Nos últimos dias dessa reta final, rumo a premiação mais esperada do ano, preparamos um especial com os maiores nomes desta edição do Oscar.

Todas as publicações são acompanhadas da sinopse do indicado em questão, uma breve crítica (sem spoilers!), as categorias em que a obra está indicada, sua concorrência e, por fim, nossa aposta para a vitória em cada categoria – com base em histórico de premiações dos responsáveis, filmes do mesmo gênero (de edições passadas) e a recepção do filme pela crítica internacional.

Sinopse


No ano de 2049, ou seja, trinta anos após o desaparecimento do blade runner replicante Rick Deckard (Harrison Ford), o oficial K (Ryan Gosling) da Polícia de Los Angeles tem a tarefa de eliminar replicantes antigos que foram substituídos por modelos atualizados. É em determinado momento que K faz uma descoberta sobre um mistério do passado e busca a ajuda de Deckard para encontrar respostas sobre o passado, presente e futuro dos replicantes.

Crítica


Aos fãs de ficção científica – seja no universo do cinema, literatura ou séries de TV –, é um prazer assistir uma obra-prima como Blade Runner 2049. É como se as páginas de livros ganhassem vida, os filmes de distopia deixassem de lado abordagens clichê e, por fim, as séries recebessem uma carga emocional e visual nunca antes vista. É um filme perfeito para o fã de sci-fi.

Inclusive, ao fã de cinema que quer sair satisfeito após assistir a um filme, Blade Runner 2049 é uma recomendação indiscutível. Não é uma tentativa de "reviver o filme dos anos 1980", nem expandir o universo cinematográfico (à lá Cloverfield?) e ele também não tenta "unir duas gerações de fãs". O filme é perfeitamente arquitetado para ser uma obra eterna.

Porém, por mais que seja inaceitável a um fã, temos que reconhecer que esta sequência não é para qualquer um. Por mais que tenham tentado dar contexto, é necessário assistir ao filme da década de 1980 – ah, um filme que ninguém se lembra. Contar a história com "visuais bonitos" e um "drama de androides" não conquista muita gente. Ser exibido (pelo menos nos EUA, onde a maior parte da bilheteria está concentrada) durante a semana de It: A Coisa não foi uma boa jogada.

Isso talvez explique o porquê de Blade Runner ser considerado um flop e o "pseudo-reboot" de Jumanji ser líder nas bilheterias, mas não chega perto de justificar essa tamanha falha de um filme tão subestimado. Chega a ser triste.

Indicações


São cinco indicações ao todo. Confira a lista de categorias abaixo (junto aos responsáveis por cada nomeação):
  • Fotografia (Roger Deakins)
  • Edição de som (Mark Mangini, Theo Green)
  • Mixagem de som (Mac Ruth, Ron Bartlett, Doug Hephill)
  • Design de produção (Dennis Gassner, Alessandra Querzola)
  • Efeitos visuais (John Nelson, Paul Lambert, Richard R. Hoover, Gerd Nefzer)

Concorrentes


Com todos os detalhes do design de produção servindo apenas como a cereja do bolo para tornar crível o universo de A Forma da Água, o sci-fi de Blade Runner fica para trás. Nas categorias de mixagem e edição de som seria um forte nome se não tivesse outros queridinhos.

Em Ritmo de Fuga é guiado pela edição sonora (ainda mais com uma trilha sonora tão boa!); Dunkirk tem a difícil tarefa de te colocar no meio do campo de batalha (e consegue de maneira impecável); A Forma da Água vence pela delicadeza e atenção a detalhes em busca de recriar toda a atmosfera clássica de del Toro; Star Wars: Os Últimos Jedi é o perfeito filme de fantasia espacial que, com universo já estabelecido há mais de quatro décadas, só reforça a ideia de ser palpável para  um público de diferentes gerações.

No quesito de "universo já estabelecido", Blade Runner pode até levar uns pontinhos; no restante dos outros casos, com este nível de competidores, a vitória é improvável.

Planeta dos Macacos: A Guerra é o mais bem cotado para levar o prêmio de efeitos visuais e isso é indiscutível. Desde o primeiro filme da trilogia, lançado em 2011, houve um tremendo avanço comparado a outros sucessos hollywoodianos que faziam uso de captura de movimentos. Tendo um mestre no assunto como Andy Serkis para viver o protagonista do filme, de quebra, só ajuda a fortalecer a potência de A Guerra para levar o prêmio.

Porém, na categoria de fotografia, afirmamos que nenhum outro filme foi capaz de superar a beleza de Blade Runner. A visão da Academia será essa? Cremos que não, mas torcemos pela vitória do filme. Saiba mais na sequência.

Levará os prêmios?


Adoraríamos que sim. Pelo menos na categoria de fotografia, além de termos um feito inédito, este seria um prêmio merecidíssimo.

E aqui entra um fato realmente triste sobre o indicado na categoria. Roger Deakins, que ficou conhecido como o "maior perdedor" da categoria, foi indicado outras 13 vezes e nunca levou um prêmio para casa. Seus trabalhos no cinema e respectivas indicações passam por nada menos que os belíssimos Um Sonho de Liberdade, FargoOnde os Fracos Não Têm Vez e SicarioEle é o "melhor" perdedor da história da fotografia. Assim fica difícil de defender a Academia.

Comentário bônus: efeitos visuais

ATENÇÃO A POTENCIAL SPOILER

Mesmo sabendo do potencial de Planeta dos Macacos para levar este prêmio, precisamos reconhecer um quesito popular em alguns filmes recentes, em especial Rogue One: Uma História Star Wars: recriar rostos para unir décadas distintas.

No caso de Star Wars, foi uma questão de reviver o personagem de Grand Moff Tarkin – afinal, o ator já morreu e o filme se passa antes do filme gravado em 1977 – e rejuvenescer a Princesa Leia – tendo base em uma atriz jovem com traços da face similares a Carrie Fischer, colocando uma máscara digital que teve como referência o rosto da princesa de 40 anos atrás.

Em Blade Runner 2049 temos este segundo caso. A ideia foi recriar a face de uma atriz (que, curiosamente, não foi creditada no longa) tendo base em traços de uma atriz mais jovem.


Na imagem acima, vemos respectivamente: os pontos para captura de movimentos no rosto da primeira atriz; a aplicação do modelo 3D com base no filme dos anos 1980; parte da estrutura óssea respeitando iluminação; produto final exibido no longa.

Feitos como este surpreendem qualquer desavisado fã do original (como eu!) que não esperava tal aparição, algo que pode ser até mesmo nostálgico para o público que conferiu O Caçador de Androides no cinema na época de lançamento.




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