Em ‘Cujo’, Stephen King apresenta ao leitor Tad Trenton, um garotinho que a tempos não sabe o que é uma noite de sono graças ao monstro que vive em seu closet. Donna e Vic Trenton, pais do menino, costumam acalma-lo dizendo que é apenas fruto de sua imaginação fértil, coisa que nem mesmo eles sabem se é realmente verdade. 

Como na maioria dos livros de King, existe a pitada de terror real, nesse livro o terror da vida real se aplica a grave crise na qual o casamento dos dois está, tudo isso por conta do caso que Donna tem com Steve Kemp, que começou por conta da mulher começar a se sentir mal por ter que ficar em casa cuidando de tudo enquanto mora na pacata Castle Rock. 

Tudo começa quando Donna decide por um fim em seu relacionamento extra conjugal com Steve. O homem não reage bem ao termino e acaba escrevendo uma carta para Vic, contando de uma forma nada amigável o fato da mulher ter um amante. O que deixa a situação ainda pior é que Vic terá que viajar para Nova Iorque com o objetivo de decidir o futuro de sua empresa, junto com seu amigo e sócio, Roger. Por conta dessa viagem a trabalho, o casal se vê obrigado a pensar no futuro dos dois juntos enquanto estão longe um do outro.



Cujo é um dócil cão da raça São Bernardo, que tem como donos Joe, que é um mecânico de carros, sua esposa Charity e seu filho Brett. Por um azar do destino, o cão acaba sendo mordido por um morcego portador do vírus da raiva. Sem saber do ocorrido, Charity decide visitar sua irmã e leva Brett para passar um tempo com a família que não vê a anos, feito que ela só conseguiu após subornar o marido com um presente comprado graças a um prêmio de loteria. Depois de ter que se sujeitar a isso para poder viajar com o filho, a vontade que Charity tinha de ficar longe só aumenta. 

É nessa parte que Donna e Tad voltam a ser o centro da história. Donna decide ir ao mercado com o filho e no caminho nota que o carro apresenta algum problema mecânico e ela acaba levando até a oficina de Joe. Ao chegar na casa do mecânico, o carro morre de vez e a partir desse ocorrido o livro passa a ser tomado por uma imensa agonia quando mãe e filho são recepcionados por um São Bernardo de quase 100 quilos portador do vírus da raiva. Os dois se veem obrigados a ficarem trancados no carro expostos a um calor insuportável. 

Segundo a biografia ‘Stephen King – Coração Assombrado’, o autor revelou que não tinha lembrança alguma de ter revisado os originais de ‘Cujo’, originalmente intitulado como ‘Cão Raivoso’, tudo isso graças ao uso excessivo de drogas e o consumo de álcool. Após ler o livro é difícil acreditar que Stephen estava a beira da inconsciência. 



A trama é impecável e cada peça do quebra-cabeça se encaixa aos poucos de uma forma incrível. A riqueza de detalhes, marca registrada do autor, se torna ainda mais presente nessa obra, o que acaba sendo o agravante de todo medo e agonia causados ao longo da leitura. Um forte candidato a ser um dos livros mais impiedosos e impactantes de Stephen, ‘Cujo’ tem tudo isso agravado por conta de ter uma criança presente ali, sendo Tad um garoto que cativa quem lê logo nas primeiras páginas. 

As personagens são outro ponto alto do livro. Apesar de não ser um dos maiores livros já escrito por King, as páginas são suficientes para mostrar o essencial das personagens para a obra, mostrando a personalidade e mentalidade de cada uma de uma forma incrível. Após terminar a leitura eu dediquei todos os meus agradecimentos a Donna, que se mostrou uma mulher forte e protetora ao longo de todo o tempo que passou trancada no carro junto a Tad. Uma mãe vendo um filho sofrer de fome, calor e ter que pensar em uma forma de tira-lo dali é algo que merece uma salva de palmas. King acertou em cheio na composição de uma personagem marcante. 

A edição de ‘Cujo’ lançada pela editora Suma de Letras no final de 2016 ainda conta com uma entrevista completa que King concedeu para a The Paris Review, em 2006!

Já leu ‘Cujo’? Conta pra gente o que achou!







Facebook




Comentários