O que fazer quando seu curta de terror supera 10 milhões de visualizações na internet e é considerado um dos melhores da década — e um dos vídeos que melhor conseguiu traduzir a ideia de uma história espetacular em um conceito simples? Bom, se um estúdio te financiar, faça um filme!

E foi assim que surgiu Quando as Luzes se Apagam, do original Lights Out: simples, fácil de ser compreendido e completo (sem dar a entender que uma sequência é necessária). A visão desse "monstro" que aparece somente no escuro — que, ironicamente, só conseguimos ver a silhueta quando o background está iluminado —  volta a assombrar uma família que, de início, já mostra que não está preparada para enfrentá-lo.

Arrecadando mais de 100 milhões de dólares pelo mundo, o sucesso não veio do nada, afinal, foi produzido por James Wan (de Invocação do Mal), atualmente o maior responsável pela atual "fase" de filmes do gênero. Um papel na produção na verdade não é sinônimo de sucesso — okay, no caso de James Wan e J.J. Abrams isso até pode funcionar (e muito bem!) —, mas a parceria de Wan e do diretor David Sandberg parece ter dado certo, já que ano que vem teremos a sequência do universo de Invocação do Mal com o promissor Anabelle 2.


Diversas vezes, o clichê é claro: são cenas previsíveis, com alguns jumpscares de ambientes que são apresentados dando a entender que tem de tudo para dar errado. O espectador fica facilmente distraído por focos de luz (se imerso no filme, já que a ideia de pavor pelas sombras é bem transmitida), então por um lado a visão fica ligeiramente direcionada. Assim, a direção/edição tornou-se fácil, pois bastou distrair o olhar do público para um "determinado lugar" — como tradição no gênero — e enganar todos com um susto vindo da direção oposta.

O conceito de traçar silhuetas utilizando técnicas de fundos iluminados e ambientes completamente escuros, como é possível ver nos trailers, faz com que boa parte do filme você também fique um pouco "paranoico" com os locais sem luz, principalmente da casa absurdamente escura onde grande parte do desenvolvimento da história ocorre.

Não há grandes elogios para as atuações, muito pelo fato de o elenco ser bem reduzido, com atuações medianas. Em nenhum momento notei, felizmente, o destaque do esteriótipo do "personagem irritante" que costuma protagonizar thrillers/suspenses. Tanto as atuações da apavorada atriz Teresa Palmer (que fez o recente reboot de Caçadores de Emoção) quanto do "brincalhão" Alexander DiPersia (sem filmes de sucesso em sua carreira) se encaixam bem na constante tensão quebrada em cenas do filme.


Destaco a presença de Lotta Losten, atriz responsável pelo curta que deu origem ao filme. Uma boa "homenagem" ao filme que deu origem ao longa, no qual havia apenas uma personagem (a própria Lotta) no que parecia ser sua casa, em um dos vídeos mais terríveis da história do YouTube.

Por fim, a nota "3" é justificada por surpreender um pouco as expectativas do que pensei que seria um verdadeiro fracasso. O mais incrível é que o próprio sucesso do curta adaptado surpreende qualquer um que já passou noites em claro navegando pelo YouTube com assustadoras creepypastas e curtas inteligentes que resumem uma história simples.

É um excelente filme independente que não necessariamente deu a entender que há uma sequência planejada pela produção, e este já é um ponto positivo, já que vivemos em um mundo onde foi confirmado o 8º título da série Jogos Mortais. A intenção de QALSA é mostrar uma história completa, boa por marcar nitidamente um começo comum, meio intrigante e conclusão satisfatória. É um filme que faz valer o ingresso sem "sombra" de dúvidas.





Facebook




Comentários