11 anos após sua estreia com Carros (2006), a franquia da Pixar finalmente ganha uma continuação à altura. Dirigido por Brian Fee, Carros 3 amadurece os automóveis em uma história que continua divertida, mas não chega perto da infantilidade de seu antecessor. De quebra, ainda entrega boas referências a momentos marcantes do primeiro filme.

O bom e velho Relâmpago McQueen está de volta. E esse é o conflito principal do filme: McQueen, assim como nós do lado de cá da tela, está ficando velho. Sua crise existencial começa quando aparece um novo estreante: Jackson Storm, um carro high-tech que, mais avançado, supera todos seus adversários nas corridas.


Desde o primeiro teaser, que mostrava o capote de McQueen em câmera lenta, a mensagem sobre o que seria o novo filme ficou clara. Os fãs seriam levados para lugares mais intensos e maduros no mundo do protagonista. E é exatamente isso que o produto final entrega. Isso porque de uma hora para outra, McQueen se vê ultrapassado em relação aos outros competidores e precisa decidir entre tentar acompanhar os novatos ou pendurar os pneus de corrida. Obstinado, McQueen decide continuar.

O que se segue em grande parte do filme é uma mistura inusitada (mas que funciona) do mundo de Carros com as histórias de superação estilo Rocky Balboa. De um lado, temos um McQueen que, junto a sua treinadora Cruz Ramirez, mistura novas tecnologias (esteiras, simuladores e afins) com treinamento analógico (pistas de terra, manadas de tratores etc). para melhorar sua performance e tentar superar o adversário. De outro, temos a carreira de Storm decolando nos campeonatos e na opinião pública.

Para evoluir, McQueen percebe que precisa resgatar em si mesmo a essência das corridas. Qual referência melhor para isso do que seu mentor Doc Hudson, o corredor número um da (antiga) velha guarda? Como Doc faleceu no período entre o primeiro e o segundo filme, McQueen e Cruz entram numa jornada para encontrar Smokey, seu treinador. Nesse treino, explora-se mais o lado desconhecido (e sensível, quem diria?) de Doc, o que ajuda McQueen a evoluir enquanto corredor.


Como já era de se esperar, o longa carrega um tom mais maduro em sua história, se compararmos ao fiasco que foi Carros 2 (2011). Com McQueen sendo colocado tão a prova, é possível observar novas nuances no personagem. Ele está mais rabugento, porém experiente. Seu amadurecimento é tão nítido que é capaz de despertar o lado saudosista do espectador, já que não faltam referências ao McQueen moleque do primeiro filme.

O longa também trabalha a ironia de McQueen ter que se desdobrar para enfrentar um adversário tão parecido consigo mesmo, em sua época de estreante. Seria isso uma crítica às novas tecnologias? Uma analogia sobre nossas crises de meia-idade? Difícil dizer. Fato é que o público que se encantou com Carros em 2006 está 11 anos mais velho, elemento bem explorado pela produção do longa. Sua história consegue prender desde crianças de 8 anos a marmanjos de 20. E convenhamos: a superação estilo Rocky Balboa vai conquistar muitos pais e mães por aí.

No final das contas, Carros 3 faz exatamente o que uma sequência deve fazer: leva seus personagens a novos desafios, trabalhando isso de maneira coerente com seu passado. Ao mesmo tempo que o filme mostra McQueen enfrentando obstáculos totalmente novos, diversas cenas servem como uma verdadeira homenagem ao primeiro longa. Na hora de amarrar as pontas, o longa ainda traz um desfecho nada convencional. Se a Disney e a Pixar souberem quando parar, Carros 3 seria um tremendo desfecho.

Colaborou Victor Bianchin






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