Em cinco ou seis diferentes momentos ao longo da sessão deste filme, notei meus bracos estendidos ao lado do corpo, com as mãos agarradas ao assento da poltrona, simbolizando um sentimento único (que não presenciava há meses em uma sala de cinema): horror.

O casal Ed e Lorraine Warren tiveram (ou melhor, ainda têm) a capacidade de levar milhares de espectadores ao cinema, com os contos adaptados de situações paranormais reais, mas temos de aceitar que franquia de James Wan já deu o que tinha que dar.

Como um respiro a uma década de 2010 inundada de sequências e reciclagens, vemos uma ficção (que acaba não sendo "tão" ficção assim!) angustiante e sangrenta, com fortes inspirações em Alien, o Oitavo Passageiro e O Enigma de Outro Mundo, temos a produção Vida.

Jake GyllenhaalRyan Reynolds e Rebecca Ferguson são o trio de figuras hollywoodianas que, provavelmente, vão te chamar para este filme. Seja pelo ar sombrio que Gyllenhaal criou em nós após Donnie Darko, ou pela vontade de ver Reynolds não sendo tão "pastelão" depois de Deadpool (e algumas comédias românticas) ou pelo fato de Ferguson te surpreender em A Garota no Trem, saiba que Vida deveria te chamar a atenção pela seguinte questão: um tema batido, com visual chocante e abordagem única, que despertam seu interesse do início aos créditos finais.

Após um decepcionante Passageiros e um enlouquecedor Interestelar, falar sobre humanos no espaço (e suas complicações) é arriscar tudo apontando para o fracasso. E esta pode ser a única falha de Vida, o timing errado. Em contraponto, vemos o quão necessário é o filme para nós, que procuramos "desesperadamente" por vida em outro planeta, quando mal resolvemos os problemas "aqui em baixo".

Há sua pequena dose de humor, pitadas de thriller em seus pontos altos e baixos, e momentos de quebras imprevisíveis de roteiro, mas o grande ponto que faz este filme merecer uma recomendação aqui é justamente o mistério. 

Pegando emprestado parte da estrutura de Alien — e em suas óbvias referências —, há muito a ser reconhecido neste longa que é melhor aproveitado em total abstinência de detalhes "profundos" da sinopse básica que foi mostrada nos materiais de divulgação. Acredite: quanto menos souber de antemão, melhor é a experiência.

Portanto, se alguma vez ao longo dos últimos dias, você teve vontade de assistir a este filme e não sabe absolutamente nada sobre a sinopse (e quer continuar assim), pare de ler aqui. A seguir, serão comentados temas específicos que podem te levar a ter uma experiência diferente com este filme — ainda sem spoilers, claro.


Você foi avisado.

O curioso de Vida é exatamente o desenvolvimento da narrativa e no quanto ela torna-se mais próxima do "real". Apesar das semelhanças a Alien e O Enigma de Outro Mundo citadas acima, temos um desvio claro do que estamos acostumados a ver em sci-fis do gênero.

Ao invés da "fantasia" e de todo o medo que sentimos por este universo particular criados por estes sucessos, em Vida há a questão básica: bem, isso poderia realmente acontece conosco — e se acontecesse, seria exatamente assim. Nosso primeiro contato com vida extraterrestre; a base do filme está nos trailers e intervém na nossa ideia de "mundo real/inteligência humana" e no clichê "terror 100% ficcional".

Os personagens e as situações apresentadas possuem conteúdo chocante, sem transbordar para o gênero gore, e é isso que tanto senti falta em sucessos de ficção espacial, a simplicidade de um "bom e velho" conteúdo explícito. O ingrediente perfeito para a tensão total.

Em um dos casos que podemos ressaltar, há este "passageiro" e sua certa "deficiência" (que não serão aprofundadas aqui). Sinto que este ponto foi explorado ao máximo, e da "pior" maneira possível: somos "arrastados" por atos e demais obstáculos onde podem ser ouvidos suspiros e gritos do espectador mais destemido de todo o planeta.

Por fim, o tema profundo (e toda a reviravolta que vemos) me faz lembrar Pandorum, filme de ficção que, por sua vez, pega tema emprestado de Planeta dos Macacos. Antes de "procurar" e/ou encontrar o grande mistério além das estrelas, devemos cuidar e compreender a "vida" como humanos. Vemos que o próprio tema "vida" vem em tom explícito e nos faz compreender o duplo significado do título.

Interprete Vida como quiser, mas saiba que você ainda não viu (e provavelmente não verá tão cedo) tal tema com tal abordagem nas telonas.





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