Existem excelentes filmes de temática zumbi e existem excelentes romances. Duas categorias diferentes feita para dois públicos diferentes. Mesmo assim, podem até ter alguns que gostem de ambos, mas sempre vão preferir um ao outro. Enquanto isso, uma comédia zumbi cheia de ação e da busca por proteção que sabe equilibrar bem tais pontos com uma narrativa boa, explicando que os protagonistas também são humanos (como no caso de Todo Mundo Quase MorteZumbilândia, por exemplo), consegue ser bem vista e apreciada como um todo, criando um novo público para a mistura de gêneros. Infelizmente esta, de longe, não é a proposta de Orgulho e Preconceito e Zumbis.

O filme, que é a adaptação do livro de mesmo nome, conta os conflitos das irmãs Bennet com o pequeno twist de zumbis afetando os acontecimentos originais de Orgulho e Preconceito (obra de Jane Austen escrita em 1813). Do original, surgiu a paródia com zumbis, trazida ao Brasil pela editora Intrínseca, escrito por Seth Grahame-Smith e lançado em 2009.

É engraçado como uma das tentativas de promoção do longa (inclusive tornando-se o meio utilizado pelas atrizes em entrevistas/coletivas) foi classificá-lo como uma obra empoderadora do sexo feminino. Ironicamente, leitor, pense rapidamente comigo: o objetivo da adaptação cômica de um romance que apela para a violência - mesmo que não excessiva - não seria atrair ambos os sexos para a poltrona do cinema? Títulos como Game of Thrones e o brilhante Deadpool provam que violência não é mais de preferência exclusiva dos "garotos", mas Orgulho se perde um pouco no meio do caminho.


Ao invés de mostrar como as protagonistas podem se virar bem sem o quarteto de homens, é explicitamente exibido que, durante 90% do filme, a única independente naquele meio é Elizabeth Bennet. Fora isso temos uma única cena no começo do filme - fique tranquilo pois não é spoiler, já que a história só se desenrola de verdade depois da metade do longa - que mostra o Pentagrama da Morte: uma formação pré-ensaiada pelo quinteto de mulheres com o objetivo de derrotar os mortos-vivos em caso de um ataque em massa.

E o destaque de Elizabeth não surpreende e nem mesmo decepciona, já que ela SIM é um bom motivo para levar tanto homens quanto mulheres ao cinema, unindo agilidade e poder com a belíssima aparência (claro, contando com um atraente decote em grande parte das cenas).

No mesmo time, vemos um grande destaque que acaba segurando a narrativa e os alívios cômicos que, por incrível que pareça, são necessários: o eterno "Doctor" Matt Smith. Estrelando o último Exterminador do Futuro, Matt consegue trazer características completamente opostas do vilão para Orgulho, sendo um ainda mais palhaço do que foi em Doctor Who. E, melhor, em diversos momentos ele ainda sabe demonstrar mais sentimentos que os atores principais - cof cof Sam Riley cof cof.

Recomendado se você realmente tiver gostado de Abraham Lincoln - Caçador de Vampiros - já que se trata do mesmo autor da obra original (no caso, Seth Grahame-Smith).





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