A Netflix dá mais um tiro no escuro com uma produção original. A bala da vez é Death Note, filme lançado nessa sexta (25) e baseado no mangá da dupla Tsugumi Ohba e Takeshi Obata. Em 2003, o mangá e o anime fizeram sucesso suficiente para extrapolar as fronteiras do Japão. Em 2017, o longa-adaptação de Adam Wingard (Bruxa de Blair) causa polêmica por questões como whitewashing - atores caucasianos interpretando personagens de outras etnias - e roteiro fraco. Uma coisa é certa: o longa é mais uma produção que integra a lista de live-actions polêmicos baseados em obras japonesas. E nós separamos outros 5 que devem ser assistidos com cautela (ou evitados).

Antes, falemos de Death Note.

A trama gira em torno de Light Turner (Nat Wolff), um estudante de ensino médio que sofre bullying e tem problemas com o pai (Shea Whigham). Um dia na escola, um caderno misterioso praticamente cai no colo de Light. Era o death note ("caderno da morte", em tradução livre). Logo em seguida, ele conhece Ryuk (Willem Dafoe), deus da morte e dono do caderno. Após entender que é possível matar pessoas escrevendo seus nomes no caderno, Light começa a usá-lo. Trabalhando junto com Mia (Margaret Qualley), outra estudante, o objetivo de Light cresce: matar criminosos para trazer justiça ao mundo. Isso chama a atenção da polícia e de L (Keith Stanfield), um detetive independente que passa a investigar o caso.


De maneira geral, o filme é mediano. Se você é fã do mangá e/ou anime, não espere um enredo mirabolante como o original. Nem personagens tão bem construídos. Mas em troca, você recebe algumas referências ao cânone, como frases e elementos na trilha sonora e figurino. No mais, o longa de Wingard funciona como uma história adolescente, porém com bastante sangue e mortes à-la-Premonição. 

Isso não suaviza o fato de a adaptação ter inconsistências, como furos de roteiro e motivação rasa dos personagens principais. No esforço de encaixar um universo tão complexo em um longa de uma hora e meia de duração, momentos importantes para o desenvolvimento dos personagens são atropelados pelo bem de sequências de ação. Na "conclusão" do filme, tudo isso deixa a impressão que, na verdade, a história não fez muito sentido.


Confira abaixo outros live-actions que causaram discórdia ao adaptarem mangás e animes de sucesso:

Speed Racer (2008)


Esse caso precisa ser analisado com cautela. É que antes de as irmãs Wachowski (Matrix) dirigirem o longa, o anime original - da Tatsunoko Productions - já havia sido "americanizado", nos anos 60.

De qualquer forma, grande parte da crítica ao filme condena excesso de efeitos especiais (quase epilépticos) e a falta de coerência da história. Não foi dessa vez, Wachowskis.

Dragon Ball Evolution (2009)


Talvez essa seja o desastre mais conhecido até o presente momento. Dirigido por James Wong e produzido pela Fox, o longa é considerado uma desonra ao mangá de Akira Toriyama.

Para começar, o filme traz um enredo cheio de furos que não se sustenta. Tudo isso embalado com um visual feio e lutas carregadas de CGI barato. É o Lanterna Verde das adaptações de mangás e animes.

The Last Airbender (O Último Mestre do Ar - 2010)


Embora Avatar não seja um anime propriamente dito, a animação da Nickelodeon trazia muitos elementos orientais tanto na história como na estética. O filme em questão vale ser mencionado por ser uma das piores adaptações ever.

Dirigido por M. Night Shyamalan - conhecido por acertar a mão em algumas produções e errar em várias outras - e produzido pela Fox, a adaptação tem enredo pobre e elenco problemático. Na equipe estavam atores norte-americanos e caucasianos interpretando os personagens principais (que deviam ser asiáticos), indianos interpretando vilões e asiáticos interpretando apenas personagens secundários. O produto final é uma bagunça em praticamente todos os sentidos possíveis.

Oldboy (2013)


Houveram aqui duas adaptações do mangá: uma sul-coreana em 2003, que deu muito certo; e uma norte-americana dez anos depois, que deu muito errado.

O longa sul-coreano trazia um bom enredo, performances de luta espetaculares - inclusive uma gravada no formato "one-take", que fez sucesso na primeira temporada de Demolidor - e um final com um twist memorável.

Já o remake norte-americano, dirigido por Spike Lee e produzido pela Vertigo Entertainment, falhou miseravelmente em sua missão. Além de ter copiado características do longa sul-coreano, foi uma cópia mal feita. As lutas eram mal elaboradas, assim como o enredo, e faltou substância para o twist na conclusão. Spike Lee e o ator Josh Brolin, que interpretava o personagem principal Joe Doucett, foram uma decepção para todos.

Ghost in the Shell (Vigilante do Amanhã - 2017)


Lançado em março desse ano, o longa dirigido por Rupert Sanders - e produzido pela Paramount - levantou novamente a questão do whitewashing. Isso porque seu elenco traz Scarlett Johansson, atriz norte-americana e caucasiana, interpretando  a protagonista Mira Killian, originalmente asiática. E asiáticos interpretando vilões.

Embora tenha um visual de qualidade, o filme traz uma narrativa arrastada e poucas novidades para o gênero. A intenção do longa foi trabalhar uma discussão profunda no desenrolar da história, já que a obra original de Masamune Shirow tinha esse potencial (foi uma das inspirações para Matrix, inclusive). Mas no final das contas foi apenas um filme de ação e aventura um tanto preconceituoso e genérico.

Concorda com a nossa lista? Coloque nos comentários qual adaptação mais te incomodou, decepcionou ou, na melhor das hipóteses, empolgou ;)





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