Apesar de tentar se vender como uma "folha de papel em branco", a proposta de Dreams é clara: trata-se de uma engine para criar jogos. Em outras palavras, é um jogo que cria jogos. Para entender melhor essa proposta, que deve chegar às lojas em 2019, tivemos a oportunidade de testá-lo na Brasil Game Show 2018 e explicamos tudo a seguir.

Dreams consiste de um cenário livre para criação, que pode ir de um jogo simples de texto com temática pesada a um jogo divertido, em terceira pessoa, para crianças. Na BGS conseguimos testar os dois tipos, mas antes é importante reconhecermos o potencial do jogo (que, na verdade, mais é uma plataforma).


A começar pela própria developer, Media Molecule, dá pra termos uma boa ideia do que esperar com o game, já que eles são responsáveis por outros dois títulos famosos (e exclusivos de PS) que incentivam a criação: Little Big Planet e Tearaway. No primeiro, que é uma franquia, você controla um "sackboy" (que parece um bicho de pelúcia) e pode tanto personalizá-lo como também criar níveis. No segundo, que teve duas versões lançadas (uma para PS Vita e outra para PS4), você controla um mensageiro feito de papel, podendo customizá-lo (mas não há criação de níveis).

Algo aprendido com ambos os games é o tempo de download de cada criação, já que, de acordo com os próprios desenvolvedores em blogs da comunidade, "o carregamento acontece de background e leva no máximo alguns milissegundos". Tendo jogado diversos níveis de LBP, posso afirmar que este era um grande fator de desistência ao explorar níveis alheios e arriscar dar de cara com um símbolo de "loading" virtualmente infinito.

Além disso, pegando emprestado muito da ideia de "sentir-se em uma comunidade", como era a base para o modo online dos Little Big Planet's, podemos entender a atmosfera que é levada a Dreams já que não há limites para a sua criação – e até mesmo há suporte para o PS VR! Isso também engloba quase todos os gêneros de jogos, já que, de acordo com os desenvolvedores, um dos únicos gêneros de jogos impossíveis de se criar em Dreams é MMORPGs. Então você basicamente pode criar todo o restante – seja dependendo de um modo online ou não, pois multiplayer online não virá junto do lançamento mas já foi confirmado pela própria developer.


Diferente de "Mario Maker", jogo com proposta similar que limita aos criadores a fazer um nível baseado no universo de Mario Bros., em "Dreams" os jogadores não são encorajados a terminar de jogar o nível – e o criador também não precisa obrigatoriamente terminá-lo pelo menos uma vez antes de publicar. Ou seja: você fazer levels impossíveis, mas isso não é incentivado, já que há uma espécie de experiência ganha conforme o desempenho e recepção dos jogos criados por você.

Isso acaba sendo uma excelente ferramenta para desenvolvedores independentes, que não querem aprender complexas linguagens de programação, confiam em uma engine mais intuitiva e também em uma plataforma de divulgação mais abrangente. Você pode importar músicas de pendrives direto para o jogo, por exemplo, o que é um ponto positivo à colaboração de compositores e gamers. Outro ponto importante, já que você não precisa "finalizar" um jogo para publicá-lo, é a possibilidade de criar somente animações, sem depender de jogabilidade. O gamer, então, torna-se espectador da sua criação.

Seguindo para a review rápida, em primeira mão, temos dois games.


O primeiro game que testamos é D-Bug, que compõe o modo história do jogo e foi criado pela própria Media Molecule. Trata-se de dois níveis onde uma dupla de jogadores controla dois robôs bem carismáticos com antenas de insetos – daí supomos o título, D-"bug". É um jogo de plataforma 3D, com a câmera relativamente distante no que dá a ideia de pequeneza dos nossos protagonistas.

A física do jogo em si é fantástica, principalmente em uma das cutscenes onde é exibido um terceiro robô maior, dando início à jornada. De cara, percebemos uma função divertida que cria uma relação entre as plataformas iluminadas e o controle de choque de cada um dos robôs. Plantas viram plataformas, há colecionáveis (engrenagens) e os níveis são relativamente escuros, o que só contribuiu para uma experiência imersiva e bem feita.

Em determinado momento, há uma transição simples levando a um nível a céu aberto (que aparentemente tratava-se de uma selva) e as plataformas tornavam-se centopeias gigantes. A função pulo duplo ajudou a não cansar com tamanha destreza para passar de seções móveis. Outro ponto bacana é que as antenas dos robôs podem virar hélices, o que ativa a função "glide", que é relativamente comum em outros jogos de plataforma tridimensionais.

Traços iluminam o chão em direção a bases octagonais, que funcionam como checkpoints, então cada mínimo progresso era bastante valioso e bem divertido. Flores ora são plataformas móveis, ora trampolins, então a mecânica de reinvenção é muito bem aplicada a cada novo desafio destes curtos níveis de demonstração.


O segundo game não possuía nome, mas logo ao iniciá-lo damos de cara com a mensagem "you are standing outside The Party", o que pode indicar que o título seja simplesmente "The Party". Bem, trata-se de um nível de exploração, no que aparenta ser uma house party, onde seu nível de alcoolismo é registrado em uma aba lateral. A graça é que não há nenhum objetivo aparente, você é livre para explorar e compreender a história por conta própria.

Ao passar de cômodo em cômodo e interagir com pessoas e objetos, é apenas um processo de eliminatória ao avançar e regredir em diferentes salas (cozinha, quarto, piso superior, área externa, etc.). Em determinado ponto, você descobre a real proposta ao encontrar um tipo de entidade no canto escuro de um quarto e é forçado a reiniciar o jogo. Entre quebras de quarta parede e atenção detalhes nas centenas de linhas de texto, vemos como a criatividade de um "jogador-desenvolvedor" de Dreams realmente não tem limites ao criar uma experiência arrepiante.

Dreams será lançado em versão Early Access (EDITADO: na PSN por R$99,99) no mês de abril e ainda não há data para a versão final.






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