O Oscar é a premiação mais importante e prestigiada do cinema, que envolve os filmes que tiveram maior destaque em suas produções. O prêmio é entregue pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas desde 1927, e hoje se encontra na 89ª edição. Nos últimos anos, a cerimônia de entrega vem acontecendo no final de fevereiro, mas a temporada de aquecimento para o Oscar acontece semanas antes. Por isso, preparamos um especial envolvendo 19 categorias da premiação para você conhecer ou relembrar os filmes que já ganharam uma estatueta. Na quinta publicação da série, falaremos sobre 10 atores e atrizes que foram consagrados com o Oscar de melhor ator e atriz coadjuvantes.

Os prêmios de Melhor Ator Coadjuvante (ator secundário) e Melhor Atriz Coadjuvante (atriz secundária) são entregues para os intérpretes que mais obtiveram êxito em seus trabalhos no ano anterior ao de indicação. Teve seu início em 1937, na 9ª edição do Oscar e somente na 16° cerimônia os ganhadores receberam a emblemática estatueta do Oscar, já que antes os vencedores recebiam uma placa simbólica no lugar do prêmio.

Os indicados em ambas as categorias são definidos, atualmente, por um único voto transferível, no ramo dos atores da Academia. Porém, os vencedores são escolhidos pela maioria relativa de todos os membros da banca do Oscar. O ator Walter Brennan é recordista em vitórias na categoria de melhor ator coadjuvante, recebendo o prêmio 3 vezes. Já na categoria de atriz coadjuvante, temos um empate com Shelley Winters e Dianne Wiest, com duas vitórias cada uma.

Confira alguns atores e atrizes que venceram o Oscar na categoria de coadjuvantes, e seus respectivos filmes:

1
Jared Leto, por Clube de Compras Dallas (2013)


Nosso atual Coringa viveu a pele da transexual Rayon, em Clube de Compras Dallas. O longa conta a história do eletricista Ron (Matthew McConaughey) que é diagnosticado com AIDS, assim começando uma árdua batalha para conseguir remédios ilegais e revendê-los. Ajudando outros portadores da doença e com a ajuda de Rayon, ele acaba vendo seus preconceitos se quebrarem e a entender melhor os lados cruéis que a vida pode ter.

Jared Leto deu seu melhor no papel de um transexual. Cheio de carisma, personalidade humorística e cenas que nos envolvem até nos emocionar com a atuação do rapaz, o ator perdeu aproximadamente 13 quilos para a personagem, e passou por uma vivência para se adequar o mais realista possível no papel. Mesmo aparecendo pouco no filme, Jared conseguiu ser memorável, não passando despercebido por sua linda atuação. Contudo, a escolha do diretor Jean-Marc Vallée em colocar um ator cis para dar vida a Rayon foi motivo para um bombardeio pra cima de Leto (o mesmo aconteceu com Eddie Redwayne) - em uma entrega de prêmio, o ator foi criticado por uma espectadora que ele não merecia a estatueta pelo motivo de que apenas atores heterossexuais faziam papéis LGBTs, vetando a representatividade da minoria. Jared rebateu as críticas, sendo aplaudido pela plateia, e convidou a espectadora para uma conversa após a cerimônia.


2
Lupita Nyong'o, por 12 Anos de Escravidão (2013)


Solomon Northup (Chiwetel Ejiofor) é um escravo liberto, que vive em paz com sua família. Entretanto, sua vida muda completamente ao aceitar uma proposta de trabalho em outra cidade, que o faz ser sequestrado e acorrentado. Solomon é então vendido como um escravo, e ao longo de 12 anos passa por dois senhores. Para sobreviver nesse mundo, ele terá que passar por muitas humilhações físicas e emocionais.

Lupita Nyong’o recebeu o Oscar de melhor atriz coadjuvante por representar a escrava Patsey em 12 Anos de Escravidão. Mesmo que não tenha um papel grande no longa, a atriz conseguiu se destacar com sua atuação. Sua personagem é a que mais sofre nas mãos do fazendeiro interpretado por Michael Fassbender, o que a exigiu um trabalho árduo para estar na pele da escrava. Patsey é uma mulher doce e corajosa, que já quando aparece em cena é agredida. Passando por castigos constantes e intensos, ela é humilhada de várias formas e agredida nua, tendo a maior cena de sofrimento do filme. Lupita consegue ter uma atuação arrebatadora na segunda metade do longa, trazendo uma carga dramática enorme para a produção. Ela foi a primeira atriz queniana a ser indicada ao Oscar, e consequentemente, a primeira a ganhar – e por um grande mérito.


3
Robert De Niro, por O Poderoso Chefão II (1974)


A segunda parte da trama da famosa família Corleone, O Poderoso Chefão II mostra a continuação da saga, dividindo o foco narrativo em duas partes: na primeira narrativa é a continuação de O Poderoso Chefão, dando olhar para Michael e seu amadurecimento com os negócios da família, enquanto que na segunda parte mostra a infância e crescimento do jovem Vito Andolini (Robert De Niro), que posteriormente irá ser conhecido como Don Vito Corleone.

Em 1974, Robert De Niro ganha sua primeira indicação ao Oscar, e vence a categoria no papel de Don Vito Corleone. Sua missão no longa era estar o mais parecido com Marlon Brando que, na sequência anterior, tinha dado trejeitos para o mesmo personagem, Vito, porém com mais idade. Assim, De Niro teve êxito na missão. Conseguiu abraçar totalmente o personagem e se assemelhar com maestria a um Brando mais jovem, utilizando movimento das mãos, tom de voz e olhares para conseguir essa comparação. Com isso, não tinha outro jeito se não entregar a estatueta para Robert. Posteriormente, De Niro ficou conhecido com suas inúmeras parcerias com o renomado diretor Martin Scorsese, com quem fez, até agora, 10 filmes, ganhando o oscar de Melhor Ator em Touro Indomável, do diretor.


4
Anne Hathaway, por Os Miseráveis (2012)


Os Miseráveis é um longa baseado no musical de mesmo nome, que por sua vez foi baseado no livro de Victor Hugo. A história se passa na França, no século XIX, quando o ex-prisioneiro Jean Valjean (Hugh Jackman) busca redenção pelo seu passado, enquanto é marcado por injustiças sociais. Ele então resolve acolher a filha de Fantine (Anne Hathaway), uma pobre mulher que passa por tragédias.

A segunda indicação de Anne Hathaway ao Oscar a tornou vitoriosa. Em Os Miseráveis, ela interpreta Fantine, uma operária que foi demitida de sua fábrica e que por conta disso, caiu na miséria e na prostituição para sustentar sua filha. Já dá para imaginar a atuação dessa mulher? Para se encaixar no papel, Anne teve de entrar em uma rigorosa dieta de pasta de aveia seca para perder 11 quilos. Teve seus longos cabelos cortados. E também precisou passar seis meses treinando o choro enquanto cantava. Além disso, assim como os outros atores do longa, ela também concordou em cantar ao vivo durante as gravações, apenas com um fone de ouvido para acompanhar a melodia das canções. Sua cena mais icônica no filme é cantando a música “I Dreamed a Dream”, no auge da dramaticidade e sofrimento da sua personagem.


5
J.K. Simmons, por Whiplash - Em Busca da Perfeição (2014)


Com participação de J.K Simmons no longa, Whiplash - Em busca da perfeição conta a história de Andrew (Milles Teller), um jovem solitário que possui sonho de se tornar um incrível baterista americano da sua geração. Despertando o interesse do mestre de jazz Terence Fletcher (Simmons), o rapaz acaba entrando na orquestra principal de uma escola de música, passando por muito treinamento rigoroso e uma convivência abusiva com o mestre.

Com Whiplash, Simmons faz uma das suas melhores atuações de sua carreira. Passando por seus estados de emoção e fazendo o público ficar em dúvida das intenções reais do personagem. Sua brilhante química com Teller faz ele merecer um destaque a parte no longa, se entregando com garra ao papel do tutor de música. Por trás da personalidade grosseira de Fletcher, podemos enxergar o motivo principal do personagem: motivar a criação de um novo ícone baterista em Andrew. JK tira risadas, raiva e até momentos de reflexão, fazendo o espectador a se anestesiar e aceitar seus métodos de ensino grosseiros.


6
Angelina Jolie, por Garota, Interrompida (1999)


No ano de 1967, depois de passar por uma sessão de psicanálise, Susanna Kaysen (Winona Ryder) é diagnosticada como vítima de Transtorno de Borderline. Ela então é enviada para um hospital psiquiátrico, onde vive por dois anos e acaba conhecendo um mundo novo, cheio de garotas transtornadas, entre elas Lisa Rowe (Angelina Jolie), que organiza junto de Susanna uma fuga para retomarem suas vidas.

Em Garota, Interrompida, Angelina interpreta Lisa, uma sedutora sociopata internada no hospital. Essa personagem é devidamente complexa: ao mesmo tempo em que diverte as garotas do local, também as inferniza; é irônica, dominadora, rebelde e instigante. E Angelina conseguiu interpretá-la da melhor forma, o que a rendeu um Oscar. Talvez por isso, ela ganha maior destaque no longa, sendo a personagem mais perigosa que o espectador deseja “saber mais sobre”. Os olhos de Lisa são descritos na história como “enormes e com olheiras profundas”, o que deu uma grande vantagem à Jolie para explorar suas expressões faciais durante as cenas – um aspecto orquestrado com maestria, visto que Angelina conseguiu muito bem convencer na pele de uma sociopata, e suas expressões caricatas são frutos disso. Vale também ressaltar a atuação da atriz nas cenas mais dramáticas e pesadas, que obteve bastante notoriedade.


7
Christoph Waltz, por Django Livre (2012)


Pela segunda vez, Christoph Waltz participa de uma produção do diretor excêntrico Quentin Tarantino e, de quebra, ganhando pela segunda vez com ele o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante. Em Django Livre, vemos a trama do escravo libertado Django (Jamie Foxx), que se depara com o estranho Dr. King Schultz (Waltz), entrando em uma parceria com o mesmo numa jornada em busca de recompensa de criminosos a solta. Contudo, depara-se com alguns obstáculos no seu objetivo maior em encontrar sua amada Broomhilda (Kerry Washington), que ele não vê desde que foi comprada por outros proprietários.

Em sua cena de abertura do filme, o austríaco Waltz já mostrou pro que veio. O papel de dentista e caçador de recompensas mostra que o ator consegue sim dar vida a um homem inteligente e sarcástico, dominando perfeitamente o personagem. Ele nos mostra cenas hilárias, cenas de ação e uma explosão de expressões, nos entregando diálogos saborosos e esquemáticos em seu sotaque alemão. Com certeza, Christoph roubou a cena em Django Livre, sendo Schultz considerado para alguns como protagonista tanto quanto Django é.


8
Patricia Arquette, por Boyhood (2014)


No filme Boyhood, vemos literalmente o crescimento de Mason. A história percorre 12 anos de sua vida, da infância à juventude, analisando o seu relacionamento com os pais, explorando suas descobertas, experiências e conflitos. O longa é dirigido por Richard Linklater e foi filmado durante 12 anos – de 2001 à 2013, e teve a participação de todos os seus personagens principais durante essa transição.

Patricia Arquette é Olivia, mãe de Mason. Assim como o filho, a personagem também passa por amadurecimento e desenvolvimento de seus conflitos, o que a torna uma personagem bastante complexa. Mesmo sendo uma história fictícia, o filme é uma leitura do real, e Olivia não poderia ser exceção. Entretanto, isso não diminui a atuação de Arquette, muito pelo contrário: se manter uma personagem em um longa, com todas suas complexidades e limitações já é um desafio, imagine durante 12 anos, com pouquíssimas cenas sendo gravadas por ano? E Patricia consegue fazer isso com maestria e desenvoltura, onde vemos uma personagem bastante concisa e muito bem interpretada, com direito a cenas explosivas e com grandes cargas emocionais. Mas em entrevista, a atriz contou que não foi tão bem paga durante a produção – ela mencionou que gastou mais com babás para seus filhos do que ganhou com o seu cachê. Dá para acreditar?


9
Heath Ledger, por Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008)


Não tem como não lembrar do Coringa mais insano das telinhas. Poucos sabem, mas Heath Ledger ganhou o oscar póstumo de Melhor Ator Coadjuvante no papel do vilão do homem-morcego. Em Batman - O Cavaleiro das Trevas, presenciamos a continuação da jornada do nosso herói Batman (Christopher Bale), que agora passa a cuidar mais uma vez da cidade de Gotham. Contudo, ele se depara com ainda mais criminalidade e um vilão ainda mais louco que já enfrentou: o incansável Coringa (Ledger).

Louco, brilhante, engraçado e impiedoso - esse é Heath Ledger na pele do vilão mais caótico do universo de Batman. Ledger, para viver o Coringa, passou um mês preso dentro de um quarto de hotel, personificando voz e trejeitos do personagem, além de anotar pensamentos do vilão num diário. No filme podemos ver o resultado dessa experiência severa, mostrando um Coringa completamente insano. A icônica cena do personagem batendo palmas na prisão foi improvisada pelo ator, que dava corpo e alma para sair o mais realista e, ao mesmo tempo, excêntrico possível. A marca registrada do Coringa de Heath Ledger é sem dúvida a língua pra fora ao falar - Ledger também tem essa mania. Após seu trabalho no longa, Heath foi encontrado morto em seu apartamento, descartando a possibilidade dos produtores em uma continuação para Cavaleiro das Trevas com o vilão. Seu falecimento comoveu colegas de trabalhos, familiares, amigos e fãs, que não contiveram suas emoções ao ver o ator ganhando seu oscar póstumo em 2009.


10
Anna Paquin, por O Piano (1994)


O Piano conta a sofrida trajetória de Ada McGrath (Holly Hunter), uma mulher que não fala desde os seis anos de idade e que junto da filha (Anna Paquin), se muda para a Nova Zelândia a fim de conhecer seu futuro marido. Para piorar sua situação, o homem decide não transportar o piano de Ada, que é sua maior paixão. Entretanto, um bom homem promete devolver o instrumento caso ela o ensine a tocar.

Se você ainda não conhecia essa atriz, está na hora de saber: Anna Paquin venceu o Oscar de melhor atriz coadjuvante aos 11 anos de idade. Ela foi a segunda artista mais jovem a receber a estatueta – Tatum O’Neal, em 1974 foi a mais nova, aos 10 anos, por Lua de Papel. Em O Piano, Anna interpreta Flora, a filha de Ada. Extremamente comprometida com a personagem, Anna mostrou que não precisa ter muita idade para representar um papel de forma formidável. Interpretando o sotaque escocês, a garota teve grande notoriedade e espaço no filme, inclusive em cenas dramáticas – no qual ela conseguiu desenvolver muito bem, com expressões marcantes e uma dose certa de caricatura. A atriz confessou que só assistiu ao filme completo muitos anos depois, em razão das cenas pesadas que continham no longa para sua idade. Ver ela recebendo o Oscar é maravilhoso: a surpresa e felicidade em seus olhos é contagiante.

E aí, ficou com vontade de assistir esses atores e atrizes em ação? Provavelmente você já conhece alguns deles. Mas qual o seu preferido? Conte para nós! Agora nos resta conferir esse ano quem levará a estatueta dessas categorias para casa.





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