O Oscar é a premiação mais importante e prestigiada do cinema, que envolve os filmes que tiveram maior destaque em suas produções. O prêmio é entregue pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas desde 1927, e hoje se encontra na 89ª edição. Nos últimos anos, a cerimônia de entrega vem acontecendo no final de fevereiro, mas a temporada de aquecimento para o Oscar acontece semanas antes. Por isso, preparamos um especial envolvendo 19 categorias da premiação para você conhecer ou relembrar os filmes que já ganharam uma estatueta. Na nona publicação da série, falaremos sobre 10 protagonistas que foram consagradas com o Oscar de melhor ator.

O prêmio de Melhor Ator Principal é entregue a cada ano ao intérprete que mais se destaca e realiza um maravilhoso trabalho na indústria do cinema. A estatueta foi entregue pela primeira vez em 1929 para o ator Emil Jannings, que recebeu o prêmio pela atuação em dois filmes daquele ano (A Última Ordem e Tentação da Carne). As indicações são feitas pelo ramo dos atores da Academia em um voto único transferível, enquanto os vencedores são escolhidos por pluralidade dos votos dentro de todos os membros votantes da banca avaliadora.

Apenas em 1937 que se firmou o sistema de indicações que o Oscar segue até hoje, tendo cinco favoritos pela estatueta e os mesmos sendo indicados apenas por um único filme. Antes disso, os atores poderiam ser indicados por mais de um filme, dependendo de quantas produções participou no ano anterior da cerimônia. O ator com mais vitórias na categoria é Daniel Day-Lewis, totalizando 3 estatuetas para sua prateleira nos filmes Meu Pé Esquerdo, Sangue Negro e Lincoln.

Confira agora 10 talentosos atores que venceram a categoria de Melhor Ator:


1
Matthew McConaughey, por Clube de Compras Dallas (2013)


O longa conta a história do eletricista Ron (Matthew McConaughey) que é diagnosticado com AIDS, assim começando uma árdua batalha para conseguir remédios ilegais e revendê-los para ajudar outros portadores da doença. De galã charmoso de comédias românticas para um incrível intérprete de qualidade em produções sérias. Com sua entrega física, Matthew é surpreendente no papel de Ron, perdendo aproximadamente 19 quilos para dar vida ao eletricista. Mas não apenas fisicamente o ator se destacou.

Banhado de cenas emocionais, McConaughey conseguiu transmitir uma energia de surto e tristeza no personagem, fazendo incríveis momentos de admiração ao ator. Não há como negar que Matthew conseguiu fazer uma bela atuação em Clube de Compras Dallas, surpreendendo o espectador em vários momentos da trajetória de Ron em suas fases de aceitação e mudança de ideologias internas. O preconceito que o personagem tinha com aidéticos vai se quebrando no decorrer da trama, conhecendo a luta desses guerreiros contra um inimigo difícil de ser combatido. O ator teve uma entrega excepcional, e não é surpreendente que o Oscar de 2014 tenha sido para McConaughey.


2
Adrien Brody, por O Pianista (2002)


Sem dúvida alguma, o que conduz o filme a um nível altíssimo é a atuação de Andrien Brody na pele do pianista polonês e judeu Wladyslaw Szpilman, que vê o holocausto da Segunda Guerra Mundial em seu auge, tendo que passar por situações de risco para fugir dessa realidade. Para interpretar Szpilman, o ator se submeteu a perder 14 dos seus 73 quilos, dando um ar mais crível ao longa e chocando, as vezes, por sua magreza. A preparação para o personagem foi muito bem feita por Adrien, dando um resultado magnífico nas telonas.

Passando tristeza e quase uma falta de parte humana em Szpilman, Brody passa nos olhares o sentimento solitário do personagem em estar escondido nos entulhos da cidade. Além disso, uma amargura e esperança envolve seus gestos delicados a frente de um piano, que proporciona um choque de sentimentos tanto no ator como no personagem principalmente. O espectador sente a necessidade do judeu em sair dessa vida, mas toda a possibilidade de escapar parece que some a cada minuto de O Pianista. Adrien é conhecido por pegar papéis que o colocam em desafios, não caindo na mesmice e sempre se entregando ao máximo (sendo comparado as vezes por Robert De Niro ou Daniel Day-Lewis). Aprendeu piano para o papel, podendo assim fazer os produtores acrescentar cenas sem cortes na edição final do filme.


3
Tom Hanks, por Filadélfia (1993)


Também com uma visível transformação física, Tom Hanks interpreta o personagem Andrew, um advogado promissor que acaba descobrindo ser portador do vírus da AIDS, sendo demitido de seu cargo e sofrendo homofobia no decorrer da trama. 20 quilos precisaram ser perdidos para Tom viver o advogado, causando estranheza no público que já acompanhava seu trabalho na época. O ator precisou sentir a luta por duas coisas no decorrer da trama do personagem: o conflito contra a doença nos seus dolorosos e sofridos estágios, assim como lutar a favor de seus direitos.

Podemos sentir uma diferença triunfal de um Andy saudável do começo do longa para um abatido e doente aidético. Em Filadélfia, Hanks emociona a todos no passar do filme com sua atuação majestosa e bela na pele do personagem, passando por batalhas internas e externas. Outro ponto importante de ressaltar é a colaboração de atuação em destaque do filme com Denzel Washington, que faz o advogado homofóbico contratado por Andrew. Uma dupla super talentosa e com um entrosamento forte, visível no filme.


4
Eddie Redmayne, por A Teoria do Tudo (2014)


Vivendo o famoso físico Stephen Hawking em sua biografia cinematográfica, Eddie Redmayne se destacou em sua incrível comparação como o personagem. Não apenas a maquiagem estava muito bem feita, como a postura de do ator na pele de Stephen em suas diversas fases da vida: seu corpo deformado pela precoce doença e seus olhares emocionados. A interpretação de Eddie vem de dentro pra fora gradativamente, até chegar ao auge nos momentos finais do longa.

Em A Teoria do Tudo, a naturalidade em transmitir a personalidade de Hawking foi o que mais chamou a atenção no ator, mostrando que sua dedicação em preparar um trabalho excepcional não é fraca. Mesmo que o personagem não consiga movimentar boa parte de seu corpo, podemos notar as expressões e olhares do ator. Não foi nada forçado, muito pelo contrário. A leveza de sua atuação formidável fez o rapaz levar a estatueta para casa (e já era o favorito naquele ano).


5
Daniel Day-Lewis, por Sangue Negro (2007)


Maravilhosamente interpretando Daniel Plainview, um mineiro capitalista com minas falidas, Daniel Day-Lewis consegue achar uma de suas melhores atuações em trabalho - ou talvez a melhor. Suas expressões de raiva contraídas ao ver suas riquezas indo de mal a pior é completamente envolvente, ao mesmo tempo que precisa cuidar de sua filha pequena. Apenas um ator tão experiente e seguro de si poderia proporcionar algo tão magnífico.

É impossível desviar o olhar de Day-Lewis no longa. Seu personagem é uma grande confusão de grosseria, teimosia, violência, simpatia, dedicação e até mesmo loucura. A passagem das personalidades de Plainview vai se transformando no decorrer do filme, e pode notar a perfeição de cada movimento da performance do ator, que foi considerada já de cara a melhor atuação do ano de estreia, sem qualquer ameaça para alguém disputar a estatueta no nível de Day-Lewis. A desenvoltura em dar expressões e mensagens ao personagem mesmo quando a cena não possui falas é de tirar o chapéu para o ator em Sangue Negro.


6
Jean Dujardin, por O Artista (2011)


E quem não consegue ficar maravilhado com o sorriso lindo do galã francês Jean Dujardin? Com esse sorriso e uma contagiante simpatia, Jean interpreta um famoso ator de cinema mudo, em 1927, que passa a se preocupar com sua carreira após a chegada e influência do cinema falado. O Artista é uma produção muda, o que causa um desafio maior para o nosso protagonista.

Dujardin prova que para ser um bom ator no século XXI não precisa necessariamente mostrar uma boa dicção ou movimentos de fala expressivos. Com o longa, o ator nos mostra que seu talento é bruto e natural, deixando suas expressões falarem diante da ausência de som. Sua atuação faz o espectador acreditar que aquele que vemos é sim um ator de cinema não falado, o que mostra sucesso em seu trabalho. O personagem é alegre, impulsivo e belo, assim como o próprio intérprete. Um desafio a mais na carreira do ator francês.


7
Leonardo DiCaprio, por O Regresso (2015)


No longa, Leonardo DiCaprio é Hugo Glass, um homem que quer ganhar a vida caçando para conseguir um bom dinheiro, passando a duelar com animais ferozes. Contudo, é roubado e deixado sozinho na mata, fazendo sua trajetória em busca de vingança. Após várias indicações ao Oscar e sendo o famoso “azarão”, em 2016 DiCaprio consegue a tão aguardada e merecida estatueta por O Regresso. E com todo o mérito.

Nós conseguimos sentir todas as necessidades que seu personagem passa no filme. Quando Hugo está com frio, sentimos a verdade na interpretação de DiCarprio, assim como a necessidade de fome. Com toda a certeza é uma de suas melhores performances nas telonas. O ator passa por um desafio muito grande ao ser submetido a um personagem que não necessita de muitas falas, mas sim de expressões e olhares, saindo da zona de conforto. Além disso, teve que comer e cuspir pedaços crus de carne para as cenas, o que causou muita polêmica. Não é por esse filme que vemos pela primeira vez o talento nato de Leonardo DiCaprio. Todas as suas participações em filmes foram de tirar o chapéu, porém apenas quando o  mesmo saiu da sua acostumada forma de atuar é que foi digno de se destacar na corrida para o Oscar.


8
Philip Seymour Hoffman, por Capote (2005)


Capote narra a história de vida do escritor americano Truman Capote (Philip Seymour Hoffman) enquanto ele investiga o assassinato de moradores de uma mísera fazenda. Foi neste filme que Philip finalmente brilhou para que todos vissem seu trabalho grandioso. O ator já tinha se destacado em outras produções, porém foi nesta que ele mais se mostrou apto a qualquer desafio.

Alguns críticos dizem que o personagem Capote é um dos mais complexos e bem construídos do cinema - e quem assistiu a esse longa sabe que esta afirmação não foge do real. Seu trejeitos, sua voz fina, uma seriedade e a qualquer momento um humor afiado. Os gestos, os olhares, as falas e expressões foram de tamanha naturalidade que impressionam a qualquer um o tanto de talento que Hoffman carregava em si. E o mais formidável, ao interpretar um personagem gay, o ator não se deixa cair nos estereótipos impregnados. Em 2014, Philip acabou falecendo, deixando seu legado em forma de cinema para que possamos apreciar sempre seu lindo trabalho.


9
Russel Crowe, por Gladiador (2000)


Russel Crowe interpreta Máximus, um general romano traído pelo filho de seu imperador que, após matar o pai, assume o trono. Maximus então é reduzido de general para escravo, batalhando como gladiador a fim de se vingar. A escalação de Crowe para o papel não poderia ter sido melhor. Ele deu vida ao personagem da maneira como melhor pôde e teve um êxito enorme.

Sua interpretação em Gladiador foi tão intensa que, anos após a produção do longa, a sombra do personagem ainda estava dentro do ator, atrapalhando no desempenho de filmes que participou posteriormente. Mas com uma produção tão forte como foi o desenvolver da trama do império romano, é justificável. Na interpretação de Russel há dor, emoção, tristeza, raiva e esperança. Uma pesquisa e ambientação dos costumes e jeitos dos antigo romanos foi estudada pelo ator, e mostrou o resultado disso para os espectadores. Vale a pena conferir Russel Crowe arrebentando como o general (ou escravo) romano!


10
Marlon Brando, por O Poderoso Chefão (1972)


O renomado e talentoso ator Marlon Brando interpreta o italiano ícone do cinema Don  Vito Corleone. Para ter virado um ícone, o intérprete não pode ter feito um trabalho ruim - muito pelo contrário, foi uma interpretação brilhante e um show de talento. Até hoje Marlon é uma inspiração para atores novatos por sua performance em O Poderoso Chefão.

Ele nos dá expressões enigmáticas, cenas de seriedade, falas executadas com precisão e, o mais incrível, ele já passa um ar diferente e arrepiante para a cena, só por sua presença na sequência. Como esta matéria sugere, Brando ganhou o Oscar por O Poderoso Chefão. Entretanto, recusou. Sim, Marlon Brando recusou o prêmio ao vivo no dia da cerimônia. Após o anúncio de sua vitória, quem sobe ao palco é uma representante dos povos indígenas locais, trazendo consigo um protesto escrito por Marlon contra a forma que os Estados Unidos e Hollywood discriminam os nativos americanos. Foi um choque total!

E então? Gostou de conhecer um pouco mais sobre os trabalhos premiados desses talentosos atores? Espero que sim. Comente aqui embaixo qual ator você mais gosta e continue acompanhando a Infogeek!





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