que isso torna o ritmo lento até você "engatar" depois da metade da série. Mesmo assim, os ganchos ao final de cada episódio acumulam todo o suspense, aliviado de forma gradual ao decorrer da temporada. 

A Maldição da Mansão Bly ainda reafirma que a Netflix não tem receio de bancar uma produção de série com cara de filme. Foram nove episódios recheados de cenários ricos de detalhes, além da pós-produção de cair o queixo com os efeitos visuais e edição cautelosa. A passagem de tempo, elemento que marca certos episódios, está guiada por uma atmosfera completamente única de cada período – e isso fica evidente até para os mais desavisados.

Por conta disso, Bly pega emprestada a belíssima base de sua antecessora e injeta uma nova dose de terror, sem "medo" de misturar outros gêneros. Foi com certeza uma das maiores surpresas de produções originais da Netflix este ano.

Assista A Maldição da Mansão Bly na Netflix.







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