The Fundamentals of Caring, traduzido em português para “Amizades Improváveis”, é uma produção original da Netflix que foi lançada no dia 24 de junho desse ano. O filme americano é dirigido pelo norte-americano Bob Burnett e é uma adaptação da obra literária “The Revised Fundamentals of Caregiving”, escrito por Jonathan Evison, que sendo baseada em fatos reais, relata a relação do próprio autor com um adolescente.

O filme interliga dois gêneros do cinema: drama e comédia, construindo cenas cômicas dentro de um tema denso e complicado. No longa, Ben (Paul Rudd) é um escritor amador que passou por uma tragédia pessoal em sua vida, e portanto, não consegue mais se dedicar ao trabalho. Para buscar inspiração e sentido à vida, ele decide fazer um curso para cuidar de pessoas com problemas físicos. Poucas semanas depois, ele se torna o cuidador de Trevor (Craig Roberts), um adolescente que sofre de distrofia muscular.


Devido à sua condição, Trevor é um garoto mal-humorado que vê a vida de uma forma acinzentada, sem muita esperança. Ele come as mesmas coisas todos os dias, assiste televisão nos mesmos horários e toma uma boa quantidade de remédios diária. Trevor é, sem dúvidas, o retrato de milhões de pessoas que sofrem de problemas físicos e até mesmo mentais. Essas condições o tornam uma pessoa limitada, sem espaço para interagir com o novo e com o diferente. E esse é um dos grandes pontos do filme.

A relação de Trevor com Ben é bastante cômica e de compreensão, mas que acaba caindo no clichê dos filmes que abordam esse mesmo contexto. Inicialmente eles trocam farpas, piadas de mau-gosto e insultos, mas depois, o coração de Trevor vai amolecendo e os dois vão se aproximando, o suficiente para (de uma forma inesperada) caírem em viagem para visitar lugares, animais e coisas improváveis, com o caso do maior bovino do mundo. 

É nessa viagem que Trevor e Ben acabam conhecendo Selena Gomez, ou melhor dizendo, Dot, uma garota sem rumo procurando carona no meio da estrada. E é aí que o clichê se afirma: a relação de Trevor com Dot. Entretanto, o roteiro, apesar de ser muito provável, tem também excelente construção. As cenas de Dot com Trevor são simples, mas contam uma história de amor singela e verdadeira. 


A viagem para os lugares inusitados também os fará encontrar com pessoas inusitadas e situações ainda mais inusitadas. A viagem é, na verdade, um pretexto para ambos os protagonistas encontrarem o sentido da vida e aprenderem a lidar um com o outro.

Não há nada de extraordinário na fotografia, na trilha sonora e nas atuações. Tudo está ok. A credibilidade está no roteiro, que simples, traz ótimos diálogos e cenas hilárias. É aquele alívio cômico em meio a uma cena pesada, ou então a piada para justificar uma triste causa, protagonizada quase sempre por Trevor. Selena Gomez, porém, mostra que não só é uma ótima cantora como também uma atriz com potencial, mas que infelizmente não teve tanto espaço na história. Até porque o filme não era exatamente sobre ela, o que é justificável.


Em geral, o longa lembra muito os livros de John Green e suas respectivas produções. O garoto doente + uma viagem + comportamentos arrogantes. É como se fosse um mix de “A Culpa é das Estrelas” com “Cidades de Papel” e com “Quem é Você, Alasca?”. Mas, de certa forma, o filme tem suas originalidades.

O filme joga várias e possíveis interpretações para o espectador acerca da vida, do amor, da amizade e da superação. As cenas e todo o comportamento das personagens, de início e em um senso comum, não passam de superficiais. Entretanto, ao se colocar no lugar delas, pode-se facilmente perceber que suas ações são compreensíveis devido suas limitações, condições e traumas.





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