Em uma das poucas visitas semanais a uma banca de jornal/livraria, procuro uma HQ encadernada que imagino trazer uma história fácil de ser lida e que não me desaponte no papel de leitor. O Cavaleiro das Trevas sempre costuma me agradar, não importa quão surreal seja — nem mesmo Dois Mundos me desapontou.

Eis que me deparo com Batman e Robin: Réquiem, uma das poucas "versões" de Batman com a qual não estou acostumado a ler por aí: Bruce Wayne é um pai, de luto pela morte de seu único filho. A seguir, conto um pouco mais sobre esta surpreendente aventura.

De cara, percebemos que o propósito destas 180 páginas é escapar ligeiramente do padrão de histórias do tipo. O primeiro "capítulo" (originalmente, a edição gringa de Batman & Robin #18) não possui falas, de tal forma que a mensagem ainda é passada — talvez ainda com peso maior do que se houvessem diálogos.

Outro ponto para a arte está no contraste entre o lado "dark" do protagonista e no bom humor colorido dos outros personagens. As passagens, que deram título às edições 18-23 (individualmente vendidas) de Batman & Robin, possuem títulos marcantes, como se fossem etapas da fase de luto, dando um rumo obscuro à obra. 


Aprendemos ao longo da HQ como ocorreu a morte de Damian (Robin/filho de Batman) e como o herói violentamente lida com isso. Jason Todd e outras mortes — metafóricas ou não — também fazem suas devidas "aparições" em algumas páginas.

Há referências explícitas à Morte do Superman, Frankenstein e até a própria Liga da Justiça. O tema "família" aparece de jeito similar ao representado em Morte da Família (e Morte em Família, claro) com uma divisão sutil entre o relacionamento de parentes de sangue e parentes de consideração.

E por mais que pareçam histórias remendadas, cada uma delas é muito bem conectada, dando sentido novo ao encadernado e um ritmo muito bem demarcado.


O roteiro no final da edição encerra a obra com chave de ouro. Sempre que incluem o roteiro (como fizeram em Batman Planetary: Noite Sobre a Terra, por exemplo) e os esboços em p&b, temos uma noção da importância da história, principalmente se formos envolvidos pela própria ficção apresentada. Com essas páginas finais, somos puxados de volta à realidade — e, por mais insignificante que isso pareça, em Réquiem a noção de vida e morte do leitor são igualadas ao que o próprio Cavaleiro das Trevas, sem sombra de dúvidas, estava sentindo.

Mesmo que uma HQ não acabe com o herói vencendo o vilão, isso não significa que a sua história, leitor, também deva ser assim.






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