Um contador que faz um ótimo trabalho sem errar uma única conta — que, por acaso, também mata pessoas como ganha-pão: a definição perfeita para o personagem incomum de Ben Affleck em O Contador. Com um ritmo pouco agradável e foco no desenvolvimento dos personagens, pode ser que você não goste no início (principalmente se estiver esperando um filme recheado de perseguições em alta velocidade e cartuchos de balas espalhados pelo chão), mas a conclusão faz o ingresso valer a pena. Saiba o motivo abaixo.

Sinopse

Um garoto introvertido — cujo fato de ter autismo serve tanto como uma causa como uma consequência —, que é um gênio na matemática, cresce e torna-se basicamente "contador de dia e matador de aluguel à noite". Aprendemos seu passado (e esse meio entre infância e sua fase adulta) ao longo do filme, o que é uma forma comum de apresentar personagens despertando interesse do público, e vemos que a história é muito mais complexa que parece ser.

Quando um trailer vende um filme como "ação" (e é explícito que as distribuidoras queriam exatamente isso) e não entrega a história que todos estavam imaginando, pode ser até decepcionante. No caso de O Contador, isso impressiona (e isso será melhor discutido a seguir).


A culpa é das estrelas

Sempre que você se perguntar o motivo de gostar de um filme diferente de alguns clichês da década, a resposta quase sempre estará relacionada ao fato dos protagonistas serem interpretados por um ator que faz um excelente trabalho. O Contador é, felizmente, um bom exemplo disso.

Ben Affleck, Anna Kendrick, Jon Bernthal e J.K. Simmons são estrelas hollywoodianas que, convenhamos, estão em alta nos últimos anos. Affleck é simplesmente o novo Batman; Anna estrela comédias (e comédias românticas) em que quase sempre tem destaque; Bernthal acaba se destacando mais no universo das séries (no papel de Justiceiro em Demolidor e Shane em The Walking Dead) mas também mandou bem no longa Sicario; e J.K. é simplesmente o ator mais badass do momento — principalmente após Whiplash e a trilogia Homem-Aranha do começo dos anos 2000.

O diretor acaba sendo uma escolha pouco previsível, já que Gavin O'Connor já ficou sob o comando de produções "de bad boy", como Guerreiro e Força Policial, mas não se destaca por este tipo de filme — mesmo porque ele dirigiu um filme da Disney sobre hockey, o Desafio no Gelo, e isso é completamente fora do rumo que O Contador toma.


Ritmo entediante (ou só complexo demais?)

Nos minutos iniciais, ao apresentar personagens e contar a história de nosso protagonista, o filme começa a caminhar para um ritmo extremamente bizarro. Com um desenvolvimento maior do plot, notei que foi fácil puxar um pouco as rédeas — afinal, não sabia a qual gênero este filme pertencia, já que após 20 minutos de exibição não havia uma única gota de sangue derramada, no que parecia ser "mais um blockbuster de ação" de 2016.

Senti que estava assistindo a um filme sobre família com alguns retalhos de ação. E o filme passa isso muito bem na segunda metade, essa sensação de ritmo estranho e progressão de gêneros, passando por ação, família, drama e até comédia. Todas boas sequências? Admito que sim, só que ao final do filme essa delimitação poderia ter sido melhor definida.


Conclusão

O "novo Batman" pode ter ido mal em A Origem da Justiça mas claramente mandou bem em outro filme da Warner: O Contador surpreende, dá lições sobre amigos e família (com um toque de drama e ação) sem fugir da fórmula de filmes de ação. Porém, ainda fica a breve sensação de que "falta algo" — e esse "algo" seria o nó entre as diversas revelações de personalidades que leva ao twist final que surpreende somente os desatentos.

Veja se quiser ter uma visão melhor sobre o que é uma boa atuação de Affleck em 2016. Também vale assistir se sente falta de um "filmezinho clichê de agente secreto" com um roteiro que é realmente bom, já que hoje o cinema de ação só consegue fazer funcionar continuações desnecessárias e alguns reboots para tapar buraco de produções bacanas como essa.





Facebook




Comentários