Lembrar de quase 7 anos atrás, com a popularidade de celulares Android/iOS e seus respectivos aplicativos, com certeza não é uma tarefa muito fácil. Em especial, falando especialmente de um game de plataforma que bateu recordes de download (e frustrou muita gente por aí), a situação só piora.

Por sorte, um bizarro e completamente aleatório longa adaptado nos trás de volta àquela realidade. Angry Birds: O Filme é mais um daqueles filmes que valem a pena assistir mas não chegam a valer o preço do ingresso.

É, sem dúvidas, uma recomendação InfoGeek. Infelizmente, em tempos de X-Men, filmes de terror e Guerra Civil, você provavelmente vai deixar a dica em segundo plano.

Mas fique tranquilo, afinal a gente preparou uma crítica que esclarecerá a dúvida sobre a questão de priorizar o filme ou não. Ou seja, ao final do texto você saberá muito bem se compensa assistir e se o filme pode te agradar bastante ou se você preferiria ficar em casa jogando Fruit Ninja.

Sinopse

O filme todo acontece na Ilha dos Pássaros, uma espécie de paraíso onde moram pássaros inocentes que não fazem ideia do que acontece mundo afora. Somos apresentados a Red, um protagonista que segue o padrão esperado do público e tem problemas com controle de humor desde o início do longa, que é levado a um curso de controle da raiva.

Após uma visita inesperada dos (bizarros) porcos verdes, os habitantes passam a tratá-los com respeito e "fazem a festa", o que levanta suspeitas de Red e faz com que ele destaque-se pela visão diferente que tem dos invasores.


Feito para todos, bom para todos

Há uma quebra do conceito de que "animação é feita pra crianças", que foi bem estruturada com a Disney/Pixar, e temos uma comédia animada feita para todos. De início, sem necessidade de spoilers, a introdução em si é completamente BADASS e o ritmo do filme é levado assim, com esses alívios cômicos aos adultos. Sim, são piadas e referências que são engraçadas para até o maior Ron Swanson da sala de cinema.

Vá assistir com olhar maduro, sem ser inocente em relação ao que ocorre, e você vai gostar. É recomendado para cinéfilos ou amantes da cultura pop, afinal, não esqueça que é construído sobre um jogo de celular. Há piadas do próprio aplicativo e é capaz de casar bem com o meio termo de história independente e cenário já apresentado ao grande público.


Representação brasileira?!

Assim como Zootopia, Angry Birds tem basicamente três tipos de leitura: a infantil, a adulta e a metafórica. Neste último caso, a pegada merece um pouco mais de explicação.

Seguindo a base da história fica fácil traçar um paralelo com uma realidade bastante familiar a nós (brasileiros): nativos vivem em harmonia com a natureza sem acreditar que há "um mundo lá fora" e são invadidos por "porcos" que trazem regalias na tentativa de colonizar o lugar. Mais ou menos 500 anos atrás, Brasil e Portugal, índios e brancos... algo soa familiar?

Pensar que isso só acontece aqui é bloquear os fatos, mas falar que isso foi somente uma coincidência é, literalmente, recusar-se a crer na realidade imposta pelo roteiro. Eles tiveram um "tiquinho" de inspiração na história? Com certeza. Afinal, o filme é de produção hollywoodiana, porém, a empresa (Rovio) é europeia. De repente pode ser que a pegada de colocar Cabral/Colombo como porcos tenha sido uma excelente brincadeira.


Novatos (e Guilherme Briggs)

A dublagem salva o filme de um tom completamente infantil - com destaque para as vozes de Marcelo Adnet e Fabio Porchat - e se adapta fácil ao incentivar o bom humor de cada espectador. Além de outros humoristas "de primeira viagem", temos um veterano hilário que se sai bem independente do estúdio e do tipo de animação no qual trabalha: Guilherme Briggs.

Como um todo, a dublagem é boa, vale ser assistido em inglês (pela construção caricata dos atores e personagens) e, diferente de Mogli, trazer atores famosos para a atuação foi uma excelente escolha.

Veredicto final

Se você tiver irmãos mais novos ou simplesmente gostar do estilo de animação da Pixar, vai curtir o filme. Não, essa não é uma comparação entre Sony e Disney, mas uma questão de abordagem dos estúdios para um tema complexo e narração simplificada. Conhecendo a franquia Angry Birds ou não, recomendamos fortemente.





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