Sinopse

O fascinante (e imenso) reino de Azeroth prepara-se para uma guerra épica entre humanos e orcs, em uma disputa por territórios dignas (ironicamente?) de um jogo de computador. Transbordando magia, violência cartunesca e muita ação, há um portal que conecta os dois mundos (dos orcs e humanos), dando origem ao título do longa, e mostra como os dois lados da história podem ser levados em consideração quando sabemos que só um sairá vivo. Invasão daqueles que parecem primitivos mas não deixam a inteligência de lado contra os "donos" do lugar que parecem saber de tudo mas na verdade são piores que orcs.

Uma explicação mais profunda que essa (sem spoilers) só pode ser adquirida ao jogar World of Warcraft, que serviu como base para o mundo do longa. Infelizmente, como podemos conferir em um dos tópicos abaixo, a mitologia não é tão bem explorada - nem tão bem explicada - quanto poderia.

Universo

Apesar de não mostrar o quão grande realmente é o universo, temos essa sensação pela escala das batalhas e, literalmente, do que é exibido em relação a construções e algumas paisagens de "background". Azeroth tem diferentes climas e cenários que devem ser explorados no(s) próximo(s) filme(s), principalmente tratando-se do quão espetacular é o local em sua versão no game.

Não consigo imaginar um filme de tamanha escala tentar crescer e revolucionar no gênero após o lançamento das épicas trilogias Senhor dos Anéis e Hobbit, porém, apesar de ser impossível fugir dessa "realidade", o mundo do MMORPG (sigla que define o gênero de World of Warcraft) tem que dar essa sensação e o longa fez bem.

Como resultado da má explicação do que leva às batalhas, não temos um fundamento básico no filme, que é o desenvolvimento dos personagens. Sim, você ainda se importa com a morte de alguém, mas a falta de compreensão de todo o contexto suaviza o choque que poderia ser transmitido ao longo das decisões, conquistas e falhas no filme.


Produção e elenco

Caso não conheça o nome Duncan Jones (nem os excelentes filmes Lunar e Contra o Tempo), você provavelmente já ouviu falar de seu querido pai (e eterno "camaleão do rock") David Bowie. Sua marca está lá, contudo, apesar de não ter um estilo característico de direção como algo de conhecimento geral - do mesmo jeito que conhecemos um filme de Stanley Kubrick com um único frame -, se você conhece seus trabalhos anteriores vai notar um ar diferente na construção da história, informações implícitas, apresentação dos fatos, etc.

Por sinal, o filme não é vendido por seu elenco hollywoodiano. Pelo contrário e, diferente do futuro lançamento Assassin´s Creed, não temos um Michael Fassbender como protagonista, mas somos compensados pelo "viking" Travis Fimmel no papel principal. Afinal, a magia, as "armas" e a narrativa deveriam vender um filme, não a presença ou ausência de um "rostinho conhecido".

Da mesma maneira, não vá ao cinema esperando um filme cheio de twists inesperados com um quebra-cabeça que te faça sair da sala refletindo sobre alguma ação bizarra: a compreensão da narrativa é simples e você pode muito bem saber de "qual lado" gosta mais - tema discutido melhor a seguir.


Adaptação de um game finalmente deu certo?

Deu, porém, é claro que ainda falta muito. A captura de movimentos está excelente, o cenário é clara e inteiramente criado digitalmente, mas, para a sorte dos fãs, a atuação convence. Diferente de Mogli, em nenhum momento é perceptível que um ator está encarando uma tela verde, imaginando um cenário ali. Temos atores não conhecidos do grande público fazendo um bom trabalho.

Como uma adaptação, ele funciona. Como a base de um universo que atue junto a um jogo já conhecido, também. Cenas panorâmicas e imagens sobrevoando as florestas dão o ar de referência que todos esperavam - do mesmo jeito que Angry Birds fez na apresentação do popular estilingue -, e o melhor de tudo é que isso segue no rumo do filme, não é nada que chame a atenção de quem assiste, ao ponto de discernir o que é ou não parte do jogo.

Em equilíbrio ao que foi citado acima, temos um fortíssimo ponto fraco, que é a história antes do filme. Ele, em si, funciona muito bem, e mesmo assim conseguimos curtir a história. O negativo de tudo surge quando não somos apresentados a nenhum tipo de contexto do que leva ao início da narrativa, em 0% da mitologia por trás de um longa que requer, sem sombra de dúvidas, que quem vá assistir já conheça o básico sobre Warcraft - o que, me desculpe, não vai acontecer. Você fica perdido em meio às raças, personagens, locais, mundos, portais, magia e tudo aquilo que é somente exibido e nunca explicado.


Partidário?

Diferente de títulos que estampam capas de jornal por aí, que costumam deixar sua posição política explícita até demais, Warcraft dá a liberdade de escolha entre os orcs e humanos antes e durante os principais confrontos. Assim como você, jogador, pode optar por apoiar um dos lados, você, telespectador, é guiado (ou melhor, forçado) a escolher um deles.

É claro que ele tenta fugir de uma linha de raciocínio genérica entre "herói" e "vilão", mas no final das contas, não há o que fazer, pois você sabe o objetivo principal do protagonista e imagina como ele vai chegar lá.

Um ponto forte, que pode passar despercebido aos desatentos de plantão, é a mudança sutil entre a fala entre a língua dos orcs e o inglês e as legendas em português. No meio de um diálogo o áudio pula entre as duas línguas enquanto a legenda continua em português. É um truque sábio, que é mais facilmente notado nas terras norte-americanas (já que lá a legenda só fica ativa quando falam a língua dos orcs), mas o efeito funciona bem por aqui também.


Veredicto final

Cada lançamento adaptado gera, de alguma maneira, preconceito por parte do público que não conhece a obra original, seja por ignorância ou pura falta de interesse. Em um efeito contrário, temos Warcraft, que pode despertar em gamers o interesse em conhecer o universo retratado no filme. Admito que nunca fui fã de MMOs (massive multiplayer online), que são aqueles jogos de gamers dedicados, o principal jogo do "esteriótipo nerd" espalhado por aí, mas, ao mesmo tempo, penso em como seria bacana estar mais próximo da realidade do longa explorando Azeroth à minha maneira.

Em contrapartida, para aqueles que não são gamers o filme também pode ser aproveitado. Sei que fãs da Terra Média e geeks caminham lado a lado, contudo, se você curtiu O Hobbit: A Batalha Dos Cinco Exércitos (ou qualquer um dos filmes da trilogia), vale conferir Warcraft - O Primeiro Encontro de Dois Mundos. Ação, um pouco de comédia básica e uma noção de aventura diferente do que é retratado hoje em dia no cinema.





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