O Oscar é a premiação mais importante e prestigiada do cinema, que envolve os filmes que tiveram maior destaque em suas produções. O prêmio é entregue pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas desde 1927, e hoje se encontra na 89ª edição. Nos últimos anos, a cerimônia de entrega vem acontecendo no final de fevereiro, mas a temporada de aquecimento para o Oscar acontece semanas antes. Por isso, preparamos um especial envolvendo 19 categorias da premiação para você conhecer ou relembrar os filmes que já ganharam uma estatueta. Na terceira publicação da série, falaremos sobre 10 filmes que foram consagrados com o Oscar de melhor figurino.

Essa categoria nem sempre esteve presente na premiação. Ela surgiu apenas em 1949, na 21ª edição do Academy Awards, e até o ano de 1967, o prêmio era dividido em duas subcategorias: figurinos em filmes preto e branco, e figurinos em filmes coloridos. Depois disso, tornou-se o que conhecemos hoje.

Os estilistas, que geralmente trabalham para a indústria Hollywoodiana, recebem o briefing das produtoras, que podem variar desde filmes de época até de fantasia (sendo esses dois gêneros os que mais possuem destaque nessa categoria). Essa tendência da Academia em premiar filmes de gêneros similares tem fundamento: os trajes de produções de época se destacam por representarem de forma mais realista os personagens, e os de fantasia, por criarem algo totalmente exclusivo e inédito.  

Se você acha que a atriz Meryl Streep é a rainha das indicações, você está enganado. Edith Head foi uma das maiores estilistas de Hollywood, e levou nada menos que 8 estatuetas das 35 vezes que foi indicada ao longo da sua jornada profissional. Uma grande curiosidade é que a personagem Edna, da animação Os Incríveis, foi totalmente inspirada na figurinista. Edith, em uma de suas entrevistas, diz que figurino para o Oscar é bem diferente da moda em si.

Confira alguns filmes que venceram essa estatueta:

1
Titanic (1997)


Um dos filmes mais conhecidos da história do cinema, Titanic não poderia ter um figurino que passasse despercebido. Lançado em 1997, o longa retrata o naufrágio real do navio RMS Titanic, que aconteceu no ano de 1912. Na trama, Leonardo DiCaprio é Jack e Kate Winslet é Rose, dois jovens de classes sociais diferentes que se apaixonam durante a fatídica viagem inaugural do navio.

O figurino do filme ficou por conta de Deborah Lynn Scott, que teve que pesquisar muito para a criação das peças. Ela precisou de aproximadamente 50 pessoas para ajudar no departamento, que ficou pronto somente um ano depois. Como muitas cenas eram gravadas dentro da água, os atores usavam trajes de mergulho embaixo de seus figurinos, para que nenhum tipo de acidente pudesse ocorrer durante as gravações. Na cena do naufrágio, Kate Winslet usou um casaco duas vezes maior que seu corpo, para dar um ar de vulnerabilidade à Rose. E lembra daquele vestido vermelho usado por ela? Ele foi decorado com pérolas de vidro e levou mais de 1000 horas para ser confeccionado!


2
Moulin Rouge: Amor em Vermelho (2001)


Moulin Rouge é uma boate de Paris recheada de sexo, drogas, adrenalina e dança cancan. O jovem escritor Christian (Ewan McGregor) ao fazer uma visita ao local, acaba se apaixonando por Satine (Nicole Kidman), uma cortesã parisiense e grande estrela do Moulin Rouge.

Catherine Martin e Angus Stratie comandam o figurino do filme, que retrata de forma brilhante a vida burlesca parisiense do início do século XX. Os trajes são extremamente detalhados: temos a presença de vestidos, luvas, chapéus, salto altos, meia calças, espartilhos e muitas joias. O colar que Nicole Kidman usa em algumas cenas foi a joia mais cara criada especialmente para um filme. A peça tem 1,308 de diamante e 2.5 quilates de safira, tendo hoje um valor de U$ 1 milhão de dólares. E como já explica o título, há bastante presença de tons avermelhados na produção, seja no cenário, no figuro ou na maquiagem. A cor vibrante compõe o visual, deixando tudo mais sedutor e luxuoso.


3
Minha Bela Dama (1964)


Nesse filme, Audrey Hepburn é uma florista pobre que, na tentativa de se tornar uma dama, começa a ter aulas de fonética com o professor Higgins (Rex Harrison), um linguista inglês charmoso, porém misógino. Durante o tempo em que passam juntos, os dois se apaixonam, e ela finalmente consegue se transformar em uma das mais finas damas da sociedade inglesa.

O figurino do filme foi criado por Cecil Beaton, que também trabalhava como fotógrafo para a revista Vogue. Ele não apenas cuidava dos trajes do filme, como também costumava fotografar durante algumas cenas: Audrey era uma de suas modelos favoritas durante as gravações. O figurino em My Fair Lady (título em inglês) se tornou icônico. Pomposos, volumosos e elegantes, os trajes eram caracterizados por gigantescos chapéus, suntuosos vestidos e sombrinhas. Já a paleta de cores é mais simplista, porém não menos elegante: Beaton usou e abusou do branco, preto e cinza. Vale também mencionar que o famoso vestido que Audrey usou no filme foi leiloado em 2011 por U$ 3,7 milhões de dólares.


4
Maria Antonieta (2006)


Kirsten Dunst é Maria Antonieta, uma princesa austríaca enviada à França para se casar com o príncipe Louis XVI (Jason Schwartzman). Sendo imposta por várias regras, a garota tenta viver o auge da sua juventude no meio de fofocas e disputas familiares, mas o seu divertimento é colocado em risco quando a revolução francesa está prestes a estourar.

Milena Canonero foi a responsável pelo figurino. Exuberância e referências históricas fazem parte da composição dos trajes de Maria Antonieta, que conseguiu retratar muito bem a época do Rococó. Tons pastéis de rosa, azul, lavanda, coral e verde oliva compõem a gama de cores usada no figurino, que contou com a participação de Manolo Blahnik para a confecção de 20 modelos de vestidos. O interessante do filme é que o figurino vai mudando conforme a trama se desenrola. No início do longa, tons frios e pálidos vestem uma Maria Antonieta ingênua e jovial; depois, com o passar do tempo, as cores explodem em camadas, saias, corpetes e babados; posteriormente, com o amadurecimento de sua personalidade, a rainha usa cores pastéis; e no final, envereda para tons mais escuros.


5
Star Wars (1977)


O primeiro filme de Star Wars, lançado em 1977 – porém sendo o episódio IV na cronologia da série – também foi digno de Oscar. Na trama, a princesa Leia (Carrie Fisher) é mantida como refém pelas forças imperiais comandadas por Darth Vader. Cabe a Luke Skywalker (Mark Hamill) e ao capitão Han Solo (Harrison Ford) libertá-la, para restaurar a liberdade e a justiça na galáxia.

John Mollo ficou como responsável pelo figurino do filme, que revolucionou e inovou essa categoria. Inspirada nas artes conceituais de Ralph McQuarrie, ele criou uma paleta de cores baseada em uma dicotomia que posteriormente permaneceu nos próximos longas: a luta entre a Aliança Rebelde contra o Império. Os trajes dos “mocinhos” foram representados pelas cores marrom, bege, laranja e verde, que lembram a terra. Já os “vilões”, vestiram cinza e preto, que podem ser relacionados às sombras. Outra curiosidade sobre o longa é que o célebre capacete usado por Darth Vader foi inspirado nos capacetes dos soldados nazistas durante a 2ª Guerra Mundial.


6
O Grande Gatsby (2013)


Essa adaptação literária conta a história de Nick Carraway (Tobey McGuire), um escritor que acaba se aproximando de seu vizinho, o misterioso e festeiro Jay Gatsby (Leonardo DiCaprio). Mas esse “novo mundo” de Nick entra em colapso quando descobre que Gatsby é apaixonado por sua prima casada, Daisy (Carey Mulligan).

Catherine Martin novamente comanda um dos filmes ganhadores do Oscar de melhor figurino. Retratando com bastante exuberância o mundo ostensivo e ilusório de Gatsby, os trajes conversam com a direção de arte do longa, que faz também um trabalho extraordinário. Catherine é esposa do diretor do filme, Beaz Luhrmann, sendo esse o quarto trabalho que a dupla realiza em parceria: dois deles renderam Oscar a ela.

Grande parte do figurino foi criado por Miuccia Prada, que fez o design de mais de 40 vestidos para as personagens coadjuvantes, além do vestido cor de pêssego que Daisy usa em uma das festas de Gatsby. A ótima composição visual dos trajes é abundante em brilhos, cores, bordados e joias (que foi produzida pela Tiffany’s). Já os trajes masculinos ficaram por conta da marca Brooks Brothers, que produziu cerca de 500 looks para a produção.


7
Sabrina (1954)


Depois de dois anos fora, Sabrina (Audrey Hepburn) retorna de Paris, e imediatamente chama a atenção de um dos filhos dos empregadores ricos de seu pai. Como sempre foi apaixonada pelo homem, a garota logo é conquistada, mas todo o romance é ameaçado quando a família do seu amado entra em jogo.

Esse filme de 1954 é um dos oito longas que Edith Head levou a estatueta de melhor figurino. Só que dessa vez, ela contou com a colaboração de Hubert de Givenchy, e talvez essa parceria tenha acrescentado à moda o tanto que acrescentou ao cinema. Audrey Hepburn foi mandada a Paris para se encontrar com o estilista, que se apaixonou por seu charme e tipo físico já de primeira. Quando retornou para Hollywood, a atriz queria para o filme um vestido de festas com os ombros à mostra, e então, nas palavras de Edith: “o que eu inventei para ela se tornou um estilo tão popular que o chamei de decote Sabrina”. Já Givenchy utilizou na criação vestidos de alta classe, shorts e jaquetas justas para compor o figurino do filme. Vale lembrar que esse longa venceu na categoria de figurino em preto e branco.


8
Priscilla, A Rainha do Deserto (1994)


As drag queens Anthony (Hugo Weaving) e Adam (Guy Pearce) e a transexual Bernadette (Terence Stamp) são chamadas para realizar um show na cidade de Alice Springs, que fica localizada no remoto deserto da Austrália. Elas então viajam a bordo de Priscilla, um ônibus, e acabam descobrindo que a pessoa que as contratou para o show não era quem imaginavam.

Lizzy Gardiner e Tim Chappel comandam essa categoria. Extremamente exageradas, coloridas e extravagantes, as roupas usadas pelas personagens se destacam no quesito originalidade. Têm vestidos que lembram animais, tem o famoso vestido prateado com uma enorme echarpe branca, calças brilhantes e vibrantes, e principalmente o absurdo traje constituído por chinelos! É um show de cores e criatividade. Além disso, as perucas também não passam despercebidas: rosas, azuis e amarelas, elas são formadas por flores. É inegável o exímio trabalho que a dupla fez para esse filme.


9
Alice no País das Maravilhas (2010)


O velho conto de Alice toma forma no filme de Tim Burton: seguindo um apressado coelho que usa um relógio, a garota acaba caindo em um buraco, que a leva para o País das Maravilhas, local onde esteve há dez anos apesar de não lembrar de nada. Ao chegar lá, ela é recepcionada por um Chapeleiro Maluco (Johnny Depp) e passa a conhecer seres diferentes e fantásticos.

A bola da vez foi dada a Colleen Atwood, que pesquisou bastante antes de começar a produzir o figurino. Ela se inspirou nos sketchs que o próprio Tim Burton desenhou, e colocou o gênero de fantasia ao seu favor para poder brincar com cores, formas e texturas. Costuras a mão, uso de babados e retalhos e cores vibrantes fazem parte da composição visual criada pela figurinista. Colleen utilizou a personalidade de Alice para mesclar com os diferentes ambientes em que ela passa, mudando os trajes da personagem entre tons mais claros e vibrantes.


10
O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei (2003)


No terceiro filme da série, o confronto final entre as forças do bem e do mal que lutam pela liderança da Terra Média toma forma. Frodo, Sam e os Hobbits chegam à Mordor na missão de destruir o anel, enquanto na cidade de pedra de Minas Tirith, Aragorn leva as forças do bem contra o exército do mal de Sauron.

Richard Taylor e Ngila Dickson fizeram a composição do figurino, que segue o padrão dos outros longas já lançados. Fidelidade à obra literária e originalidade são características dos trajes, que, extremamente criativos, possuem uma unicidade que somente O Senhor dos Anéis pode ter. Cada raça da Terra Média possui uma maneira de se vestir – já que elas também se diferem por seus aspectos físicos. Os Hobbits, por exemplo, vestem túnicas e calças curtas, coletes com colorações terrosas e tecidos próprios da cultura antiga europeia. Já os elfos são mais elegantes, trajando roupas de seda com cores mais vibrantes.

E aí, ficou com vontade de assistir alguns destes filmes? Aposto que você já conhece vários deles. Mas que tal reparar no figurino? Assista mais uma vez os filmes indicados e perceba como os trajes são importantes na composição artística e criativa do filme. E depois, conte para nós o que achou! Agora nos resta conferir esse ano quem levará a estatueta da categoria para casa.





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