Alienígenas, forças armadas e uma linguista. Esses são os elementos principais que compõem a história do filme “A Chegada”, do aclamado diretor Denis Villeneuve. Esqueça tudo o que você viu sobre ficção científica e extraterrestres, sobre presente, passado, futuro e linguagem. Esqueça tudo também sobre matemática, destino e linearidade. É sério. Porque para entender A Chegada, você precisará abrir a cabeça e olhar para novos ângulos.

Depois de várias naves aterrissarem na terra, em diferentes países do planeta, a renomada linguista Louise Banks (Amy Adams) é chamada para traduzir os sinais e descobrir qual o propósito desses seres interplanetários. Mas quanto mais ela se aprofunda nessa linguagem emitida, mais ela descobre sobre sua própria vida. E essas descobertas podem não afetar somente ela, mas também o mundo todo.

É possível que você já saiba disso tudo, pois já deve ter visto o filme. Caso não o tenha, aqui vai uma dica: não continue a leitura, pois o texto contém vários spoilers. Porém, além de revelações sobre A Chegada, essa matéria é principalmente uma compilação de teorias e interpretações sobre o longa, já que ele deixa várias perguntas, aberturas para reflexões e para pontos de discussões. Um filme com roteiro adaptado muito bem arquitetado que merece notoriedade e indagações. Está pronto para viajar um pouco?


As teorias, interpretações e simbologias abaixo tiveram contribuição de comentários da rede social Filmow. Uma interpretação pode não complementar a outra, portanto, tendo ângulos diferentes e invalidar outra teoria. Vale lembrar que elas podem parecer óbvias para alguns espectadores, mas para outros não.

Não existe passado, presente e nem futuro. O tempo não é linear, e também não é circular. Ele pode ser visto como espiral, como uma linha telefônica, onde passado, presente e futuro acontecem ao mesmo tempo, sem que um precise anteceder ou suceder o outro. As determinações temporais que conhecemos nesse caso são memórias que a linguista tem ao longo do filme.

“Você tem a arma. Use a arma”. A arma, nesse caso, pode significar a linguagem heptápode, pois no momento em que a Dra. Louise aprende a falar nessa língua, começa a viver sua vida de forma não linear. Esse modo cíclico, ou espiral proporciona saber de algumas coisas antes mesmo delas acontecerem, como a morte de sua filha antes mesmo do nascimento dela. Portanto, poderia ser entendida como uma arma.

O general chinês sabia falar a língua dos heptapodes. No final do filme, quando a Dra. Louise é apresentada ao General Shang, ela parece não estar entendendo muito bem a situação. Visto que é uma memória do “futuro” (para essa teoria precisamos usar as definições temporais) não entendemos tampouco. O chinês, ao falar para ela o que fazer, dizendo a última frase de sua mulher e dando-lhe o número do seu telefone, está na verdade ajudando-a. Quando a linguista lança o seu livro sobre a linguagem heptapod, o general do “futuro” domina a língua, e vai para o “futuro” de Louise, naquela festa, para lhe ajudar. Isso tudo acontece por conta da experiência cíclica que a linguagem proporciona.


Todos podem aprender a língua dos heptapodes e viver nesse mundo “espiral”? Sim e não. A primeira interpretação é de que sim, é possível a partir do momento em que, depois da Dra. Louise ter escrito o livro sobre a língua, muitas pessoas aprenderem sobre e, portanto, terem essas memórias fora da linearidade (já que algo estaria completamente atrelado a outro). Mas também pode ser que não: Louise poderia ser a única pessoa a se comunicar com os heptápodes, a única a ter as memórias não lineares, a “escolhida”.

A linguagem é baseada nos palíndromos. Esse termo é usado para determinar palavras que podem ser lidas tanto da esquerda quanto da direita, como em “Hannah”, nome da filha da Dra. Louise. Portanto, a experiência temporal dos alienígenas não seria linear e nem espiral, mas sim circular (o que vai de encontro com os logogramas que eles fazem com as mãos). 

O roteiro do filme pode ser pensado como um palíndromo também. É uma coisa bastante incomum pensar, já que estamos acostumados com histórias de filmes lineares. Ele já começa com a morte de Hannah, antes mesmo de mostrar o seu nascimento, e muito antes de Louise aprender a linguagem desses seres. Portanto, ele pode começar pelo fim e terminar pelo começo.


Essas interpretações confundiram a sua cabeça? Fique tranquilo, porque confundiu a nossa também. Mesmo por se tratar de um filme que envolva tecnologia e extraterrestres, o grande foco é a linguagem, uma perspectiva nunca explorada antes nos filmes desse gênero. E nada mais justo do que viajar refletindo sobre a história e formulando novas e diferentes interpretações, não é? E você, o que achou? Conte para a gente!





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