Quando bem feito, um ligeiro desvio de gêneros/categoria torna-se memorável e destaca-se do restante. Se 2016 está transbordando de sequências (muitas delas desnecessárias), Sem Fronteiras chega na tentativa de mostrar que, mesmo com outro diretor, um filme pode seguir em um rumo diferente de seus antecessores e ainda deixar um gostinho familiar para os fãs da querida franquia.

Sinopse

Estrelando o mesmo elenco dos outros filmes (exceto pelo vilão, por motivos óbvios se você assistiu Além da Escuridão), Sem Fronteiras é a espetacular sequência que marca (finalmente!) uma das poucas trilogias da história do cinema sem uma "ovelha-negra" que estraga toda a saga.

Seguindo uma infeliz ocorrência com a nave USS Enterprise, os nossos heróis aterrissam em um planeta onde devem sobreviver ao exército do poderoso Krall, que está à procura de uma determinada peça escondida na nave.

PS.: Sim, tentar destruir toda a atual "casa" de uma peça valiosa a qual você procura pode não ser a melhor saída... mas não vamos discutir, afinal, ele é uma espécie de mutação bizarra que pode te matar com facilidade.


Mudar é bom?

Após mencionar no início da crítica que Sem Fronteiras segue em um rumo diferente dos outros dois (e que isso é uma qualidade), retomo o pensamento agora e destaco que essa tal "mudança" deve-se ao fato do longa-metragem ser muito mais bem humorado que o antecessor Além da Escuridão.

Logo de cara, vemos como uma jogada de câmeras bem feita revela uma brincadeira extremamente simples que ainda consegue tirar uma risadinha dos amantes deste universo de J. J. Abrams.

Por sinal, não acredito que a troca de diretores esteja tão relacionada a essa troca de tom, já que J. J., por sua vez, já inseria pedaços repletos de piadas nos filmes pelos quais ficou responsável, o que serviu muito como homenagem às clássicas cenas da série da década de 1960/longas dos anos 1970 e 1980.

Em especial, existe uma cena (sem spoilers, claro) na sequência final de Sem Fronteiras onde foi utilizado uma determinada canção que brinca com a questão de sons diegéticos e extradiegéticos — ou seja, som que pode ser ouvido por aqueles em cena/som que só pode ser ouvido pelo espectador — de um jeito espetacular.


Mais do mesmo

Com cenas que só não possuem mais objetos voando pelos ares por não serem dirigidas pelo "mestre-das-explosões" Michael Bay, o filme consegue manter uma boa montanha-russa, digamos assim, de momentos de tensão, alívio cômico e ação.

Tudo o que acontece no início abre espaço para um segmento mais tranquilo — em questão de narração —, que só ganha total poder no terceiro ato, com a sequência que explica boa parte da história e, principalmente, do vilão.

Reconheço que Idris Elba é um ator ameaçador que ganha papéis de responsabilidade que ninguém poderia dizer "uau, eu vejo tal ator substituindo Idris em tal personagem", pois não funciona assim. Como ator ele é único e dá um tom único a quem interpreta. No caso de Krall, isso até deu certo, mas o vilão não chega aos pés do genial Benedict Cumberbatch como o sombrio Khan.

Em memória do ator Anton Yelchin.

Conclusão

Não consigo imaginar uma forma melhor de comemorar os 50 anos de uma das maiores franquias da história da televisão (e do cinema, claro). Star Trek: Sem Fronteiras é excelente, sem dúvidas um dos melhores filmes do ano. Infelizmente, um dos principais meios de divulgação de um lançamento é o trailer — que, nesse caso, fez um terrível trabalho.

Curtiu os outros dois? Assista. Quer uma boa história e não se importa em perder cerca de 20% de um conteúdo que requer conhecimento prévio? Assista — e aproveite as cenas de humor. Quer ver um filme literalmente divertido nas telonas, que une ação, humor, efeitos especiais e te emociona mesmo sem ter assistido a série? Não perca essa chance.





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