Escrito por Pedro Spadoni

Peter Parker. Homem-Aranha. Você com certeza conhece esses dois nomes. E provavelmente conhece a história por trás deles: o garoto timido, isolado e nerd é picado por uma aranha "geneticamente modificada", ganha poderes incríveis, perde o tio (Ben Parker) em uma fatalidade e começa a combater o crime, enfrentando um vilão mais bizarro que o outro. E Gwen Stacy? Bom, se você lembra do filme O Espetacular Homem-Aranha 2 (2014), dirigido por Marc Webb, ou já leu algumas HQs do herói, deve saber que o destino da namorada de Peter Parker termina em uma morte trágica. Só que aquela não era a única Gwen nos quadrinhos do Universo Marvel, que na verdade é um multiverso. Entre as infinitas Terras, está a desajustada Gwen-Aranha!

Sua história, que se passa na Terra 65, é até que familiar em alguns pontos, se compararmos ao "Peter Parker clássico", mas bem particular em outros. 

Filha de George e Helen Stacy, Gwen perdeu a mãe logo após nascer. Seu espírito rebelde e artístico sempre bateu contra o de "lei e ordem" de seu pai, que é o chefe da polícia de Nova York. Com o tempo, isso fez com que ela levasse uma vida cada vez mais isolada de tudo e todos. Sua ocupação nas horas vagas era descontar toda essa frustração em seu instrumento preferido, a bateria.

Eventualmente, ela fez um amigo (que também era seu vizinho): o nerd e introvertido Peter Parker, que adorava música e ciências. Fez amizade, também, com algumas garotas da escola: a popular Mary Jane e suas sidekicks Betty Brant e Glory Grant. Juntas, elas montaram a banda The Mary Janes e passaram a ensaiar diariamente. Parecia que as coisas estavam melhorando na vida pacata de Gwen. Mas só parecia, mesmo. Porque aí entra a aranha radioativa que, literalmente, mudou tudo.


Após ser picada e ganhar poderes surreais, ela vê aí uma oportunidade de finalmente se desprender de toda frustração que ser Gwen Stacy trazia. Com ajuda da aposentada Janet van Dyne ("Vespa", para os íntimos), que desenvolve seu traje e lançadores de teia, Gwen começou a descer a porrada nos criminosos da cidade. Só que em suas primeiras patrulhas, ela mais buscava “ser uma estrela” do que de fato ajudar alguém. Obviamente, não demorou muito para a mídia crescer os olhos para ela e lhe dar um apelido chamativo para as manchetes: Mulher-Aranha.

Lembra do nerd e introvertido Peter Parker? Então, todos esses holofotes sob a tal Mulher-Aranha a transformou em sua heroína. Mas o garoto ficou tão obcecado que colocou na cabeça que queria ser especial como ela. Juntando isso ao fato de que Parker era um gênio da ciência e tinha acesso a variados materiais nos laboratórios da escola, boa coisa é que não podia sair. 

Depois de conduzir alguns experimentos, um deles deu muito ruim e o transformou em um lagarto gigante. E é claro que Gwen teve que enfrentá-lo. Ela não encontrou outra solução a não ser nocauteá-lo com os golpes mais fortes que poderia dar, o que até deu certo. Mas, após ser derrotado, Peter voltou a sua forma humana e acabou morrendo nos braços da Mulher-Aranha, por conta dos machucados e danos colaterais. Sem evidências que ligassem Parker ao Lagarto, a Mulher-Aranha foi de heroína à criminosa homicida em questão de horas.


Adivinha quem foi designado para investigar o caso "vigilante mascarada aracnídea"? Pois é, o chefe da polícia George Stacy, que nem fazia ideia que a criminosa era sua própria filha. Tudo termina de ir para os ares quando Matt Murdock, que nesse universo não é o Demolidor mas sim o advogado e braço direito do Rei do Crime, encomendou a morte de George ao mercenário Aleksei Systsevich (ou só Rhino, para facilitar). Sua ideia com isso era tentar uma possível aliança com a Mulher-Aranha. 

Na treta para salvar seu pai, Gwen é obrigada a revelar sua identidade. Antes que ele entrasse em parafuso, ela explicou: "Quando coloquei essa máscara, foi só para me libertar de toda a responsabilidade. Eu pensei que era especial. E Peter Parker morreu porque ele tentou seguir meu exemplo. Eu preciso assumir a responsabilidade por isso, para fazer a morte dele significar algo. Essa máscara é meu distintivo agora".


Foi aqui que os horizontes de Gwen se expandiram. O que ela não sabia era que William Braddock, o Homem-Aranha Britânico (da Terra 833), estava observando tudo. Nesse momento, ela precisou sair do seu mundo para lidar com algo bem maior. Literalmente. 

Agora as coisas vão ficar meio bagunçadas, mas respire fundo e vamos lá. 

Após o ocorrido com George Stacy, o Homem-Aranha Britânico a chama para se juntar ao seu exército de aracnídeos de outras realidades que iriam enfrentar os Herdeiros. Essas criaturas imortais, parecidas com vampiros, viajavam pelo multiverso se alimentando da energia vital de todo e qualquer Aranha que encontrassem pela frente. Esta saga ganhou o nome de Aranhaverso.

Nesta guerra transdimensional, Gwen não desempenhou um papel fundamental mas passou por experiências que a abalaram profundamente. Uma delas aconteceu na Terra 21.205, quando outro Peter Parker, um que tinha assumido o manto do Duende após este assassinar sua Gwen, morreu em seus braços. Outra foi na Terra 13, quando todos os Aranhas estavam fugindo dos Herdeiros e ela encontrou o Peter Parker da Terra 616 (o "clássico") pela primeira vez. Foi um baita climão para os dois.


Durante a saga, sua principal contribuição foi ficar ao lado de Cindy Moon, também chamada de "Teia-de-Seda" (outra aracnídea da Terra 616), e ajudá-la a cumprir o seu papel na guerra contra os imortais, que mais tarde se revelaria central para o desfecho. Após tudo se resolver e a poeira abaixar, Gwen pôde retornar ao seu bom e velho universo.

Dessa vez, porém, nem tudo estava igual. Era inevitável que toda essa convivência com Homens e Mulheres-Aranha de outros universos acabasse inspirando Gwen de alguma forma. Agora, ela busca ser a melhor versão de si mesma, tanto na vida pessoal quanto na heróica. A boa notícia é que ela não está sozinha. 

Após os eventos das Guerras Secretas, em que todo o multiverso Marvel entrou em colapso nas mãos do Doutor Destino, nossa heroína se juntou aos aracnídeos sobreviventes na equipe Guerreiros da Teia, que viajam pelo multiverso cobrindo as lacunas deixadas pelos Aranhas que morreram na luta contra os Herdeiros. No meio tempo, Gwen se dedica, em seu universo, a recolher e remendar os cacos de sua vida e provar seu valor para a polícia e sociedade de (sua) Nova York. No universo cinematográfico da Marvel, em Homem-Aranha: De Volta ao Lar (estréia dia 07 de julho), temos um certo Peter Parker que enfrenta um desafio parecido, né?


Curtiu a Gwen-Aranha? No Brasil, sua história solo estreou em dezembro de 2015, pela editora Panini, na edição nº1 do mix Aranhaverso, com roteiro de Jason Latour e arte de Robbi Rodriguez. Você pode acompanhar os desdobramentos da jornada da heroína nas edições nº6 e 8 do mix Aranhaverso, que contam com a mesma equipe criativa, e nº3 da mensal O Espetacular Homem-Aranha, de outubro de 2016, que traz o roteiro de Mike Costa e arte de André Araújo. Nossa Guerreira da Teia ainda possui muitos conflitos (e histórias) pela frente!




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