Mil novecentos e cinquenta. Esse é o número de dias que demorou para o universo de Harry Potter voltar às telonas desde o oitavo filme da franquia, que foi lançado em 2011. Cinco anos, quatro meses e dois dias. Esse foi o espaço de tempo para os fãs acharem que nunca mais assistiriam àquele mundo tão incrível que conheceram com a Pedra Filosofal. Mas J.K. Rowling surpreendeu a todos mais uma vez: as histórias do mundo bruxo não haviam acabado.

Animais Fantásticos e Onde Habitam seria a nova franquia da vez, retomando o mesmo universo ambientado nos filmes anteriores, só que agora, sem a presença de Harry Potter e de todos os personagens que os fãs se apaixonaram. E muito mais que um filme, ele é o início de uma nova franquia. Recentemente a autora divulgou, para a alegria dos fãs, que Animais Fantásticos terá cinco filmes.

Tomando como cenário os Estados Unidos de 1920, a história é contada 70 anos antes de Harry Potter, tendo como trama central o livro (de mesmo nome do filme) escrito por Newt Scamander, que já havia sido mencionado durante as histórias de Potter. E o que o torna essa nova franquia tão surpreendente é o fato de ter um roteiro original (escrito por Rowling) que não provém de nenhum livro publicado pela autora. Então pela primeira vez no universo Potteriano, os fãs irão ao cinema sem saber o que os espera.


O filme Animais Fantásticos e Onde Habitam conta a história de Newt Scamander (Eddie Reddmayne), um ex-aluno de Hogwarts que vai a Nova York com uma maleta bastante peculiar repleta de animais mágicos. Entretanto, tudo acaba virando uma enorme confusão quando Newt acidentalmente deixa algumas de suas criaturas fugirem no centro da cidade. Com isso, o nosso novo protagonista precisa captura-los antes que eles causem algum mal.

O plot da história, à primeira vista, parece ser bem simples: uma caçada mágica aos animais que fugiram de seus hábitats. Mas a nova saga vai muito além disso. Os bruxos americanos temem uma criatura misteriosa que vem atacando a cidade, matando pessoas e destruindo lugares. Além disso, há também a introdução de Gellard Grindewald, que com suas ideologias e atitudes vem colocando medo sobre todo o mundo bruxo. Essas pontas são todas interligadas durante o longa, e mostra que Animais Fantásticos é muito mais complexo que uma simples história sobre criaturas mágicas que vivem dentro de uma maleta.

Como o filme é ambientado nos Estados Unidos, os espectadores são imersos a novos hábitos e costumes do mundo bruxo, muito mais rigorosos e extremistas que o dos ingleses. Na década de 20, os bruxos precisam ser muito cautelosos, pois qualquer exposição aos “não-mágicos” é motivo para quebra de regras – o que leva a consequências extremas. Somos apresentados a novas políticas e novas terminações, uma pequena introdução sobre como serão os próximos filmes, talvez. O filme permeia em temas atuais, como representatividade, com uma mulher negra no poder bruxo, e também aborda temas como fanatismo religioso, repressão, violência, pena de morte e pavor ao desconhecido.


Embora Newt seja um lufano, ele apresenta várias características das demais casas. Astuto o suficiente para ir atrás de seus objetivos, corajoso para quebrar as regras e inteligente o suficiente para encontrar soluções para as situações impossíveis da trama. Mas mesmo assim, ele não é um herói: ao mesmo tempo em que são mostradas suas qualidades, são também visíveis os seus defeitos. Newt é um personagem complexo, no entanto, pouco desenvolvido. E isso pode ser explicado pela quantidade de filmes que ainda virão pela frente: temos ainda mais quatro longas para conhecermos esse personagem tão exótico e incrível que ele tem se mostrado.

Os outros personagens ao mesmo passo em que são inéditos, também possuem características que nos fazem lembrar dos bruxos que já conhecemos. Katherine Waterson interpreta Tina, uma mulher de personalidade forte; Dan Fogler é Jacob, um trouxa que acaba sendo o alívio cômico do longa; Alison Sudol é Queenie, uma bruxa com um poder bastante inusitado. Esses atores, com belíssimas atuações, ainda contracenam com Colin Farrell, Ezra Miller, Samantha Morton, Carmen Ejogo e Johnny Depp, que também apresentam um ótimo desempenho. É válida também uma menção honrosa para Ezra Miller, que foi um incrível e angustiante Credence. 

Quanto aos aspectos técnicos, Animais Fantásticos e Onde Habitam não deixa nenhum pouco a desejar. Na verdade, eles somam ainda mais o filme. O diretor David Yates fez mais um bom filme que, em parceria com o diretor de fotografia, Phillippe Rousselot, conseguiu dar um ar bastante sombrio ao longa, que destoa dos filmes de Potter. James Newton Howard fez um excelente trabalho na trilha sonora, aspecto bastante relevante para os filmes do universo mágico. E não podemos esquecer (como se fosse possível!) da música de abertura extremamente nostálgica de John Williams que tocou logo na abertura do filme, ao aparecer a logo da Warner. É para começar o filme enchendo os olhos de lágrimas, não é?


O que peca no filme são as cenas clichês – vários momentos para dar um toque de humor ao filme - que volta e meia aparecem já com um desfecho previsível. Entretanto, o final do longa compensa com um plot twist digno de Harry Potter. Além disso, o ritmo do filme se torna lento em alguns momentos, mas está longe de deixa-lo maçante. 

E quanto as referências do mundo bruxo inglês que já conhecemos, são poucas e sutis – mas importantes! Temos Grindelwald em seu auge, uma menção à família Lestrange – uma futura aparição de uma nova personagem, será? – a aparição das Relíquias da Morte, de alguns feitiços já conhecidos, de elfos e duendes, de Hogwarts e de Alvo Dumbledore. São referências rápidas e funcionais, muitas delas sendo amarras para futuras conexões nos outros filmes.

Animais Fantásticos e Onde Habitam é, sem dúvida, um novo começo. O início de uma saga que marcará uma nova geração e que esquentará o coração de todos aqueles fãs que se apaixonaram por Harry Potter anos atrás. É uma nova história que, esperançosamente, tem de tudo para se conectar com a “história velha” e tirar do imaginário de muitos fãs várias pontas e várias tramas soltas que J.K. Rowling jogou para nós ao longo desses anos. E, como a autora nos prometeu cinco filmes, com certeza vem coisa boa por aí. Porque o primeiro longa atendeu as expectativas de uns e ultrapassou as de outros. Accio, continuações!





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