"Fãs antigos podem surtar", disse Thales de Menezes em sua resenha na edição de quinta-feira (06) do jornal Folha de S. Paulo. Eu surtei. Homem-Aranha: De Volta ao Lar estreou nessa quinta e exige maturidade de todos os fãs. O longa, dirigido por Jon Watts e produzido pela Sony Pictures em parceria com os Estúdios Marvel, se apresenta acima de tudo como um filme do universo cinematográfico da Marvel (MCU, na sigla em inglês). E se distancia bastante tanto das páginas dos quadrinhos quanto dos seus antecessores que não integravam o MCU.

Em abril de 2012, assisti Vingadores, dirigido por Joss Wheadon. Três meses depois, assisti O Espetacular Homem-Aranha, dirigido por Marc Webb. Ambos os filmes se passavam em Nova York. Meu primeiro pensamento quando saí da sessão do Espetacular foi "onde estava a torre do Stark?" (é, eu demorei para entender as tretas burocráticas entre Marvel, Sony e Fox). Cinco anos depois, a torre, agora dos Vingadores, é a cena que abre o novo longa. E isso dita muito a dinâmica da sua história - uma releitura de tudo que sabemos de Homem-Aranha e fruto de todos os eventos do MCU.


Esse pensamento nos leva a um dos elementos-chave dessa fase pós Capitão América: Guerra Civil de Peter Parker (Tom Holland): Tony Stark (você sabe quem ele é). Embora não apareça tanto, como os trailers e pôsteres insinuavam, sua participação é sempre um gatilho para alguma guinada na história. O que nos leva a outro elemento importante que tem causado discórdia entre os fãs e a crítica: o traje do Aranha. Desenvolvido pelo Stark em pessoa, como já mostrado ano passado em Guerra Civil, o traje é praticamente um dos marks do Homem de Ferro. Porém em collant.

"Isso ataca a essência do personagem. Nos quadrinhos e nos filmes antecessores, é o Peter quem faz o próprio traje", argumentam os fãs. E eles não estão errados. Mas com tudo que já vimos, desde 2008 com o primeiro Homem de Ferro, o que faz mais sentido: um aluno do Ensino Médio que confecciona à mão um traje style e perfeito ou um aluno de Ensino Médio que improvisa com moletons e touca? Não me parece uma ideia difícil de comprar que seu "ultimate" traje tenha vindo do empresário bilionário especialista em produzir trajes hi-tech. Nem toda a curtição irresponsável - porém com boas intenções - de Peter que se seguiu.


Aliás, responsabilidade é outro conceito discutível. "Com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades", já dizia o cânone. Em "De Volta ao Lar", o que me mais se vê é um Peter Parker desengonçado lidando com poderes e gadgets espetaculares em prol de uma boa causa. E fazendo cagadas. Muitas cagadas. Não economizaram forças na hora de retratar Parker como um moleque de 15 anos, que até transforma seu melhor amigo Ned (Jacob Batalon) em assistente para as enrascadas. É um conceito que funciona, principalmente porque mostra (finalmente) as dificuldades práticas e logísticas de um herói que carrega o próprio collant na mochila, depende de coisas altas para prender suas teias etc.

De maneira geral, o longa apresenta um jovem Peter Parker quebrando muito a cara na hora de lidar com "coisas de adulto". E isso exige um grande desapego por parte dos fãs. Se você não assistiu (ou pretende assistir de novo) lembre-se: é um filme do Homem-Aranha. Tem referências e easter eggs, mas ainda é um filme que segue a lógica e dinâmica do universo cinematográfico da Marvel. Esqueça a senhora tia May, o bombado Flash Thompson e o herói Homem-Aranha que salva a cidade mantendo a pose. "De Volta ao Lar" te faz rir e quase te faz chorar, mas acima de tudo consegue mostrar um lado de Peter e seu alter ego nunca explorado pelos seus cinco filmes antecessores.






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