La La Land é o tipo de filme que não passa despercebido na indústria cinematográfica. E ainda vai muito além: críticos de cinema, mídia, e até mesmo os telespectadores nas redes sociais vêm comentando sobre esse longa que tem tudo para fazer ainda mais sucesso. Talvez você já tenha ouvido falar sobre ele, mas caso ainda não saiba, aí vão algumas informações: La La Land é um musical que estreou nos cinemas no dia 19 de janeiro deste ano, e conta a história de Mia (Emma Stone), uma aspirante a atriz e Sebastian (Ryan Gosling), um músico amante de jazz. Os dois se apaixonam na cidade de Los Angeles, mas esse amor é colocado à prova na medida em que eles vão construindo suas carreiras e indo em busca de seus sonhos.

Recentemente, o filme recebeu 7 estatuetas no Globo de Ouro, batendo o recorde de premiações que essa cerimônia já teve. É indiscutível que o longa seja um grande favorito para o Oscar. A Academia já divulgou as indicações, e nós já podemos afirmar: La La Land tem tudo para ganhar todos os prêmios da noite. Ou pelo menos quase todos. Quer saber o porquê?


Damien Chazelle, de apenas 31 anos, é o diretor responsável pelo longa. Depois de trabalhar no aclamado Whiplash: Em Busca da Perfeição, ele se arriscou no gênero musical, que atualmente não vem sendo uma área muito lucrativa. Entretanto, Chazelle vai bastante além de não decepcionar: ele dirige com maestria a sua produção. O estadunidense coloca em prática vários elementos técnicos do cinema em sua obra, que acabam harmonizando com facilidade. Um exemplo disso é a belíssima (e complicada!) cena em plano-sequência que abre o filme, onde várias pessoas presas no tráfego de Los Angeles saem de seus carros para cantar. Além disso, ele dirigiu todas as cenas que envolviam música e dança, algo que não deve ser muito fácil de fazer.


Emma Stone parece estar cada vez melhor nas produções em que participa. Dessa vez, a jovem de 28 anos surpreende, e sem dúvidas realiza o melhor trabalho de sua carreira até agora. Sensível e encantadora, é difícil não se apaixonar por Mia já nos primeiros minutos do longa. Por mais que a atriz não seja uma cantora e dançarina profissional, é visível o seu comprometimento e dedicação com o papel, o que resulta em uma atuação formidável e coerente da personagem. Por conta de sua dramaticidade, Emma acabou sendo o maior destaque do filme, sendo Mia mais enfatizada e protagonizada na história. Vale também lembrar que Emma já foi indicada em 2015 para o Oscar de atriz coadjuvante em Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância).


Embora não esteja tão bem quanto Emma, Ryan Gosling também fez um ótimo trabalho atuando no filme. Dramático, sensível e com bastante humor, o personagem Sebastian encanta os espectadores. Assim como Emma, o ator também não é nenhum cantor e nem dançarino profissional (apesar de Ryan já estar ligado com a música desde pequeno quando participou de A Casa do Mickey Mouse), entretanto, convence o público. Além disso, é visível sua habilidade com o piano (algo bastante essencial durante o filme), e a paixão que o ator transmite pelo jazz chega a ser contagiante. Apesar de ser ofuscado com o protagonismo principal da parceira, Ryan tem uma ótima química com Emma, que vem inundando as telonas desde o longa Amor à Toda Prova, de 2011, sendo La La o terceiro encontro da dupla. 


Neste filme, a fotografia e a direção de arte (também conhecida como design de produção) trabalham perfeitamente juntas. Não somente os cenários são inteligentemente pensados e arquitetados, como também todo o conjunto de objetos de cena e figurinos. A composição de cores é sinestésica e atua em sintonia com a dramaticidade das cenas, podendo interferir nos sentimentos e reações do espectador. 

A luz também é parte da foto, é como uma personagem silenciosa que mostra a sua beleza durante o longa, exibindo-se sem pudor. Brilhante e exagerada, é quase neon, o que facilita para a fotografia, que prova que sabe ser muito bem executada quando Sebastian está em um pier (e City of Stars começa a tocar pela primeira vez), onde podemos ver o céu e o mar se difundindo nas cores azuis e violeta. 


Além disso, os figurinos também se complementam. Coloridos e expressivos, são parte essencial do musical. A cena em que Mia e suas roommates estão cantando Somewhere in the Crowd é um grande exemplo do trabalho do design de produção sob o figurino: todas elas possuem vestidos do mesmo estilo, só que de cores diferentes. E por fim, outro grande momento em que a direção de arte se torna ainda mais notável é durante as cenas de Paris, que com um cenário extremamente teatral, retrata a cidade com referências a outros musicais e pinturas famosas — algo bastante recorrente no filme.

E, finalmente, tanto a edição como o roteiro temos os principais pilares da obra. A passagem do tempo, ao longo do romance, é indicada pelas estações do ano — afinal, mesmo sem uma correlação explícita entre inverno e o próprio relacionamento, por exemplo, o intervalo de tempo consegue casar muito bem com desenrolar da história. Querendo ou não, o tempo em si é abstrato, seja na ficção de La La Land ou em nossas vidas.


Um ponto importante deste ou de qualquer outro filme, independente do gênero, é o poder da edição. Detalhes sutis que passam despercebidos aos desavisados mas fazem a diferença na compreensão (e na imersão) de qualquer experiência audiovisual.

No filme também notamos o uso de planos sequência — principalmente nas partes que tem mais cara de “musical” —, que significa basicamente criar uma cena com um único take (ou seja, sem nenhum corte de edição). Em O Regresso e em Birdman, por exemplo, o diretor Alejandro Iñárritu fez uso deste mesmo recurso mas camuflou muito bem a transição de cenas, no maior estilo de Alfred Hitchcock (que, não por acaso, em Festim Diabólico dá impressão de haver apenas uma única cena de uma hora e 20 minutos, sem erros e sem cortes). No filme de Damien, por outro lado, notamos que trata-se de uma cena — uma única, dessa vez de verdade — sem cortes, muito bem coreografada.

Essa união de takes únicos e uma edição “premium” em cenas dramáticas só ajuda a trazer o próprio musical à realidade (porque, claro, quanto menos cortes, melhor é a noção imperceptível da mescla de ficção e realidade). Isso, claro, junto ao roteiro idealizado há anos, com um desenvolvimento excepcional de personagens, local/época e o romance fantasioso.


A magia toda da estrutura do filme está na ligeira fuga ao que entendemos pela fórmula de um “final feliz”. Não é vago, nem complicado de entender, mas é difícil de aceitar. Essa fácil associação é capaz de servir como um momento para recordar antigos amores ou ainda questionar a existência de um “amor perfeito”. E é aí que La La Land se consagra como surpreendente: seguindo uma fórmula genérica de romance, como o jeito incomum de contar essa história que está tão próxima a nossa realidade.

   




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