Emoção. Uma vez ouvi no documentário Distortion of Sound ("Distorção do som", em tradução livre) o engenheiro de mixagem Manny Marroquin falar que, no mundo da música, emoção é o elemento mais importante, independente do gênero que a banda ou o artista estiver trabalhando. É justamente nessa tecla que One More Light, sétimo álbum de estúdio da banda Linkin Park lançado na última sexta-feira (19), bate mais forte. Incorporando elementos da vida pessoal de cada envolvido em sua produção, bem como características do gênero pop, os 35 minutos do álbum buscam apenas uma coisa: identificação com seu público. E é uma boa pedida para uma segunda-feira penosa.

"Mas isso nem parece Linkin Park, tá mais pra música de rádio genérica". É basicamente em volta desse núcleo que tem gravitado as opiniões e argumentos negativos em relação às 10 faixas do álbum. E em relação às críticas dessa natureza, a resposta da banda tem sido a seguinte: "o que produzimos vem de seja lá o que nós seis estivermos curtindo", resumiu o baixista Dave "Phoenix" Farrell durante uma entrevista para a Amazon Music. Já Mike Shinoda, vocalista e um dos produtores do álbum, rebateu durante um vídeo do canal FBE no YouTube dizendo que "como nossos álbuns levam, em média, mais de um ano para serem produzidos, significa que ou a gente antecipa a moda ou lança algo que era legal um ano atrás".


Meu único conselho para você que ainda não ouviu o álbum ou que já ouviu, mas com nariz torcido, é: da mesma forma que não se deve julgar um livro pela capa, não se deve julgar um álbum pelo seu gênero ou estilo. Isso porque nesse caso o foco do trabalho dos caras não está necessariamente nos elementos estéticos usados para cada música mas sim na história que existe por trás de cada letra. "Cada música partiu da pergunta 'sobre o que queremos cantar hoje?', de forma que o conteúdo do álbum foi moldado pelo o que rolava em nossas vidas", explicou a banda em uma carta de apresentação do álbum.

Qual o intuito de tudo isso, afinal de contas? A resposta para essa pergunta foi dada lá no início deste artigo: emoção. O que os seis membros da banda buscaram ao produzir o conjunto de músicas mais líricas e melódicas de sua carreira foi tocar o íntimo do ouvinte. E por mais que pop não seja seu estilo preferido, é muito difícil não se identificar com pelo menos algumas faixas, como Heavy (que já comentei aqui) e One More Light, que intitula o álbum. Muito difícil mesmo.


No final das contas, a missão do álbum está, primeiramente, em fazer o ouvinte pensar "é, eu também" enquanto explora cada faixa e, em segundo plano, incitar uma faísca de otimismo nesse mesmo ouvinte, que pode estar passando pelo seu sétimo círculo do inferno na Terra. Assim como One More Light se tornou uma espécie de luz no fim do túnel para os membros da banda, conforme priorizaram a composição das letras e jogaram luz sobre os próprios problemas, eles esperam que o mesmo aconteça para o público que consumi-lo.

"Quem se importa se mais uma luz se apagar em um céu com milhões de estrelas? Bom, eu me importo", canta Chester Bennington na faixa que intitula o álbum. Faixa esta que dá o tom a todo o projeto por carregar a seguinte mensagem: não interessa quantas milhões de luzes existam por aí, você não é apenas mais uma delas; você é importante. Bom, assim como Chester eu me importo quando uma dessas luzes se apaga. Mas Linkin Park está longe de ter se apagado com One More Light.

Se interessou pelo álbum? Você pode ouvir as faixas no canal da banda no Youtube. Agora, se você estiver interessado em outras opções de streaming ou compra, veja aqui.





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