Um livro conhecido por muitos, que teve dezenas de adaptações, nunca antes foi tão bem apresentado como neste filme.

Sinopse

A história não foge da original (que você pode já conhecer pela animação adaptada da Disney). Mogli (Neel Sethi) é um humano que vive na floresta, criado por lobos - por isso denominado "menino lobo" -, crescendo em uma selva que está em constante harmonia. O desequilíbrio ocorre quando o tigre Shere Khan (Idris Elba), o manda-chuva do local, perturba-se pela presença do garoto e trata-o como se fosse uma futura/possível ameaça. Isso força Mogli a procurar sua própria "espécie" em companhia de Balu (Bill Murray) e Bagheera (Ben Kingsley), e conhecer os segredos da floresta com Kaa (Scarlett Johansson) e Rei Louie (Christopher Walken).


Aspecto técnico

Visualmente, é espetacular! Talvez o melhor trabalho de computação gráfica desde Avatar, em 2009. Mostra uma excelente ambientação em grande escala e em proporções que fazem com que você sinta, mesmo sem racionalizar por muito tempo, quem são os grandes animais na selva e seu papel/postura no meio natural. As imagens resultantes da mistura da captura de movimentos dos atores e das gravações no cenário, já que Mogli era o único ator humano, casaram bem e trouxeram uma ótima experiência.

Fico feliz em dizer que O Menino Lobo não é mais uma das centenas de animações que forçam com uma tentativa de dar-se ao luxo do efeito 3D desnecessário pois, no filme, cada fio ou dente dos animais são um complemento à obra que já é boa - com ou sem 3D -, então, temos cada vez menos a noção de que estamos assistindo ao gênero de fantasia.

Dublagem

O grande diferencial é ter humanos interpretando animais ao invés do contrário, como vemos em Zootopia, por exemplo. A escolha de Idris Elba foi completamente perfeita, pelo peso da voz do ator em comparação ao nível de medo que o personagem que ele interpreta tenta impor. É natural perceber o fluxo da narrativa relacionando a mudança de um tom sério para um tom mais bem humorado ao reconhecermos vozes, como a de Bill Murray e Christopher Walken cantando músicas que são de cultura geral (afinal, todo mundo conhece a frase "Necessário, somente o necessário"), e isso pode cair para os dois lados: tanto ao sair da imersão fantasiosa e notar que são "aqueles" atores, como pelo fato de reconhecer a voz dos mesmos e ter um incentivo a mais para afundar de cabeça na história.

E, perdão Disney, mas o trabalho só ficou bem na versão original, pois a escolha de atores brasileiros para a dublagem foi, no mínimo, um grande erro. Pensar que trazer "grandes nomes" (por serem globais?) da televisão para dar voz ao filme, tentando imitar o feito na versão americana, não é sempre que dá certo, e eu não entendo como uma animação da Disney conseguiu tal feito. Okay, entendo que não é totalmente classificado como uma "animação" já que possui elementos reais (e um único ator real já tira o longa de tal classificação e enquadra-a em "live action"), porém, a dublagem é feita em cima de seres gerados por computador e, assim como feito nos últimos anos, a empresa costuma ser seletiva e acertar na escolha. Infelizmente, não foi isso que aconteceu.


Falhas?

Exceto pelo visual incrível, não vejo como aproveitar uma história que já foi mastigada por muitos. Sim, ainda me surpreende mais uma adaptação, mas existem momentos que é fácil notar que a escolha de incluir uma cena em específico, como a de Kaa, por exemplo, é manter a fidelidade ao original. Momentos da narrativa como este são dispensáveis e só servem para tentar desviar de um rumo de narrativa que seja natural ao público.

Warner Bros. no mesmo caminho

Mesmo com um marcante longa adaptado de O Livro da Selva agora em cartaz, Hollywood tenta vir com mais uma adaptação, o "Livro da Selva: Origens", em tradução livre, e é possível que esta seja absurdamente impressionante por ter Andy Serkis (o mestre da captura de movimentos) no comando e atores como Benedict Cumberbatch, Christian Bale e Cate Blanchett no elenco. Só nos resta esperar por 2018 e ver qual dos dois se saiu melhor.


Veredicto final

Por fim, Mogli vale ser assistido por todos que conhecem ou não a história original. O que te deixa preso à cadeira não é o fato de já conhecer o desfecho da história, mas a aventura em sua essência. A Disney mostrou nesse filme um dos melhores trabalhos de fantasia da última década.





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