O Oscar é a premiação mais importante e prestigiada do cinema, que envolve os filmes que tiveram maior destaque em suas produções. O prêmio é entregue pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas desde 1927, e hoje se encontra na 89ª edição. Nos últimos anos, a cerimônia de entrega vem acontecendo no final de fevereiro, mas a temporada de aquecimento para o Oscar acontece semanas antes. Por isso, preparamos um especial envolvendo 19 categorias da premiação para você conhecer ou relembrar os filmes que já ganharam uma estatueta. A primeira matéria dessa série de publicações é focada na Direção de Arte (também chamada de design de produção).

A função de um diretor de arte é gerenciar a concepção artística de um produto audiovisual – administrando o figurino, maquiagem, cenários, objetos de cena e suas cores. Muitos filmes dão ênfase em sua direção de arte para chamar mais a atenção do espectador, fazendo-o se maravilhar com a beleza das cenas, muitas vezes usando referências de outros ramos da arte, predominantemente de pinturas e quadros renomados.

Os critérios de uma boa composição de arte para concorrer ao Oscar são: atenção máxima a qualquer detalhe das cenas, ótima colocação dos objetos baseado no enquadramento do diretor geral, perfeição dos figurinos escolhidos, uma boa colocação da paleta de cor (tanto da cenografia quanto da pós-produção), maquiagem muito bem feita - muitas vezes sendo o porta voz dos filmes com efeitos visuais - e, é claro, a iluminação em harmonia a todo o resto citado. 

Confira alguns vencedores do Oscar na categoria de melhor Direção de Arte:

1
O Grande Hotel Budapeste (2014)


Da estética simétrica do diretor Wes Anderson nasceu O Grande Hotel Budapeste. O filme se passa em um período entre as grandes guerras, onde um escritor (Tom Wilkinson/Jude Law) conta a respeito de seu tempo no Grande Hotel Budapeste, no período que conheceu o dono do lugar (F. Murray Abraham/Tony Revolori) - que lhe contava a história de como virou proprietário do hotel. Toda essa confusão descrita é tratada com muito humor, uma trama envolvente e um visual típico de uma obra de Wes.

A arte ficou por conta de Adam Stockhausen, utilizando a variação de cores (predominantemente o rosa/magenta), figurinos impecáveis e cenários muito bem articulados com a simetria da fotografia - atributos que são pontos-chave no desenvolvimento e ambientação da trama. Tais pontos fizeram Stockhausen levar para casa vários prêmios pelo filme no ano de estreia, incluindo o Oscar de melhor Direção de Arte.


2
O Aviador (2004)


Aos 18 anos, Howard Hughes (Leonardo Dicaprio) se tornou milionário - fortuna deixada com a morte de seu pai. Ainda jovem, Hughes passa a investir no ramo do cinema e paralelamente com seu projeto pessoal na aviação (sua paixão). O filme baseado em fatos reais, dirigido pelo lendário Martin Scorsese, trata a vida agitada de Howard com suas frustrações nos dois ramos que o tornou famoso e que dedicou sua vida inteira.

Não tem como não perceber o grande trabalho de Dante Ferretti na arte: cada objeto de cena é perfeitamente colocado em quadro para nos aconchegar nos anos 30, junto aos figurinos, maquiagem e cabelos típicos da época. Porém, o grande barato da direção de arte de O Aviador são as paletas de cores – cada época retratada no decorrer da vida do protagonista é ambientada por uma paleta de cor diferente. E por que isso? Pois Ferretti, junto com a fotografia, queria remeter ao modo como o cinema era feito nas diferentes décadas, começando por uma paleta simples refletindo a era da Technicolor (primeira tecnologia de cores no cinema, onde cada frame colorido era pintado a mão direto no negativo).


3
Memórias De Uma Gueixa (2005)


Memórias de uma Gueixa trata a história de Chiyo Sakamoto (Zhang Ziyi), que é vendida muito jovem para uma casa de gueixas, para crescer e aprender os costumes da cultura. Quando adulta, apaixona-se por um homem rico, enquanto procura sua família. Com isso, Chiyo passa a aceitar mais a sua vida de gueixa e tenta o sucesso sendo uma, para conseguir chegar perto do amado.

Os figurinos e cenários do filme foram o ponto alto da obra. Além de respeitar fielmente a época vivida no filme, os cenários participam da narrativa em determinadas cenas. As roupas e maquiagem típicas das gueixas trabalharam em conjunto com os objetos cênicos, dando cor e profundidade à trama. Esses foram os aspectos que levou John Myhre a vencer o Oscar de Melhor Direção de Arte.


4
Avatar (2009)


O filme de James Cameron é habituado em 2154, mais precisamente em Pandora (uma lua do mundo fictício do filme). Nessa lugar, os Na’vi (nativos do local) e os colonizadores seres humanos entram em conflitos constantes baseados em recursos naturais e na sobrevivência da espécie. Com isso, Jake Sully (Sam Worthington), um ex-fuzileiro paraplégico a procura de uma forma de andar novamente, entra para o Avatar: um programa de tecnologia onde cientistas se conectam a um corpo semelhante aos Na’vi, geneticamente criado para interação, conhecimento e proposição de acordos entre os dois povos.

Rick Carter e Robert Stromberg fizeram um ótimo trabalho em Avatar, utilizando muita criação de cenários futurísticos e florestais para a ambientação dos dois mundos. Destaque para as cores fluorescentes, que gritam na tela do espectador para mostrar a personalidade do filme. Sem contar o desenvolvimento dos efeitos especiais com a invenção de características típicas dos Na’vi. Juntando tudo isso com os figurinos e objetos de cena, o Oscar de Direção de Arte do ano de estreia de Avatar não poderia ter sido para outro filme.


5
Lincoln (2012)


O longa conta a trama histórica do famoso presidente dos Estados Unidos, Abraham Lincoln (Daniel Day-Lewis), em seus últimos 4 meses de vida, onde passa a lutar para que a escravidão nos Estados Unidos fosse abolida intensamente.

A Direção de Arte ficou por conta de Rick Carter (também responsável pelas artes de Avatar), que teve um trabalho delicado em passar ao filme um ar do século XIX - uma paleta de cor mais opaca e sem muito contraste, figurinos da época muito bem feitos, cenários espetaculares que serão lembrados nos anos posteriores e caracterizações das personagens incrivelmente bem executadas (principalmente do protagonista, que chega a assustar com tamanha semelhança).


6
O Grande Gatsby (2013)


O filme é baseado no romance clássico de F. Scott Fitzgerald, e nos conta o relato do escritor Nick Carraway (Tobey Maguire) em sua chegada a Nova Iorque nos anos 20, onde o jazz e a elegância explodiam pelas ruas da cidade. Nick acaba vivendo na casa ao lado de um estranho milionário que adora dar festas, Jay Gatsby (Leonardo Dicaprio), onde passa a escrever seus relatos de sua nova vida junto do vizinho e suas aventuras.

Os anos 20 nos passam a sensação de glamour e estilo – isso e muito mais pode ser visto na tela de O Grande Gatsby. O trabalho magnífico de Catherine Martin é contagiante em todo o decorrer do filme. Os figurinos são impecáveis e fiéis, a cenografia tem muita cor e preenchimento, e a paleta de cores, tanto na edição quanto nos objetos de cena, é de tirar o fôlego. Os cenários muitas vezes parecem pular da tela. Catherine com certeza está de parabéns, e não seria mais justo do que a diretora de arte subir ao palco do Oscar para receber o prêmio por seu lindo trabalho. Vale a pena conferir essa mistura dos anos 20 com o olhar do século XXI.


7
A Invenção de Hugo Cabret (2011)


Vivendo em uma estação de Paris, Hugo Cabret (Asa Butterfield), com seus 12 anos, mantém funcionando os grandes relógios do local. Ele cuida de um autômato que pertencia a seu pai, e passa a roubar peças de lojas e locais da estação de trem para colocar para funcionar a máquina. Entretanto, alguns mistérios encontram o garoto, que o desvirtua do seu objetivo.

O trabalho de Dante Ferretti já era muito conhecido antes mesmo de participar do design em  A Invenção de Hugo Cabret, e novamente fez uma direção de arte impecável. O que mais chama a atenção são os objetos de cena (autônomo, livros, os relógios, etc.) e as cores escolhidas – predominantemente as mais puxadas para o amarelo e marrom -  para compor o enquadramento da fotografia, dando um ar parisiense ao longa. Além, é claro, do figurino francês que em conjunto com os outros aspectos da arte fizeram uma composição ótima para o visual do longa.


8
O Labirinto do Fauno (2006)


O Labirinto do Fauno, filme escolhido para representar o México no Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, conta a história de Ofélia (Ivana Baquero) no momento em que se muda, junto com a sua mãe, para casa de seu padrasto. Lá, ela acaba encontrando vários seres fabulosos, e um desses é um simpático fauno. O ser híbrido conta que sua missão ali é ajudá-la a voltar para o submundo e, consequentemente, o verdadeiro lar de Ofélia – a garota é a reencarnação de uma antiga princesa. Para que isso ocorra, ela precisa passar por várias tarefas em busca de itens mágicos para ajudá-los a completar a missão principal.

A brilhante direção de arte do longa não passa despercebida pelos olhares mais leigos do cinema. O trabalho de arte mais notável é sem dúvida a maquiagem (principalmente a do fauno). Os cenários, efeitos visuais e fotografia dão ainda mais credibilidade ao trabalho de Eugenio Caballer, diretor de arte do filme. Uma história cativante junto a um visual que dá orgulho aos olhos, transbordando representação da época retratada numa narrativa de fantasia sombria.


9
A Lista de Schindler (1993)


O longa de Steven Spielberg – ganhador de vários prêmios e considerado um dos melhores filmes já feitos – conta a história de Oskar Schindler (Liam Neeson), um dono de fábrica alemão que ajudou muitos judeus a escaparem do holocausto da década de 40, empregando eles em sua fábrica. O filme foi muito bem recebido pela crítica por inúmeros aspectos e um deles, sem dúvida nenhuma, foi a direção de arte.

Allan Starski fez seu trabalho utilizando objetos de cena fiéis a época do auge da segunda guerra, além de trabalhar junto a fotografia para levar o filme a um patamar histórico-real. Vale ressaltar também que o filme é todo preto e branco, porém em uma cena é possível ver um tom de vermelho sobressaindo em um dos objeto (repleto de significado para a trama).


10
Cleópatra (1963)


O filme Cleópatra narra o auge e declínio da figura histórica mais intrigante do Egito Antigo, assim como seu envolvimento com Marco Antônio e Julio César, e seu combate para defender o Egito das invasões romanas.

Não tem como não falar sobre o aspecto marcante desse filme se tratando de direção de arte: o figurino. O figurino histórico e marcante do Egito antigo foi trocado 65 vezes pela atriz Elizabeth Taylor, sendo um recorde na época (porém foi batido por Evita, com 85 trocas de roupas por uma mesma atriz, Madonna). Além disso, o Egito Antigo é retratado de forma fiel pela arte, o que não era algo muito fácil de se fazer em um filme na década de 60. Cores vibrantes e um ar de elegância deram a John DeCuir o oscar de melhor Direção de Arte.

E aí, ficou com vontade de assistir alguns destes filmes? Aposto que sim! Foram trabalhos realmente espetaculares.? Percebeu como a direção de arte influencia na sua estética? Conte para nós o que achou! Agora nos resta conferir esse ano quem levará a estatueta da categoria para casa.





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