Sequência de "Procurando Nemo" (2003), o filme é - ou pelo menos deveria ser - prioridade em 2016 aos amantes de animações da Disney. Afinal, as "crianças dos anos 1990" estão 13 anos mais velhas e, provavelmente, tiveram sua infância fortemente marcada por "Nemo". 

Sinopse

Dory é um peixe que "sofre de perda de memória recente", conforme repetido pela personagem diversas vezes, e está a procura de seus pais. Como ela se lembraria dos pais se, na verdade, ela tem perda de memória? Acontece que ela se lembra de algumas seções, fragmentos de seu passado, mostrados em flashbacks - e este seria o único caminho que ela poderia seguir, com a ajuda de Marlin e Nemo.

Surpreendente

Sempre que criticamos um filme por aqui tentamos deixar de lado qualquer tipo de influência que possa afetar nosso trabalho final. Seja por fugir do "estamos tentando te vender o filme", como alguns sites infelizmente fazem, ou do "não lerei nenhuma crítica até dar minha opinião", fazemos um texto com o propósito único de informar aos leitores se a obra em questão é boa de verdade ou não.

No caso de "Dory", isso foi desafiador. Sim, já assisti o primeiro filme duzentas vezes e não queria me decepcionar com o mito que é uma boa sequência. A Pixar já chegou a falhar em "Toy Story 2" e "Carros 2", mas ambos foram casos à parte.

Este filme é um dos melhores do estúdio. Sem discussão. É tão bom quanto o primeiro e o papel de protagonista se encaixou muito bem na personalidade de Dory. Diferente do que eu pensei antes de entrar na sala de cinema, a "perda de memória" nunca chega a irritar/diminuir o fluxo da narrativa. É uma pena que os trailers de divulgação não mostraram absolutamente nada do potencial do filme. Por outro lado, eles sabem o público que estão lidando - e decepcioná-los seria um erro ENORME.

Elenco nostálgico

Não poderia ser diferente: mudar a voz de Marlin ou Dory acarretaria em fracasso. No caso, trazer de volta Júlio Chaves e Maíra Góes foi um ponto extremamente positivo. Entendemos que uma voz infantil como a de Nemo, absurdos treze anos depois, deve provavelmente soar como um homem irreconhecível, então não tinha como ser diferente. Pode parecer que não, mas as vozes são um elemento chave no quesito de imersão.

Eles sabem que não precisavam ir tão fundo ao explorar um mundo já apresentado, contudo, não forçam a barra e você consegue compreender tudo o que acontece se não tiver visto "Procurando Nemo". Então, uma dublagem familiar preenche (tanto em inglês quanto em português) o espaço entre os filmes e "tudo aquilo" que não foi - e não precisava - ser contado.

Outro ponto que mercer ser ditado é a mudança do comportamento de alguns personagens, que acaba sendo a verdadeira cereja do bolo. Direções opostas ao que todos imaginavam ou a esperança em quem não prometia nada constroem personalidades semelhantes ao que presenciamos em nosso cotidiano.

Sequência boa por conta própria

O filme não é vendido como uma sequência mas não é possível fugir disso. O fato de não colocar um "Procurando Nemo 2" no título não foi à toa: seria ridículo, já que o personagem em questão está muito bem com seu pai e é a Dory que devidamente se "perdeu" de seus pais e de sua nova família formada pela dupla de peixes-palhaço.

É narrado de maneira inteligente, prolongando aquilo que deve ser contado e "nadando" rápido entre o que não seria essencial. Não por coincidência, uma criança não possui essa visão crítica, então naturalmente vai ligar mais para aquilo que é explicado com calma (e a Disney sabe disso). Piadas tão simples que são aproveitadas por qualquer idade foram inseridas suavemente e conseguem tirar um sorriso discreto até do indivíduo mais frustrado com o filme.

Evolução

Nos últimos 20 anos, a Pixar foi uma das maiores representantes da animação e de como ela evoluiu com o tempo. Assim como no universo da animação 2D, a tecnologia acompanhou o crescimento da indústria e possibilitou a criação de histórias que ajudam na imersão daquilo que foi criado e da mensagem a ser transmitida.

Neste filme vemos um mundo aquático muito mais palpável e, acima de tudo, personagens que você consegue se importar por completo. Tudo bem que no último caso não depende MUITO da habilidade de animação, mas isso com certeza só ajudou na questão de "fazer crer".

 

Conclusão

Não assistiu "Procurando Nemo"? Assista antes de "Dory". É amante de animações em geral? Fica a recomendação. Uma questão importante é tida como a "moral da história" e você vai ter que assistir para saber. É belíssimo, doce e merece todo o sucesso.

PS.: conforme dito em nossas redes sociais, há pós-créditos, então nem pense em sair da sala antes da hora!





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