Sinopse

Dirigido por James Wan, Invocação do Mal 2 dá continuidade ao universo introduzido em Invocação do Mal (2013) e reforçado em Annabelle (2014), com o casal Ed (Patrick Wilson) e Lorraine Warren (Vera Farmiga) e a investigação no famoso caso da cidade londrina de Enfield. Assim como no primeiro filme, voltamos a ver a dupla em ação ao ajudar uma família assombrada por um ser desconhecido - também chamado de "manifestação poltergeist" - enquanto procuram formas de como se livrar do mesmo.

Superando expectativas

Enquanto de um lado temos Sobrenatural e Boneco do Mal com um estilo de cinema que se assemelha a outros sucessos de terror/thrillers, exagerando em efeitos especiais e jogando grande parte da ação na cara do espectador, Invocação e sua sequência caminham rumo às semelhanças com a realidade e abdicam um pouco de cenas gore, levando pitadas de terror psicológico ao cinema - o que só reforça a construção da narrativa.

Destaque para a garota protagonista (e a dupla Warren) que leva o filme nas costas. Enquanto os efeitos visuais são simples, o estilo de edição e a atuação do trio citado acima são responsáveis por trazer momentos de realidade ao universo ficcional. Tudo bem que, geralmente, produções de longas de terror costumam abusar do poder de troca rápida de câmeras e takes que te obrigam a olhar para certo ponto, porém, neste os pontos citados acima não vem com o mesmo peso.


Medo?

Existem apenas dois jumpscares que marcam o filme: um deles ocorre em um local alagado e o outro ocorre quando vemos pela primeira vez a face da temível "aparição". Tento desviar de spoilers, mas as informações acima são o suficiente para, caso você também tenha visto o filme, saiba exatamente do que estou falando (e se você não viu, não estraguei a surpresa!).

Em ambas as cenas, os espectadores de toda a sala de cinema - grupo composto por jornalistas, (pois conferi o filme na cabine de imprensa) - se assustaram de maneira absurda. Fora isso, diferente de Annabelle e de seu antecessor, Invocação 2 não traz cenas, digamos, traumatizantes. Ele é cheio de momentos em que fica difícil saber se haverá um susto ou não, e no fim das contas não há.

E essa é uma jogada excelente, porque, apesar da construção genial de situações (principalmente no "teste" feito pelos Warren com a garota), a narrativa é mediana e traz conclusões previsíveis em 80% das cenas, sendo assim compensada por essas falsas-expectativas.

A maior tensão veio pós filme, quando, nos créditos finais, foram exibidas cenas (reais) do documentário sobre a família Hodgson - que inspirou o caso retratado no longa. Em seguida, ao procurar o documentário completo no YouTube e ver a "fidelidade", e em como James Wan se espelhou em fotografias e situações reais para se basear no filme, pode-se perceber que o poder de imersão trazido à sala de cinema é muito mais impactante do que à primeira vista.


Interpretação diferente

É raríssimo um filme de terror ter uma história marcante. Salvo clássicos do terror dos anos 1920 e 1930, na última década este gênero lembra até o tratamento dado a comédias românticas: existem centenas por aí, você até conhece os atores principais mas a história "sempre é a mesma". Depois de A Orfã e os outros dois longas comentados anteriormente, Invocação 2 tem uma história paralela importantíssima.

Poucos acabarão dando valor a este lado do filme, mas tudo não passa da preocupação de Lorraine com seu marido. Em diversas cenas vemos a essa atenção, o amor e outros sinais que não afetam diretamente o rumo da investigação, mas são tão importantes quanto ela. Vá assistir com isso em mente e preste atenção na história paralela que o filme será marcante e você saberá que o ingresso valeu a pena, no mínimo, por ter conhecimento de um romance que não foi marketado como tal.

Pré-estreia espetacular

Não posso deixar passar em branco uma das pré-estreias/cabines de imprensa mais bem feitas que já fui. Mesmo com a má organização na entrada, o exterior do PlayArte Marabá estava no melhor clima para curtir o filme: uma parede falsa que imitava uma fachada de casa assombrada trazia a inscrição do título do longa e nas janelas do próprio local havia silhuetas macabras que eram a verdadeira cereja do bolo.

Havia um grupo de cinco atores que davam um toque especial ao lugar: um padre, uma freira, uma senhora em uma poltrona e uma dupla de exorcistas que perambulavam, encaravam e assustavam os espectadores na fila de espera. Foi montada inclusive uma cabana cheia de brinquedos infantis que assemelham-se ao que pode ser visto no trailer de divulgação do filme. E claro que também havia algumas cruzes espalhadas pelas paredes, guiando todos até a sala.

Uma última observação que tenho que fazer é: não sei se você, querido leitor, está familiarizado com o centro da cidade de São Paulo, mas por aqui tudo é bem antigo, raramente restaurado e bem sujo. Não consigo pensar em outro lugar, ironicamente, perfeito para ser a sede da estreia de Invocação 2, já que as escadarias de décadas atrás e o ar pesado (e nem um pouco "vintage") do cinema trouxeram uma sensação bizarra de insegurança que serviu como um terrível (no melhor sentido) e macabro complemento ao filme a ser exibido. A organização da Warner Bros. Pictures Brasil está de parabéns.


Conclusão

Com tantos filmes de terror lançados nos últimos anos, fica difícil saber qual deles realmente vale a pena. Este, em especial, sabe deixar claro que não é necessário exagerar nos sustos nem te deixar tenso o tempo inteiro. Ele sabe construir momentos e diferenciar estes de uma cena que você sabe que pode ficar tranquilo - sem ser surpreendido por um corte seco que te pega desprevinido.

Você aprende a se preocupar com os protagonistas, com a presença ou a ausência deles, de forma sutil. James Wan continua o mesmo, trazendo filmes espetaculares, de forma que você termina de assistí-los e pode até esperar por uma sequência (sim, de um filme de terror!) sem o mesmo tornar-se obsoleto. É o que um longa deste gênero deve ser: surpreendente e bom por conta própria - ou seja, você não precisa ver o primeiro para entender tudo.





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