Sinopse

Anos após os acontecimentos de Uncharted 3, Nathan Drake se aposenta e agora vive uma vida longe das antigas (e fantásticas) aventuras em busca de um tesouro perdido. De repente, após alguns flashbacks, descobrimos que seu irmão que supostamente morreu em uma fuga da prisão se encontra vivo. Então, Drake terá de voltar ao mundo da exploração, e qualquer outro comentário sobre a narrativa é fortemente considerado como um grande spoiler.

Conheça bem o jogo que tem em mãos

De início é normal demorar até compreender os objetivos principais e pode parecer repetitivo o esquema de exploração do ambiente (o único ponto fraco do jogo, que carrega o mesmo aspecto dos anteriores). Mesmo assim, o caminho é claro - linear, sem confusões - e sem tais repetições excessivas que deixam qualquer aventureiro de primeira viagem bastante confuso.

Deixo a dica para quem quiser aproveitar o game ao máximo: passe um bom tempo explorando o cenário, coletando partes do diário e procurando por easter eggs. Por sinal, se você curte referências a outros sucessos, você escolheu o jogo certo.

Gosta de jogos dublados? Se a resposta for não, apoio que você pelo menos tente jogar Uncharted 4 em português. A dublagem está boa (nada comparada à original) e vale a pena testar tanto o áudio em inglês quanto o nosso querido "PT-BR".


Análise técnica

É o jogo mais bonito de PlayStation 4. Seguindo os passos dos antecessores, que ganharam diversos prêmios artísticos, e (aparentemente) utilizando a capacidade máxima do console, há pouquíssimos glitches e situações de má renderização.

A jogada de luz e sombra, neblina e água, terra e fogo, etc. em uma única cena parece diretamente retirada de um storyboard ou de um esboço artístico. Literalmente, a cada 2 minutos (agora reforçando a ideia com a função de "câmera para fotos" ao apertar os dois analógicos do controle) há pelo menos um momento em que você vai se deparar com uma situação tão deslumbrante que fica difícil se segurar para não salvar uma captura de tela.

O som do jogo também é ótimo. Na verdade, é tão bom que você mal consegue perceber que houve tratamento, já que o som foi gravado diretamente nos locais próprios retratados no capítulo (um farfalhar de folhas secas no deserto, por exemplo). Então o trabalho da equipe sonora está de parabéns, pois este supera o poder de imersão até mesmo de The Last of Us.

Por meio da trilha sonora há pistas sobre seu progresso no jogo: uma música animada dá tom de que você está fazendo a coisa certa e uma música pesada quase sempre resulta em um acidente e você deve voltar ao checkpoint.


Não, você não está fazendo coisa errada

Como forma de completar a afirmação acima, de "progresso no jogo", há um outro aspecto interessante, que é a abertura para caminhos diferentes que levam ao mesmo lugar.

Logo nos primeiros confrontos você pode pensar que está quase morrendo mas... o jogo te pega de surpresa e a história segue normalmente a partir daí, com um Drake capturado por piratas, por exemplo (utilizando uma situação do jogo anterior, já que não há spoilers sobre o U4 aqui).

E a falsa ideia de que você está jogando mal é muitas vezes motivo de fortes risadas e te deixa animado para prosseguir e descobrir mais mistérios.

Falando em mistérios a desvendar, o jogo transborda de puzzles, que muitas vezes não dependem da sua capacidade de ser "stealth" (e caminhar furtivamente pelas sobras), mas de seu raciocínio lógico e reação rápida, pois as melhores cutscenes ironicamente ocorrem no mesmo nível do game. Não há quebra da qualidade de imagem: o jogo TODO é impressionante.


Mulheres... heroínas?

Tema recorrente na atual época "girlpower" fortalecida pela internet é mostrar como a indústria exibe o sexo feminino como o "sexo frágil" que sempre precisa de um herói. Em jogos voltados em sua grande maioria ao público masculino, o que pode parecer simples (e realmente é), é até mesmo mostrar a mulher como um objeto sexual, algo rotineiro para grande parte da massa.

Porém, em A Thief's End temos uma caracterização diferente da "Bondgirl do galã protagonista": Elena é a grande salvadora do dia e, como é mostrado nos outros títulos e reforçado neste, há um equilíbrio entre os dois lados do casal que pode até ser interpretado com a romântica essência do real amor yin-yang, em que um completa o outro. No fim, a aventura tem um tom familiar por trás de tudo.

E para saber o que realmente acontece você tem que jogar, claro. Deixo explícito aqui que não trata-se de um spoiler, já que a interpretação é livre e não deve ser tomada como literal.

Mesmo que existam garotas gamers, somente histórias de sucessos como Mirror's Edge e o clássico Tomb Raider exploram uma jogabilidade 100% feminina, e isso não é nem um pouco ruim. Contudo, este é um assunto para discussões futuras. O que importa mesmo é a importância dada à "família" de Drake que, logo no início do jogo - e do trailer -, mostra-se feliz.


Veredicto final

Para aproveitar 100% do jogo, compreender o peso que tem a conclusão da história e ter total imersão na narrativa tensa e emocionante, é necessário jogar os outros três games - sem considerar a existência de Golden Abyss para o PlayStation Vita, claro. Contudo, o jogo suporta sua própria aventura em um único título, contando partes do que é essencial, então se você realmente não tem interesse em adquirir os outros jogos (nem que seja a cópia remasterizada) você não vai se sentir tão perdido.

Como de costume, diria que a Naughty Dog fez o que nunca falha em fazer: entregar o melhor jogo possível, com a melhor jogabilidade, os melhores gráficos e uma das melhores histórias da atual geração de consoles.





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