Sabemos que a tecnologia está cada vez mais presente em nosso dia a dia, seja no celular, no vídeo game que você joga, em um transporte público e, se bobear, até na geladeira de sua casa. Sendo assim, “Small Radios Big Televisions” chega tentando trazer uma mensagem sobre essa era tecnológica que estamos vivendo.

Produzido pelo estúdio Adult Swim é um jogo puzzle/adventure com uma estética muito influenciada pela cultura dos anos 80 (cores fortes, low poly, fitas cassetes, entre outros fatores), em que você precisa explorar várias fábricas em busca de fitas cassetes, e com seu walkman/headset de realidade virtual você é transportado para um outro mundo, dentro daquela fita, onde deve achar pequenas gemas verdes que abrirão novas portas ao longo do lugar.

A exploração é feita boa parte com o mouse, clicando nas portas para se locomover de sala em sala e mover a câmera para olhar todos os cantos do local. Alguns controles do jogo são feitos somente pelo teclado, o que incomoda um pouco, mas nada que atrapalhe a jogabilidade final. A câmera do jogo, quando você entra nos mundos das fitas e quando você gira ao redor das fabricas, também é um pouco confusa. Geralmente ela acaba não indo pra onde você quer e dá uns "coices" bruscos quando você tenta vira-la em 360 graus, algo bem irritante hoje em dia em que estamos tão acostumados com controles precisos quando a visão é em primeira pessoa.


A trilha sonora do jogo traz algo bem interessante (o que é meio óbvio de se esperar de um jogo que tem como item principal fitas cassetes). Toda vez que você entra em um novo mundo, que geralmente possuem nomes simples como "TUNDRA", "ROAD", "FOREST", a trilha sonora se adapta a aquele cenário, deixando claro que a música realmente tem o poder de nos levar a outro mundo. Outra parte interessante acontece quando você clica nas bobinas magnéticas. Além de obviamente magnetizar as fitas, elas alteram seu som e o mundo dentro delas, geralmente transformando-os em uma versão mais "dark" e distorcida.

A história, que possui poucos diálogos, puxa para um lado de fuga, onde o ser humano tenta se refugiar ao máximo num "mundo virtual" para evitar sua realidade, que aparentemente é bem solitária, pois todos os indícios indicam que outras pessoas também entraram nesse ciclo vicioso de experiências digitais.

Os puzzles são bem diretos e não tão desafiantes, o que passa a sensação de potencial perdido. Outros puzzles, inclusive, não são bem explicados. Seria melhor se possuísse um sistema de dicas para pelo menos dar uma luz ao jogador nessas horas. Além disso o mapa é um pouco confuso, passei boa parte do jogo tentando me localizar por partes que decorei ou por pontos específicos, algo que o cenário bem polido e bonito ajudou bastante.


Adendo rápido: se você jogar no PC e usar duas telas, cuidado, pois toda vez que der um ALT TAB para mudar de tela o jogo perderá a resolução e você precisará fechá-lo e reabri-lo. É algo bem frustrante, então prepare-se para fazer nada no PC além de jogar, nesse caso.

Em resumo, "Small Radios Big Televisions" é um jogo interessante e promissor que se perdeu no meio de controles confusos e puzzles pouco desafiantes. Se você curte o tipo de visual psicodélico e uma experiência bem rápida (mais ou menos 2 horas de jogo), provavelmente irá curtir o jogo, mas não compre-o esperando algo incrivelmente grandioso.





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