"Há muito tempo, numa galáxia muito muito distante..." foi a frase pela qual anos e anos se passaram até ser exibida novamente na grande tela do cinema, e ainda na exibição do Episódio I, em 3D, a vontade dos fãs ainda não havia sido saciada, pois precisávamos de algo novo para sentir a emoção pela primeira vez ou senti-la novamente, ao lado (ou não!) de familiares e amigos que, ligeiramente, apresentaram-nos ao universo de Star Wars, e então eis que estreia "O Despertar da Força" superando grandes expectativas e emocionando fãs pelo mundo todo.

Mais do que um clássico do cinema do gênero fantasioso (como cinéfilos e alguns outros "entendedores" discutem por não ser do gênero de ficção-científica), o roteiro quebra qualquer tipo de pré conceitos (e preconceitos!) com o fantástico trio Rey (Daisy Ridley), Poe Dameron (Oscar Iscaac) e Finn (John Boyega). Uma estreia magnífica na vida dos atores não tão conhecidos do público em geral, juntando-se ao épico trio composto por Luke e Leia Skywalker, e Han Solo, que dispensam apresentações, na construção daquela que parece ser a idealização do diretor J. J. Abrams sobre um universo tão grande, distribuído em livros, HQs, jogos e séries televisivas.

Em resumo, conhecemos Rey, uma jovem que sobrevive procurando peças (em inglês, "scavenger") e sobrevivendo no planeta Jakku. Em determinado momento ela encontra Finn, um stormtrooper que fazia parte da Primeira Ordem (o substituto do antigo Império), e então ambos começam uma aventura juntos ao amável BB-8, levando-os a Han Solo. Enquanto isso surge Kylo Ren, que está disposto (por algum motivo misterioso) a seguir os passos de Darth Vader.


Em uma visão mais crítica e menos fanática pela saga que conheço há mais de 10 anos e que fez grande parte de minha vida, diria que o sétimo episódio é um excelente gancho ao anterior de 1983, e creio que será um bom elo de ligação entre a trilogia antiga e a atual. Claro, deixando de lado os spoilers - pois o objetivo desse texto é fazer você, leitor, ter interesse em ver o filme! -, o diretor acaba inserindo elementos já apresentados e bem compreendidos por ele, com uma visão não menos respeitosa da saga. 

Feito para todos os públicos surpreende mesmo aqueles que assistiram a todos os comerciais e trailers liberados nos últimos meses: muitas das cenas exibidas não fazem parte do filme, como o magnífico comercial em que BB-8 encontra os antigos dróides R2-D2 e C-3PO, assim como outras que foram suavemente alteradas.

Efeitos especiais práticos lembrando a trilogia antiga e uma boa ambientação são claramente percebidos, pois mesmo com todos tendo noção de que tudo já foi apresentado, que acima de tudo o universo é o mesmo, há dezenas de conteúdos adicionais que tornam esse filme ótimo para aqueles que querem conhecer Star Wars, assim como tão perfeito quanto nostálgico aos que já são familiarizados.


Kylo Ren é o ser sombrio e imprevisível que muitos filmes precisavam, com um passado que aparentemente será explorado nos outros filmes, bem como a história de Rey, que, mesmo fazendo parte do "trio principal" como um todo, rouba a cena e mostra o girl power necessário às mulheres escravizadas em filmes anteriores. É um contraste notável, com uma pitada cinematográfica de J.J.. A Força despertada (livre de trocadilhos) é clara, e uma boa faísca para teorias. 


E ainda assim, com todos os pontos positivos citados acima, o longa peca em algumas questões. Entendo que é o primeiro de uma trilogia, mas qualquer apresentação, de um universo existente ou não, consegue ter uma apresentação um pouco mais completa de personagens. No caso de uma série de TV, ok, entendo que o objetivo é manter o suspense para a "próxima semana", contudo, tratando-se de Star Wars, o caso é um pouco mais longo: será um ano e meio de espera.

A ausência de personagens poderia ser explicada; mais personagens poderiam aparecer por mais tempo com mais desenvolvimento; a ação simultânea em focos intercalados poderia ser menos escassa; sem falar de algumas transições de cena super bizarras que poderiam ser refeitas de outro jeito.


De acordo com o próprio elenco no painel da Comic Con de San Diego, Kylo não necessariamente é o cara "mau" do filme, mas temos essa pequena mania cinematográfica adquirida com o tempo de tentar dar dois lados a história. Sim, ele é mau perante o trio "bonzinho", e ainda assim sinto que há algo a entender, por isso a crítica sobre má exploração do passado deles.

Não vejo O Despertar da Força como um bom filme introdutório ao universo. Não custava nada exibir flashbacks ou mesmo com a presença destes, ainda misteriosos, dar mais um gostinho do que foram esses 30 anos depois.

Desconfio que, no hype ou não, de alguma forma você tenha sido convencido a assistir esse filme, por esse texto ou por outro meio. E que os fãs de "Star Trek" me perdoem, mas a "estrela" principal da noite agora é Star Wars.





Facebook




Comentários