Em tempos onde a música pop está se reerguendo diante de uma perda significativa no âmbito de protagonismo musical nos charts e paradas musicais ao redor do mundo, algumas novas promessas vem surgindo e pairando nos olhares atentos dos especialistas e fãs - mesmo que sejam as contrapartidas do pop chiclete, mainstream. E uma dessas apostas para trazer uma qualidade, diversidade e novos manifestos para esse gênero atualmente é a cantora norueguesa em ascensão Sigrid.

Com seus novíssimos 23 anos, Sigrid Solbackk Raabe - mundialmente conhecida como Sigrid - vem conquistando o cenário e a indústria musical aos pouquinhos, sem deixar de transmitir seu grande talento vocal e artístico, surpreendendo os críticos e os ouvintes do gênero com sua carismática presença, assim como suas composições e discursos ousados, juvenis e representativos (que pode ser fruto de seus breves estudos em ciências políticas, antes de largar e seguir carreira artística). Sigrid está ganhando o público jovem com sua personalidade pura, com seus cabelos castanhos longos naturais que dançam livres junto aos seus movimentos corporais em harmonia com a música; com seu traje simples em um jeans básico, camiseta e tênis all star. 

Sigrid sempre está eventualmente se manifestando em suas redes sociais, atualizando seus admiradores pelos stories do instagram e postando memes engraçados, divertindo e aproximando ainda mais a artista de seus fãs. E para nos encantarmos ainda mais por ela, a norueguesa é apaixonada por gatos: já chegou a contar que o que realmente “mata sua vibe” é quando um gatinho não aceita seus abraços, e que um dos seus maiores sonhos é conhecer a gata de Taylor Swift, Olivia Benson. 


Nascida em uma família de músicos (seus irmãos tocam e compõem), a primeira apresentação de Sigrid foi na sua sétima série, em uma apresentação musical na escola primária Volsdalen School, onde fez uma performance de "Smells Like Teen Spirit", do Nirvana. Começou sua jornada como compositora aos 16 anos de idade, escrevendo canções e se encantando com o processo de escrita, que ela mesma diz que é um dos momentos mais mágicos na criação de músicas, se inspirando em cantores como Robyn, Adele, Joni Mitchell e Neil Young. 

Iniciando sua carreira em 2013, a jovem lançou sua primeira canção, “Sun” - uma música calma, fofa, com uma pegada folk - onde o single foi um grande sucesso na Noruega, garantindo a ela um contrato com a gravadora Petroleum Records e proporcionando a participação em alguns festivais locais. Entretanto, o sucesso de “Sun” ainda não foi o suficiente para conquistar na época o cenário musical dos demais países ao redor do mundo. Somente no ano de 2016 Sigrid assinou com sua atual gravadora, a Island Records, abrindo outros horizontes e possibilidades além da Noruega. 


Em 2017, entrou no cenário musical mundial, estourando com o single "Don’t Kill My Vibe", que fazia parte da trilha sonora do game de simulação de vida real The Sims 4. Sigrid conta:

“Foi inspirado por uma situação, uma sessão de gravação com dois produtores masculinos mais velhos, onde senti que a minha opinião não era respeitada. Eu me senti desconfortável porque eu não sabia como falar nessa situação. Para que eles saibam que, se eu vou estar aqui, quero ser respeitada. Eu não disse nada e isso foi muito, muito chato. Eu estava muito brava comigo mesma”. 

A música, que trata sobre independência pessoal e sobre não deixar nada nem ninguém estar ao seu caminho, ganhou duas versões de estúdio, a original e outra acústica, onde fica difícil escolher qual a preferida (e mais linda) dentre elas. 

No mesmo ano, o talento de Sigrid foi tão reconhecido que a mesma foi convidada para participar do concerto anual do Prêmio Nobel da Paz, se apresentando com o também smash single ‘Stranger’. E se não bastasse tanto reconhecimento, a garota também foi destaque entre os novos artistas que se apresentaram no Glastonbury 2017, o segundo maior festival de música a céu aberto do mundo, no Reino Unido. 


No ano passado (2018), Sigrid conquistou mais um feito para sua talentosa trajetória: foi a grande vencedora da lista anual BBC Music Sounds of 2018. O projeto tem como objetivo destacar artistas emergentes da música mundial, como uma espécie de recomendações e apostas para o cenário musical. A seleção é feita por especialistas da indústria da música, diversificada com integrantes de todos os cantos do mundo. Nos anos anteriores, Adele, Sam Smith, 50 cent e Jessie J foram os escolhidos como apostas desse projeto (ou seja: não é pouca coisa!). 

Mesmo agora carregando um grande título junto a sua carreira, Sigrid não se sente pressionada ou intimidada em ser uma “nova Adele”, pois mesmo que seja surreal para ela tudo isto, ela se sente muito grata tanto pessoalmente como por sua equipe, que trabalhou duro para conseguir ajudá-la a ter muitas oportunidades e reconhecimento (sem, é claro, tirar todos os méritos de talento da garota). 


Neste ano Sigrid continua se apresentando em festivais e shows pelo mundo, ganhando cada vez mais reconhecimento e visibilidade, com seu primeiro e novíssimo álbum de estúdio: “Sucker Punch”, fruto de seu EP “Don’t Kill My Vibe”. O álbum conta com 12 músicas, incluindo seus mais principais singles e hits, além de faixas inéditas. “Sucker Punch” está com nota 78 na plataforma Metascritic, resultado de uma média feita entre 16 críticas especializadas (incluindo a Rolling Stones, que deu nota 70), o que é uma ótima nota se compararmos, por exemplo, com o consagrado “19”, álbum de estréia de Adele em 2008, que recebeu a nota 68 - inclusive, nenhum álbum de Adele recebeu nota igual ou maior do que 78 pelo Metacritic (lembrando, é claro, que isto não é parâmetro de um álbum ser ou não de qualidade para os fãs e ouvintes). Descrito como um feito ousado e trêmulo, o álbum “Sucker Punch” deixa uma experiência de choque a quem escuta o disco. 

Em entrevista para o canal canadense A.Side, Sigrid conta que tem sido uma jornada descobrir qual tipo de música ela queria fazer em sua vida musical, tendo orgulho de dizer que é uma cantora pop, porém ela mesma acha que pop é um gênero atualmente cru, podendo ser moldado e diferenciado. A revista Rolling Stones, em sua crítica ao álbum, analisa que Sigrid transita entre o pop e o folk, cantando com frases concisas que parecem vir do jazz, sendo assim, tendo propriedade de mover-se entre os gêneros com facilidade. 


Como complemento para seu trabalho fonográfico, Sigrid possui também outro fator que a favorece bastante e a destaca dentre o cenário musical atual: seus maravilhosos e conceituais videoclipes. São ao todo 19 videoclipes, para 9 músicas de seu trabalho, incluindo algumas versões acústicas, lyrics videos e videos verticais. Possui também um videoclipe album sampler, com pequenos trechos de suas músicas que estão no “Sucker Punch”, como prévias de divulgação do álbum. 

É bastante difícil dizer qual dos clipes é o mais bem trabalhado, ou o mais bonito, o mais conceitual, o mais perfeito. Nem mesmo fazer um top 3 ou top 5 ou top 10. Todos os videoclipes de Sigrid são maravilhosamente produzidos de uma forma autêntica e íntima. Desde seu “Don’t Kill My Vibe” versão acústica, que nos leva a um universo vocal incrível, passando por seu sensacional clipe live em “Raw”, e chegando até “Mine Right Now”, videoclipe onde ela coloca o diretor do clipe como protagonista da tela. Poderia fazer mais alguns parágrafos falando de cada clipe da cantora, mas deixo você com a tarefa de fazer uma maratona pelos trabalhos audiovisuais de Sigrid e tirar suas próprias conclusões e interpretações sobre cada um deles. 


Sigrid tem a voz, o talento, o senso artístico, a técnica, o estilo e o carisma que uma cantora pop indie busca ter em sua trajetória musical. Com Sigrid, podemos ter uma experiência mais acessível da essência nata de uma artista, lutando dia a dia para seu reconhecimento ser ainda maior e poder influenciar ainda mais a nossa geração utilizando, como já dito anteriormente, suas músicas que carregam letras fortes e de manifestos de caráter independente. 

É algo totalmente refrescante olhar, ouvir e admirar a cantora. Sua autenticidade está sempre em conexão com uma crescente audácia, resistente às influências da indústria musical tendenciando a moldar novas artistas pop e torná-las versões irreconhecíveis de si mesmas. Com apenas 23 anos, já conseguiu deixar uma marca destacável nesse ramo tão difícil de trilhar, e é melhor ficarmos atentos aos próximos passos da cantora - e bem de perto - afinal, é apenas o começo dessa carreira brilhante que está por amadurecer e evoluir. 


E aí, o que você achou? Corre lá ouvir o álbum da Sigrid e depois conte pra gente o que você achou!








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