Quem achou que nunca veria Woody Allen trabalhando para o conteúdo televisivo, estava enganado. E quem achou que esse também foi o seu primeiro projeto para a TV, também se enganou. Ao longo de sua carreira, o diretor já escreveu para diversos programas, apesar de seu foco sempre estar no cinema, que o consagrou com uma ótima reputação. Ano passado, Woody Allen fechou contrato com a Amazon, e a partir disso surgiu a série “Crisis In Six Scenes”, que estreou no dia 30 de setembro desse ano. No entanto, o programa vem despertando diversas críticas, e a pergunta que fica é: a produção, escrita e dirigida por Woody Allen, foi um erro ou um acerto?

O seriado possui apenas 6 episódios com 24 minutos de duração cada, que na verdade mais se parece com um filme. Com cliffhangers forçados, cada episódio termina com um gancho convidativo para o telespectador assistir ao próximo, que na verdade, se torna um recurso amador nas mãos de Woody Allen, que escreveu e dirigiu Crisis In Six Scenes. Mas vamos com calma: esse é o primeiro programa sério do cineasta para a televisão, e como ele mesmo disse em algumas entrevistas, não dominava o meio televisivo, e portanto, veicular a série seria um erro. Mas será mesmo, Woody?







A vasta experiência em cinema do diretor contrastando com o amadorismo na produção televisiva pode ser uma grande oportunidade para Woody Allen inovar os formatos dos seriados norte-americanos. Talvez a longo prazo, ele consiga não somente aperfeiçoar e se adequar aos moldes da televisão, mas como também pode incrementar essas produções com o seu próprio estilo original. Vamos lá, depois de tantos filmes do cineasta, que amante do cinema não acompanharia uma série criada por ele?

Os críticos, em sua maioria, têm se portado de forma desfavorável ao autor. O site Rotten Tomatoes registrou uma aprovação de 33% para a série, considerando-a como o pior trabalho de Woody Allen. Mas, de qualquer forma, não é para tanto: Crisis In Six Scenes é uma série leve, gostosa de assistir e que vem repleta de humor. Como só tem 6 episódios, é possível a assistir em menos de 3 horas.

Mas vamos para o que interessa: Woody Allen protagoniza a série ao lado de Elaine May. Os dois interpretam um casal tradicional de idosos no meio dos anos 60 que, durante uma madrugada, são surpreendidos pela visita de Lennie Dale (interpretada por Miley Cyrus), uma ativista procurada pela polícia. Sendo uma figura importante do passado de Kay (Elaine May), a garota é acolhida pelo casal, mas causa várias confusões com Sid (Woody Allen), um velho neurótico e rabugento que não aceita a presença da fugitiva em sua casa.

Woody Allen expõe a visão da elite branca sobre os acontecimentos da época: o preconceito racial, a guerra dos Estados Unidos contra o Vietnã e o duelismo entre socialismo e capitalismo. De forma nada sutil, a personagem Lennie Dale não perde um momento para discursar sobre seus pensamentos ativistas, que acabam sendo bastante importantes para o desenrolar da trama. Como de costume, Woody Allen privilegia cenas longas com diálogos marcantes e extensos, o que enriquece a série.


Miley Cyrus, por sua vez, interpreta uma personagem bastante diferente dos outros trabalhos que já fez. Na pele de Lennie Dale, ela tem um alto grau de visibilidade na série, mas também não teve muitas aprovações quanto às críticas. Ela, que tem aparições constantes na mídia, vem crescendo como atriz desde Hannah Montana, e Crisis In Six Scenes é uma prova desse desenvolvimento e de que ela está cada vez melhor como atriz. 

É difícil colocar todos os aspectos positivos e negativos da série na balança para decidir se ela foi um erro ou acerto da Amazon. Cabe a você criar suas próprias conclusões assistindo à série. Nós discordamos de Woody Allen nesse caso: Crisis In Six Scenes não foi um erro. Foi um acerto e uma oportunidade. Só esperamos que o diretor não desista da televisão e nos prestigie com novas séries.

Confira o trailer da série:







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