[Atenção: o texto contém alguns spoilers, pois serve mais como uma reflexão do que recomendação pelo fato do filme não ter tanta divulgação em território nacional]

Há uma misteriosa aparição na casa da protagonista Mizuki (Eri Fukatsu), 3 anos depois do desaparecimento do seu marido Yusuke (Tadanobu Asano), fazendo com que ela sinta sua presença, física e real, e tornando cada vez mais palpável a viagem "para o outro lado", com Mizuki conhecendo uma parcela do real paradeiro do marido. Por instantes temos aquele dilema: "mas... será que aconteceu ou ela está sonhando?".

Com efeitos sonoros crus e bastante nítidos, é um filme predominantemente escuro (e obscuro). Gira em torno da morte, de como é repentina. Tem uma edição muitas vezes estranha, pois tem uma narrativa tipicamente oriental, que pode ser um pouco estranha a nós, ocidentais, que não estão acostumados. É cheio de reviravoltas que envolvem a dupla de protagonistas, tornando cada pequeno ato algo  com um resultado imprevisível.

É a prova de que não é necessária nudez nem violência para um filme ser bom: Para o Outro Lado representa isso muito bem. Há muito tempo não vejo um filme recente que seja BOM em que não seja derramada uma única gota de sangue.



Sobre a "morte" em si, há algumas "regras" mostradas em cenas particulares. Por exemplo, quando queima-se um objeto, o mesmo deixa de existir no mundo espiritual. E as crianças são capazes de sentir a presença do "além", como em uma cena em que o casal está se locomovendo em transporte público e uma criança encara o homem. Alguns podem estranhar, porém Yusuke faz tudo como se estivesse vivo, até comer, mesmo que seja por uma questão social (e não para saciar uma "fome imaginária").


Mizuki nega-se a acreditar na morte do marido, pois, ao mesmo tempo que quer ficar com ele, sabe que estão em planos diferentes. Ainda sobre essa diferença, são exibidas situações que parecem ser bastante contraditórias e surreais, mas posso te garantir que existem ao redor do mundo: alguns morrem e não tem noção disso,o que torna o filme bastante reflexivo para situações do nosso mundo, super comuns.  No mundo deles, quando morremos continuamos vagando por aqui, optando por aparecer quando bem quiser para os vivos (claro, caso você saiba que está em tal plano, como explicado anteriormente).

É bem intenso, sentimental e sério. O interessante é que a história chega a parecer real pela boa ambientação, trazendo ficção ao nosso mundo, ao nosso "plano". Um ponto extremamente simples é que em nenhum momento é denominado um "céu" ou "além", referindo-se ao outro lado. É sempre "lá", e pode parecer que não, mas isso tem um peso multicultural incrível. A religião do espectador, sendo cristã ou budista, acreditando em reencarnação ou não, pode compreender facilmente esse conceito maravilhoso. É uma representação respeitosa da morte.


Às vezes morrer é uma escolha, às vezes não. Muitos morrem em um sentido metafórico muito antes do coração realmente parar de bater. A obra nos faz refletir: a morte é mesmo a saída mais fácil? Seria uma solução aos nossos problemas ou causaria ainda mais problemas?






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