Um dos filmes mais aguardados do ano volta a deixar a DC no negativo. As críticas de "Esquadrão Suicida" relembram o que ocorreu no começo do ano com o lançamento de "Batman vs Superman". e a recepção do que seria julgado como "um tiro fatal nas expectativas dos fãs" é o que destaca-se nas críticas ao redor do mundo.

Sinopse

Se você é fã, já deve estar cansado de assistir aos trailers que contam basicamente o mesmo blábláblá: um time de vilões é recrutado para defender a cidade de uma "força" que pode ser maior que o Superman. E então algo acontece e eles realmente precisam salvar a cidade.

O elenco "estrelinha" composto por Will Smith, Margot Robbie, Jared Leto, Cara Delevigne e Viola Davis, felizmente é equilibrado com a presença forte dos nomes menos conhecidos (como Jai Courtney, Joel Kinnaman e Adewale Akinnuoye-Agbaje) que, ironicamente, possuem rostos familiares ao público que acompanha diversos gêneros de séries e filmes dos últimos 10 anos.

Esquadrão pretende ser a apresentação da equipe de vilões da DC que, quem sabe, pode até tornar-se um excelente universo daqui pra frente. Mas é uma pena que isso não começa com este lançamento.

Nova DCpção

Eis aqui uma breve justificativa para os "três de cinco na nota" que foram atribuídos a este filme: um ponto pela boa atuação da dupla Margot Robbie e Will Smith; um ponto pela trilha sonora excelente; e um ponto por ser melhor que "Batman vs Superman". E com "melhor" quero dizer "menos pior" pois, convenhamos que não é difícil superar aquele... absurdo.

Então pode ser que você, caro leitor, diga "Poxa, na minha sessão o filme foi bem recebido, todos aplaudiram e gostaram do filme.", e eu respeito isso completamente. O problema é que uma sessão é capaz de mudar o senso crítico de boa parte da sala. Um aplauso junto a uma cena mediana ou gargalhadas em uma piada medíocre contagiam facilmente (e não preciso ser um renomado sociólogo para explicar este tipo de comportamento).


Vilões que "salvam" o filme

Convenhamos, sem Arlequina e Pistoleiro o filme seria um lixo. Coringa não seria o escolhido para salvar o longa, muito menos Rick Flagg ou o time de "heróis" do exército. Por outro lado, há uma apresentação necessária dos personagens, mas a abordagem foi um grande erro. Um clipe musical para cada um dá o tom familiar que eles precisavam para fingir o fato dos protagonistas parecerem importantes.

Um outro atributo que merece ser mencionado é a estilização da Harley e do Coringa. O casal possui um tom gângster que, em determinado momento, pode até parecer crível como a adaptação de um relacionamento de histórias em quadrinhos. Se o roteiro não faz jus, pelo menos o casal respeita a obra original.

Pelo jeito, o estúdio adora colocar um personagem em cena só para poder "dizer que ele apareceu no filme" e causar surpresa nos espectadores. Quer dizer, sem necessidade de spoilers (já que ele aparece em alguns trailers e é um dos primeiros resultados ao procurar pelo elenco de Esquadrão no Google), Batman não é nem um pouco necessário nos segundos em que ele é exibido.


Roteiro e visual

O roteiro possui mais furos que um queijo suíço. Sinceramente, é tão absurdo que tivemos que separar um outro post só para explicar o que ficou no ar (e o que pode ser compreendido ao assistí-lo uma 2ª vez), e o mesmo vai ao ar em breve.

Fatos previsíveis, com exceção de um ou dois momentos de um plot twist clichê (como um personagem fazer algo que "ninguém esperava"), tropeçam no péssimo desenvolvimento de personagens que só se salvam pela trilha sonora absurdamente boa. Ah, e talvez pelo visual bacana.

Por sinal, o 3D novamente é desnecessário (como em Batman vs Superman) mas, dessa vez, notei uma grande diferença de imersão na versão em IMAX - exibida na cabine de imprensa na última 3ª feira. Portanto, se você é fã e acha que vai curtir, pague um pouco a mais e veja em IMAX. Se sente que só precisa assistir para tirar suas próprias conclusões, tenha uma noção de respeito próprio e faça este favor de ver uma decepção assim em grande estilo.


Comédia forçada e edição no Windows Movie Maker

Desde o primeiro trailer da Comic Con (com auxílio do impulso das informações vazadas pela internet), fica claro que o longa foi refilmado para ter um tom mais engraçado. Quem sabe, tentar vender a história para um público mais jovem pudesse ser uma boa saída...

Por isso, outro ponto fraco que fica em evidência é a péssima edição. Muitas cenas de trailers/imagens dos bastidores não estavam na versão final, o que só contribuiu para mais furos no roteiro e momentos desnecessários que só contribuíram para manter a média de duas horas de filme. De acordo com Jared Leto, o Coringa até aparecia mais algumas vezes. Quem sabe assim ele pudesse fazer alguma diferença para o resto da narrativa.

Além de cortar partes essenciais, o alívio cômico explícito não é fácil de engolir. Ao tentar criar um personagem com pegada de Deadpool, eles só mostraram como podem falhar miseravelmente: o Bumerangue poderia ser a melhor saída, porém, a abordagem novamente poderia ter sido mais bem feita e aperfeiçoada para algo um pouco mais sutil.


Mais um para o Universo Cinematográfico DC

De cara, parece que inserir "Homem de Aço" em mais um filme da DC é mais um erro (e eu não discordo dessa ideia, conforme discussões apresentadas abaixo), só que todos já estão cansados da abordagem do tema "Uau, ao tentar salvar a gente, os heróis estão destruindo a cidade e ninguém pode fazer nada para pará-los." - mastigada em "Batman vs Superman" e bem feita em Guerra Civil.

Se algum dia eles pretendem chegar aos pés da Marvel, o estúdio deve parar de jogar todo o universo sobre um único filme (no caso, o que aconteceu tanto em BvsS quanto em Esquadrão) e aproveitar o tempo para apresentar heróis já conhecidos pela maioria do público, como farão com a adaptação de "Mulher-Maravilha".

Conclusão

Okay, ele é um dos filmes mais aguardados do ano e o box-office capaz de bater recordes não me deixa mentir. E sim, 80% do elenco é composto por rostinhos conhecidos que atuam bem, e a seleção musical foi muito bem arquitetada. Mas é uma pena que tudo dependa de uma boa edição e de uma boa forma de contar uma história.

Você sabe que ainda precisa assistir por ser um dos assuntos mais falados do mês (junto a Pokémon GO, claro), então tenha em mente que o forte do filme não é uma história que faz sentido, muito menos apresenta um time de personagens que seja importante até o fim das duas horas de tortura.

Espero que não seja criado um "padrão DC" em que eles lancem um filme mediano para, em seguida, bater na sua porta e dizer: "Olha... aquilo que você assistiu pode ser melhor... e provamos com isso aqui *entrega o blu-ray versão estendida*". Se esse for o caso, nos falamos até o final do ano para discutir quão melhor pode ter ficado uma versão COMPLETA de "Esquadrão Suicida".





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