Com base em um cenário real, Tudo que Aprendemos Juntos conta a história do musicista Laerte (Lázaro Ramos), que falha em seu teste na OSESP - Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, e então é obrigado a dar aulas para jovens não tão disciplinados em uma comunidade de Heliópolis. É fortemente inspirado na peça Acorda Brasil, cuja história gira em torno do Instituto Baccarelli e a criação da Sinfônica de Heliópolis.

O trio principal de atores (Lázaro Ramos, Kaique Jesus e Élzio Vieira) destaca-se fortemente pela atuação e pelo desempenho como violinistas e, para Lázaro, como maestro. O interessante é que nenhum deles realmente tinha experiência com o instrumento antes de conseguirem o papel, apesar de todos atuarem no meio artístico, seja em palcos de teatro, ou em dança de rua - no caso de Élzio. A participação de Hermes Baroli também surpreende, por grande parte do público estar acostumada com o ator no enorme universo da dublagem, junto ao pai, além de sua atuação passageira por algumas novelas.



Sobre a música em si, interpreto com uma grande homenagem aos musicistas brasileiros (nota-se, não só aos membros da Sala São Paulo, que fizeram parte do filme). Algo que possa estranhar aos que não tem interesse na área - ou que realmente não são familiarizados - é a presença de vários termos técnicos sobre teoria musical. Não prejudica o entendimento da cena, pois serve até como um complemento aos que estão do lado de cá da telona, que não possuem experiência com música, assim como os jovens aprendizes no filme. Aos músicos de plantão, percebe-se uma boa sincronia entre som e imagem, mas de vez em quando é possível ver que a música não condiz com os movimentos dos atores, como um clipe musical de produção mediana.


O interessante é que Sérgio Machado opta por mostrar o lado da "real tradicional família brasileira", com costumes e atitudes que não é preciso ir tão longe assim para se conhecer ou, de repente, se identificar. 

Na coletiva de imprensa, Élzio (um dos garotos estudantes) revela que havia extrema liberdade de atuação, e que "não foi difícil [atuar]" pois o filme retrata a vida de onde ele vive. Essa identificação é muito bem mostrada na obra, por uma eventual discussão entre duas garotas da orquestra, com uma atuação tão impecável que fica difícil saber se realmente é atuação ou improvisação.


Logo na metade do filme, ao conhecer mais os personagens e o ambiente em que vivem, é fácil imaginar os possíveis finais para as narrativas construídas tanto de Laerte quanto da dupla principal de garotos/músicos. Acostumado ou não com os desfechos (sem demais spoilers) de histórias do tipo, não é difícil ser pessimista, vide o dramático Whiplash. "Será que o protagonista vai conseguir chegar onde tanto quer? Será que seu sonho de vida é o 'trabalho perfeito'?". É de arrepiar, super recomendado.

Com uma produção de quase 6 anos (da estruturação de roteiro até as filmagens), o longa estreia 3 de dezembro, em cerca de 100 salas por todo o Brasil.





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