Com um potencial para ser o melhor longa adaptado de quadrinhos de todos os tempos, "Capitão América: Guerra Civil" exibe pontos nunca antes apresentados em um universo cinematográfico tão bem explorado.

Por que cumpriu o esperado?

Quando um estúdio começa uma franquia, das duas uma: espera-se gerar lucros ao ponto de ver se vale a pena arriscar com uma sequência ou fazer algo que seja somente a base, na esperança de construir uma história muito maior no futuro. E parece que com "Capitão América: Guerra Civil" a Marvel quis um pouco dos dois pontos, mas viu que a segunda ideia era melhor.

Após a tentativa de salvar nigerianos (que não deu tão certo), os Vingadores são taxados como uma entidade cujos atos deveriam ser regulamentados pelo governo. As atitudes dos super-heróis são tomadas como a quebra de algo que ultrapassou limites. Então, no lugar de salvar vidas, há mortes e feridos em excesso. De um lado, Tony Stark defende que os heróis devem ser chamados somente quando necessário. Do outro, Capitão América defende as atitudes heroicas e independentes de quem tem a melhor das intenções. E assim surge a primeira faísca que daria origem à fogueira de toda a narrativa.

No filme vemos que tal história foi aproveitada como se fosse o plano inicial desde a década passada, em "Homem de Ferro", que introduziu e ajudou a popularizar a franquia. Vemos como a dezena de filmes do estúdio fazem sentido, vemos o resultado dos atos dos protagonistas e vemos as consequências de roteiros de ação trazidos para a realidade.

Afinal, ninguém se importa com quem morreu no grande ato heroico? Nas vidas arriscadas e nas vidas tiradas de quem esperava ser salvado pelos Vingadores? Esse é o tom de maior importância no enredo, algo de nossa realidade. Uma proximidade assim em uma ficção é INÉDITO.

Então o filme cumpre o esperado por mostrar o que é a luta de dois heróis, tema recorrente em 2016 com outros longas do gênero? Sim. E supera algumas expectativas.


Melhor do que "aquele outro filme"?

Sim. Que "Batman vs Superman" me desculpe, mas "Guerra Civil" supera expectativas. Foi bem muito bem vendido (tudo bem), porém, poucas cenas do conflito principal foram mostradas em materiais de divulgação, o que torna um trailer/teaser válido àqueles que muitas vez admitem evitar assistir para não saber o plot do filme e ter uma experiência completa no cinema. Sem demais spoilers, as cenas foram única e exclusivamente bem apresentadas somente na obra final, o que dá mais credibilidade ao filme como um todo. Isso sem falar nos momentos hilários do Homem-Aranha, que cabem como uma inserção fantástica ao universo atual.

Sem brincadeiras demais, sem ser "dark" demais, o longa não cai em um esteriótipo Marvel de plot twists (vide o patético Mandarim em "Homem de Ferro 3") e cria uma identidade própria que deve ser bem aproveitada daqui em diante pelo estúdio.


Dupla de diretores

Sem sombra de dúvidas, a melhor dupla do filme (depois de Tony Stark e Steve Rogers), os irmãos Russo não por coincidência dirigiram uma das melhores adaptações do estúdio com "Soldado Invernal" no segundo filme da trilogia Capitão América. Claro que com um peso desses nas costas, estragar tudo não era um plano inicial nem uma projeção feita por fãs, então a premissa de trazer a essência do quadrinho em um roteiro original deu certo até demais. Tony e o Capitão tiveram seus ideais bem demarcados e não precisaram se basear na HQ propriamente dita para criar um conflito original - que teria um quê do plot original do quadrinho - porém, quem leu e compreende a ideia consegue captar referências e homenagens feitas pelos dois.

Em extremidade oposta a Scott Derrickson (diretor de "Doutor Estranho"), que comandou filmes de terror/suspense no passado, os irmãos Russo já dirigiram comédias, logo, nada melhor que eles para construir um filme que tem grande base nos alívios cômicos para a construção de uma boa história e, pode ter certeza: o filme não peca no humor e equilibra bem momentos de alívio cômico e tensão.


Futuro da Marvel e veredicto final

Desde "Homem de Ferro" os estúdios Marvel mostraram que a real intenção de suas adaptações iria além de algo que quisesse agradar ao público em geral. Afinal, se o plano inicial fosse atrair parte da massa a algo complexo que muitos tem a falsa ideia de compreensão, como HQs, eles se deram muito bem. Quem não aguenta esperar pelo próximo lançamento faz como fãs de Harry Potter, Jogos Vorazes ou qualquer grande franquia adaptada dos últimos anos: busca a obra original, a fonte-mor, a base de tudo e aproveita até a última gota.

Unir história e filme como em "Guerra Civil" é com certeza um grande marco na história de qualquer possível longa do gênero que virá ao longo do tempo, e mesmo em 2016 temos desconhecidos de grande parte da população, como Doutor Estranho, que virão ao público com uma análise e recepção diferente dos que tentam começar sucesso AGORA (cof cof Zack Snyder se deu mal nessa). Por quê? Porque há uma base de fãs e um alicerce muito bem construído ao que formará a "moradia" de todo o universo Marvel.

Como se não bastasse, além de mostrar como uma conexão intrauniverso funciona de verdade (com causas e consequências de acontecimentos da linha do tempo do MCU), se a disputa entre Marvel e DC entrasse em jogo agora, está claro que levando ambos os lançamentos de 2016 - BvsS e Guerra Civil - a "vermelhinha" ganha de lavada. No final, o filme consegue fazer com que você compreenda e aceite tanto o #TeamCap quanto o #TeamStark - mas convenhamos que o Stark é o mais "sacana" e você sempre será #TeamCap.





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