Conferimos estes dois títulos que fizeram parte do circuito da 40ª Mostra Internacional de Cinema e explicamos porque você não pode perdê-los.


Entrelinhas (The Unattainable Story) pode causar reações mistas para quem for assistir ao filme. A narrativa é agradável, mesmo com alguns erros que surgem devido a essa mesma característica. O enredo conta a história da autora Jacqueline, personagem de Irina Björklund que pede a ajuda do diretor Skene, interpretado por Edoardo Ballerini, para que a ajude a transformar seus contos, baseados em sua vida, em uma peça de teatro.

O longa pode instigar o público como também pode enjoá-lo, porque ao mesmo tempo que o formato de narração não linear aborda questões interessantes sobre relacionamentos (uma idealização), ele o faz de uma forma surreal. O roteiro foi estruturado de uma forma natural e há uma profundidade real nos personagens, porém, a falta de informações que temos antes de cada cena não nos faz acreditar ou entender por completo as motivações dos personagens, tornando-se por algumas vezes excessivamente dramático para um público sem contexto.

É interessante como um filme pode abordar com bom grau de realismo os relacionamentos, construindo boas linhas de diálogo. Ao mesmo tempo, outros longas podem nos fazer rir com desfechos mal conduzidos sem soar natural. No fim, Entrelinhas é um longa-metragem que não impactou quanto gostaria, mas tem uma certa qualidade: além de bem feito, vale a pena ser assistido para você tirar as próprias conclusões. Talvez a falta de informações — e a livre interpretação para o público dos problemas de Jacqueline — fosse realmente intencional.


É Apenas o Fim do Mundo (It's Only the End of the World) é um filme baseado no diálogo, interpretação e em discussões — afinal, a sutileza e a maneira com que os diálogos de filmes franceses são levados sempre soa um pouco estranha. Talvez seja falta de costume, mas há explosões súbitas em conversas, poucos diálogos e interpretações que acredito não serem muito comuns para nós.

Após doze anos longe de sua família, Louis, um escritor, retorna para anunciar que está morrendo. Mesmo que por alguns desvios, o ressentimento e tristeza vem à tona. Quando digo desvios, refiro-me à mãe da família. Ela é a parte divertida e intencionalmente pitoresca, mas uma personagem um pouco estereotipada não foi o melhor alívio cômico para mim. Fiquei bem mais intrigado pela reação de Louis com a irmã, esta que se desenrola com naturalidade e poucas palavras. Um ponto que não se espera num filme como este é a trilha sonora, a qual, impressionantemente, tem músicas conhecidas e marcantes.

A maneira em que os diálogos se desenvolvem não soa natural, mas o lado positivo da falta deles é deixar isso por conta do silêncio, que realmente traz a tensão e um ar real para a trama. Com este silêncio, podemos entender a dificuldade de comunicação da família. Não se pode reconhecer o longa como uma obra-prima mal compreendida, contudo, ele com certeza tem simbolismos interessantes que podem ser entendidos por grande parte do público.





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