Agora que tivemos o primeiro vislumbre de Matt Murdock/Demolidor (Charlie Cox), Jessica Jones (Krysten Ritter), Luke Cage (Mike Colter) e Danny Rand/Punho de Ferro (Finn Jones) dividindo as mesmas cenas, fica a pergunta básica de todo trailer: o que vem por aí? Embora não dê para especular muito sobre o enredo, já temos algumas pistas. Por isso não custa nada refletir um pouco sobre o que tudo isso significa para o Universo Marvel-Netflix. E se preparar para dia 18 de agosto.

No trailer, é possível perceber que, novamente, a organização assassina "The Hand" (O Tentáculo) estará no centro das atenções e conflitos. Inclusive, durante o MTV Movie & TV Awards deste ano o ator que interpreta Luke Cage - Mike Colter - soltou alguns detalhes sobre a série: “Os vilões que lidamos em nossas séries são uma combinação de várias entidades (...) Isso não ficou óbvio em cada uma das séries, mas nesta aqui você vai descobrir que as coisas que aconteceram a todos nós foram, basicamente, causadas por uma entidade”. O que se sabe até o momento é que na produção executiva estão Drew Goddard e a dupla Douglas Petrie e Marco Ramirez - todos envolvidos na produção de Demolidor para a Netflix.


Nos quadrinhos


Poucos conhecem "Os Defensores raiz", bem diferentes desses que estamos ansiosos para ver. Eles apareceram pela primeira vez, como grupo, em dezembro de 1971 na Marvel Feature nº1 pelas mãos de Bill Everett e Ross Andru. Agora é que fica interessante, pois no grupo estavam ninguém menos que Stephen Strange (vulgo Doutor Estranho), Bruce Banner (chamado de Hulk em momentos de tensão) e Namor (que nas horas vagas é o Príncipe dos Mares). E mais: nas primeiras histórias, eles carregavam como missão combater ameaças cósmicas e interdimensionais. Ou seja, totalmente o oposto da atmosfera que envolve os justiceiros da Netflix.

No caso do "grupo raiz", a união se deu graças a um cientista do mal. A beira da morte, Yandroth - antigo inimigo de Stephen Strange - desenvolveu um aparelho cujo funcionamento é sintonizado aos seus batimentos cardíacos. Dessa forma, a partir do momento que seu coração parasse de bater, o aparelho iria detonar todo o estoque de armas nucleares do planeta. Após descobrir o plano, Stephen tem a feliz ideia de chamar Hulk e Namor para ajudá-lo a deter Yandroth. 


Nesse momento, surgiam Os Defensores, que passariam a se reunir sempre uma ameaça muito séria despontasse no horizonte. E como a dinâmica era baseada em alianças temporárias, super-heróis como Homem-Aranha, Pantera Negra e Gavião Arqueiro fizeram pequenas participações nos arcos.

Em junho deste ano, está marcado para o grupo voltar a estrear no mundo dos quadrinhos. Seguindo a maré de relativo sucesso das séries produzidas pela Netflix, a equipe traz os mesmos personagens, assim como a história traz o mesmo "tom" dos episódios. Na equipe criativa, estão dois mestres da Marvel: Brian Michael Bendis (roteiro) - que inclusive é o co-criador de Jessica Jones - e David Marquez (arte).


Nas telas


Desde abril de 2015, quando estreou a primeira temporada de Demolidor, a Netflix oferece uma visão alternativa do famigerado MCU (Marvel Cinematic Universe - Universo Cinematográfico da Marvel). Enquanto Os Vingadores e cia. enfrentavam ameaças alienígenas e sobrenaturais, os justiceiros das ruas de Nova York mantinham os pés no chão e encaravam inimigos da vizinhança (e os próprios demônios, em alguns casos).

Está justamente nessa diferença de "tom" o fator-chave para entender o abismo que existe entre as tretas dos filmes e das séries. É que Os Defensores não são heróis de grande destaque no Universo Marvel (como Capitão América, Homem de Ferro e Thor); não possuem arcos épicos (como Era de Ultron e Ragnarok); nem são dotados de poderes espetaculares (como Dr. Estranho). Eles servem como o lado B dos super-heróis, trazendo histórias sombrias e conflitos mais palpáveis para nós, meros mortais.


Todos os quatro possuem histórias sombrias, marcadas por um passado traumático. Matt Murdock vive o dilema da falsa justiça presente em seu mundo; Jessica Jones viveu como refém de um relacionamento abusivo, sob o controle psíquico de Killgrave; Luke Cage foi preso injustamente, viveu nas sombras e chegou até a perder a própria identidade; e Danny Rand teve seus pais assassinados por ganância de terceiros, passou grande parte da vida exilado e encontra-se perdido na própria jornada espiritual.

Construindo esse retrato mais humanista, a mensagem que a Netflix busca passar é simples: "apesar de essas pessoas serem heróis, eles são como nós". Isso não significa que eles inventaram a roda, pois esse elemento já existe há um certo tempo nas produções cinematográficas de super-heróis (veja a trilogia do Batman dirigida por Christopher Nolan, por exemplo). Mas fato é que, apesar dos altos e baixos, as séries "pé no chão" da empresa de streaming tem conquistado a atenção do público. Esta temporada de "Os Defensores" será o ápice dessa nova leva de justiceiros. Pode dar muito certo... ou muito errado.





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