Depois de um primeiro filme mediano, o famoso quarteto de répteis com nomes da Renascença volta com tudo no segundo blockbuster da franquia – “As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras”. O longa, definitivamente muito melhor que o primeiro em diversos aspectos, consegue agradar a todas as idades. Encher os corações das crianças dos anos 90 de nostalgia e entreter as crianças de hoje não é difícil: pais que se lembram da antiga série animada e crianças que conhecem a versão mais atual da Nickelodeon podem tirar ótimo proveito de uma seção de cinema com muita pipoca.

O pontapé inicial para o sucesso consiste no desenvolvimento separado das personalidades de Leonardo (Pete Ploszek), Rafael (Alan Ritchson), Michelangelo (Noel Fisher) e Donatello (Jeremy Howard), que agora se adaptam à vida fora das sombras do subsolo de Nova Iorque. A presença dos personagens em novos cenários mostra outros ângulos de seus perfis, que passam pelos típicos problemas da adolescência e nem sempre se combinam. Nesse sentido há até mesmo a criação de conflitos internos que dificultam para Leonardo a tarefa de manter o grupo unido.

A introdução de rostos já conhecidos na trama das Tartarugas Ninja também colaborou com o crescimento deste filme em relação ao primeiro. Krang (Brad Garrett) ganha foco no elenco de vilões, apesar de não ser muito bem aproveitado ao longo do filme. A aparição do chefe do Technodrome na Dimensão-X já era esperada e surpreendeu aos telespectadores em sua versão cinematográfica atual. O que chama a atenção mesmo (e surpreende!) é presença de Bepop (Gary Anthony Williams) e Rocksteady (Stephen Farelly), que não só é muito cômica, como também é agradável aos olhos dos telespectadores: não há como imaginar melhor representação em CGI dos mutantes javali e rinoceronte – e o figurino não poderia ser melhor e mais fiel! 


No elenco de atores, Megan Fox dificilmente supera sua expressividade emocional e carismática que mais se assemelha à de uma porta. Dessa vez, porém, a atriz conseguiu esboçar no rosto de April O’Neill alguma emoção que se assemelha a uma boa atuação, deixando de ser apenas um rostinho bonito. Do mesmo lado do campo se encontra o ator Stephen Amell (da série "Arrow"), que é muito conhecido pela sua falta de expressividade, mas que aparentemente funciona no papel de Casey Jones. O carisma ele até tem, mas a adaptação do personagem pode incomodar alguns.

O roteiro é simples e agradável, na medida do possível. Na trama, o Destruidor (Brian Lee) consegue escapar da prisão e conta com a ajuda de Krang numa aliança para dominar o mundo. O objetivo é conseguir reunir três artefatos que, juntos, são capazes de abrir um portal entre dimensões e, assim, trazer à Terra o Technodrome, totalmente capaz de destruí-la. Para complicar mais o trabalho das Tartarugas Ninja, Bepop e Rocksteady cumprem o papel de capangas malignos. A ação se configura com muitas cenas na água, filmadas nas Cataratas do Iguaçu, e no ar – com direito a saltos irados! O que deixa tudo mais incrível é a funcionalidade 3D nesses momentos.


De um modo geral, o filme é inovador com relação ao uso dessa tecnologia. Por exemplo, o trabalho com a ideia de profundidade, levando o telespectador para dentro das telonas, deixa tudo muito mais interessante do que jogar estilhaços de vidro e pedaços de concreto na sala de cinema, o que é visto frequentemente. A combinação de elementos de ação com humor também mostra um bom resultado (assim como em alguns momentos do primeiro filme). Porém, dessa vez a aposta foi maior – e não há como reclamar do resultado. A paleta de cores e a computação gráfica também apresentaram melhorias, deixando as Tartarugas com um ar mais real e as imagens mais vivas.

O filme tem mais prós do que contras, sendo um programa família perfeito para o final de semana. A tentativa de agradar a todas as idades foi um sucesso, e o filme com certeza teve uma evolução muito nítida com relação ao antecessor. Ação e comédia resultam num longa com emoção e muito divertido, que arranca risadas pela sala de cinema.





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