De início, Zootopia mostra que não é somente "mais um" filme que tenta colocar animais falantes para tornar uma história interessante, justamente pelo fato de a base toda sermos nós, seres humanos (e não vice-versa). Lá há membros de uma cidade (zoo)utópica fortemente inspirada em divisões de um futuro idealizado por nós, formado por ambientes (nossos bairros) em que vivem raças e animais diferentes (que seria nossa divisão cultural), assim como existem aqueles que estão no poder e são/podem ser facilmente corrompidos (em um jogo de governo x força militar).

São tantas semelhanças genialmente projetadas que seria possível fazer uma publicação especial por aqui só para servir de comparação entre a animação e nossa realidade. Porém, como resumo, já foram citadas três semelhanças: região/classe social, cultura e governo. Junto à sinopse, explicarei os três abaixo:

Tudo começa com o sonho que a coelha Judy Hopps tem de se mudar para Zootopia, local onde predadores e presas convivem em harmonia, e tornar-se uma oficial de polícia. Em determinada situação ela encontra a raposa Nick Wilde, e ambos são levados a atuarem juntos em um caso misterioso de desaparecimentos e surtos de ataque pelas diversas regiões da cidade.


Diferente de muitas animações, o foco principal é a narrativa em si, não o fato de jogar a cada cinco minutos uma piada infantil para alívio cômico, como muitos fazem. Infelizmente, o filme foi vendido como mais uma animação em que animais brincam com o fato de parecerem humanos no mundo animal, de maneira completamente oposta ao familiar Chicken Little

Assemelhando-se a um filme Disney-Pixar mais do que um filme dos estúdios de animação Walt Disney (que atuam em duas partes, linhas de raciocínio e públicos-alvo diferentes), Zootopia não peca por trazer equilibradamente momentos engraçados e easter eggs dignos da empresa, como referências ao sucesso Frozen, campanhas paródia ao mundo moderno e roedores que coincidentemente lembram um clássico da máfia norte-americano (cof cof Vito Corleone).


Por trás de toda história Disney há uma lição que pode ser representada de diferentes maneiras por diferentes públicos - seja ele infantil ou adulto. No caso de Zootopia temos esteriótipos humanos interpretados por animais que não necessariamente criam um tom crítico (como a preguiça no papel de atendente em um serviço de atendimento), mas mostra como nossa realidade pode ironicamente ser transformada em uma animação feita por animais.

Esse tipo de lição soa igual tanto para as crianças quanto para os pais que "as acompanham" (afinal, não é todo adulto que admite gostar de animações!), porém, ao mostrar flashs do passado de um determinado personagem, os mais "maduros" sentem uma identificação com tal história - seja por experiência própria ou seja por simplesmente entender que aquilo acontece todo dia - em relação a pré-julgamentos e pré-conceitos. A classificação de "raça" (com o perdão do trocadilho animal) dos seres é mostrada de maneira genial.


A animação joga o pré-conceito em nossa cara: desde o começo vemos aquele personagem que sempre quer tirar vantagem dos outros, independente da situação em que está, e logo entendemos que ele também tem seus motivos, que não cresceu assim e que ainda pode mostrar sinais de humanid... quer dizer, animalidade. É o natural - do natural que deriva de "natureza" mesmo - e é o lado da história que queremos enxergar e transportar para nossa realidade. Nada foge de um mundo imaginário, perfeito, utópico, justamente por mostrar em ANIMAIS falantes o que somos. Não passamos de animais.

Simplesmente assista ao filme. Os teasers podem dar uma noção errada e desestimuladora sobre o conceito inteiro da narrativa e do poder de identificação que é contado. Acredite que, assim como eu não sabia, você simplesmente precisa assisti-lo e ainda não sabe disso.





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