Sinopse

Agora em 1983, seguindo os acontecimentos de Dias de um Futuro Esquecido (2014), acompanhamos os X-Men na tentativa de combater Apocalipse (Oscar Isaac), o suposto "primeiro mutante" que, após recrutar quatro outros mutantes para auxiliá-lo, pretende acabar com a humanidade pois a mesma teria se desvirtuado.

Os ajudantes do vilão são como os Quatro Cavaleiros do Apocalipse, compostos agora por Magneto, Tempestade, Psylocke e Arcanjo - Michael Fassbender, Alexandra Shipp, Olivia Munn e Ben Hardy, respectivamente. Jogando um pouco de cultura aleatória por aqui, as "designações" de cada um são denominadas de acordo com títulos bíblicos, sendo Guerra (Magneto), Fome (Tempestade), Peste (Psylocke) e Morte (Arcanjo).

Péssima introdução para um bom filme

Mesmo com as críticas bastante equilibradas (muitas opiniões negativas e muitas ignorando as falhas do filme), não se sinta desanimado: vá assistir e tire suas próprias conclusões. Sem sombra de dúvidas existem falhas, principalmente na questão de narrativa, mas isso não estraga o filme. O que realmente estraga é uma péssima introdução que, exceto por um minuto ou dois, é composta por momentos aleatórios que facilmente te fazem bocejar. Principalmente no "recrutamento" dos Cavaleiros, há claramente uma má organização (que será explicada melhor na seção abaixo).

Aprender as origens do vilão, okay, é essencial. Contudo, você simplesmente demora para começar a entender o ritmo do filme (e perceber que esse NÃO É o ritmo do filme inteiro) e é fácil não se importar de imediato com o que está acontecendo. Não é um começo sem sentido, com cenas jogadas "para fazer um bom trailer" - vide Batman vs Superman, mas não chega nem perto da introdução de O Despertar da Força - esta, repleta de simbologias e referências espetaculares.

Por sorte, está na introdução uma das melhores cenas de todas, que é a de Magneto e o elo entre o último filme e este. Poucas imagens, muita história contada. Lembra vagamente o peso do passado do pequeno Erik/Magneto em Primeira Classe, a cena com Kevin Bacon e toda a fúria envolvendo o mesmo.


Religião com razão

De maneira bizarra, o filme tem a necessidade de ser explicitamente religioso. Como mencionado anteriormente, os quatro cavaleiros são associados aos quatro títulos, e isso é bem mostrado no longa, servindo como um easter egg para contar o breve passado de cada um deles. Já que isso não interfere em absolutamente nada na narrativa (e serve como complemento), explico aqui rapidamente o que cada um significa - excluindo potenciais spoilers que poderia dizer:

Magneto vê a necessidade de começar uma Guerra depois do *ocorrido* (spoiler), então junta-se a Apocalipse com esse princípio; Tempestade utiliza seus poderes pela sobrevivência, por isso Fome, e é apresentada de maneira enxugada, com muito dito em poucas cenas; Psylocke trabalha, querendo ou não como segurança de um *ser* (spoiler), então logo associamos à Peste; por fim, somos apresentados a um Arcanjo completamente detonado (explicando o título Morte) junto a uma das melhores referências do filme, já que, ao fundo da cena de apresentação do mutante, podemos ouvir The Four Horsemen, canção do grupo Metallica, que claramente retrata os Quatro Cavaleiros (do Apocalipse).

Saber disso antes de assistir (e realmente ligar para o significado por trás de cada "vilão") com certeza mudou minha visão e espero que mude a sua também!


Vilão mediano (e todos sabem como poderia melhorar)

Tanto em Inside Llewyn Davis quanto no já citado O Despertar da Força, Oscar Isaac é um excelente ator. Não questiono de nenhuma forma sua abordagem como vilão, muito menos como ator, mas o roteiro em si explica como ele poderia melhorar. Primeiro, claro, existem aqueles que criticam sua maquiagem e não ligam para a fidelidade com as HQs. Na outra ponta, os fãs dos quadrinhos que foram apresentados ao Apocalipse original se recusam a aceitar que ESTE é o grande "malfeitor".

Como sempre, é possível ficar no meio da balança e entender que ser fiel não entra em questão. Veja o filme como um simples filme dos X-Men, sem ligar para ter a base em HQs, nem ligar para a questão visual do herói ser boa ou não. Se você compreendeu sua apresentação e curtiu o desenrolar da história, você já está na vantagem.

Sua voz é espetacular, seu visual também não deixa a desejar, porém, bato novamente na tecla de que a introdução deu o ritmo que faltava ao restante do filme. É fácil demorar a se importar com as decisões de Apocalipse, e é assim até a segunda metade do longa. Assim que você vê pela primeira vez o filme, reflete sobre as decisões que foram introduzidas e vê suas consequências, aí você finalmente vai entender o propósito do personagem de Oscar Isaac.


Protagonistas

Atenção bem dividida entre as personagens; Mística, que era uma das principais nos outros dois filmes, é deixada um pouco de lado e equilibra suas aparições com Moira e Jean Grey; Magneto e Xavier continuam sendo os cabeças do filme e dando aqueles momentos que levam a um "conflito" mais interessante.

Destaque a mais uma sequência hilária de Mercúrio (em câmera lenta, assim como no filme anterior) e uma outra sequência que, se você assistir, vai entender como é incrível - mas para ser comentada aqui seria demais, já que é um baita de um spoiler.

Dando a devida atenção aos protagonistas, você percebe como o filme todo foi construído para ter o clímax certo, em uma montanha russa de curvas leves, que não te deixa perceber uma subida na narrativa em meio às diversas quedas do fluxo da história.


Técnica e dezenas de CGI

Qualquer filme, sem exceções, que foi sucesso de bilheterias - principalmente pela visão crítica - nos últimos 20 anos tem, no mínimo, um toque de computação gráfica. Seja o visual de Matrix, as cores marcantes de Sin City ou as explosões de Mad Max, existe sempre uma forma de aplicar uma pequena camada de efeitos que dê o tom certo para o longa.

Ouvi dizer, uma vez, que um bom efeito especial é aquele que sequer é notado pelo espectador. Inclusive existe uma série de vídeos em diversos canais do YouTube que mostram exatamente isso,: cenas simples, com um toque de CGI. Até mesmo a série Todo Mundo Odeia o Chris tinha um toque de "fundo verde" para economizar no cenário dos anos 1980 (e você provavelmente nunca percebeu), então este é o sinal de um trabalho muito bem feito.

No caso de Apocalipse, o problema é um pouco pior: são cenas lavadas em excesso com CGI, já que é artificial - e não poderia ser diferente. Efeitos visuais, como no caso de clássicos dos anos 1980-1990 e seus "animatronics", não podem ser facilmente criados, muito menos destruídos como no caso do verdadeiro apocalipse mostrado nos trailers. Poderia ser mais leve? Com certeza. A história ficaria melhor? Sim. Contudo, o foco acaba sendo a destruição, então depender do famoso "efeito Avengers" de destruição das capitais mundiais é inevitável.


Veredicto final

Se você curtiu Dias de um Futuro Esquecido, veja Apocalipse. Não espere que ele te surpreenda, mas ele com certeza cumpre o que promete. A narrativa é estranha e cansativa no começo, mas a partir da segunda metade do filme, tudo é compensado. Desfecho um pouco clichê, bom final para a trilogia atual e um ótimo filme dos X-Men. 





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