O vigésimo quarto longa da franquia teve estreia na última quinta feira, e muitos relatam que não cumpriu as devidas expectativas. Contudo, julgo que mantém qualquer um (fã ou não) entretido até seu desfecho. Logo de início os investimentos dessa nova a superprodução ficam claros, com direito a um plano em sequência magnífico, em que há alguns efeitos especiais e dezenas de figurantes comemorando o Dia dos Mortos. Mesmo que seja uma sequência forjada por truques de edição, pois é bem provável que tenham utilizados os mesmos efeitos de Birdman, a cena impressiona. 

Tento atenuar os diversos aspectos clichês de um filme de ação, pois acima de tudo, a cena inicial inteira é humanamente impossível, contudo, pelo bem de um telespectador pagante, entendo que o objetivo é somente entreter com um bom enredo, o papel principal em um action movie do tipo. Já os créditos introdutórios formam um ótimo ato musical, com o single de Sam Smith sendo um bom vídeo por si só - feito que popularizado por Adele em Skyfall e seu tema de abertura homônimo.

Como de praxe, durante cinquenta anos o "mesmo" James Bond enfrenta o mesmo tipo de vilões e encontra o mesmo esteriótipo de bondgirl - que no máximo varia para uma atriz realmente conhecida do público em geral -, e isso AINDA consegue ficar bem na telona. São perseguições e escapadas comuns no restante dos filmes, mas nada exagerado e tão inacreditável quanto um Missão Impossível atual.


Original de uma franquia renomada, é feita até uma referência (sem demais spoilers, fique tranquilo!) a um famosíssimo carro utilizado pelo bom e velho Bond. Ainda em quesito "referências", há uma explícita citação a George Orwell que encaixa-se totalmente ao filme em diversos aspectos, quando o arrogante Max (Andrew Scott) classifica agentes como 007 o "pior pesadelo" de Orwell, algo que é completamente transportável à nossa realidade. Entenda: não vá ao cinema procurando um título inovador em meio aos outros vinte, que, diga-se de passagem, seguiram o mesmo padrão. Então se quer algo novo, espere pelo próximo Bond, pois o personagem se regenera tanto quanto um Doctor (de Doctor Who), o que significa que não faltará muito tempo até sua sequência.

Não por isso, Spectre não deixa de cumprir expectativas. Pelo contrário, há momentos engraçados e momentos igualmente tensos e cheios de ação. Velozes cenas dentro do popular carro Aston Martin, de explosões e de Bond sendo o verdadeiro galã da série são carimbos que sempre estarão presentes. Algo que pode ser considerado como ponto negativo é a mania exagerada de tanto os "mocinhos" quanto os "vilões" da história sempre saberem de tudo: estar um passo à frente gera um ótimo plot twist, mas quando isso ocorre em excesso, digamos que a narrativa dá mais um 360º, ao invés de uma simples reviravolta 180º, que torna-se relevante, como um todo.

Um ponto forte é a mistura de atores conhecidos, como Ralph Fiennes, Andrew Scott, Dave Bautista e Christoph Waltz. Ou seja, é basicamente um longa de 007 e Voldemort contra Drax, Moriarty e Dr. King Schultz (ícones da cultura pop atual, em peso, no mesmo filme). Já a bondgirl Léa Seydoux não decepciona, mas o processo de introdução e do envolvimento com Bond em si, geram algo bastante monótono. Enquanto isso, são criados laços e segredos entre outros personagens, conexões que surgem de forma irreal e inesperada, dando um tom diferente à narrativa.


Em um quesito mais técnico, o diretor Sam Mendes não decepciona e faz melhor do que o filme anterior, com diversos takes e enquadramentos artisticamente maravilhosos. Enquanto Skyfall era predominantemente azul (claro ou escuro), Spectre puxa mais para um tom negro e amarelo-alaranjado, e esse é um diferencial bastante notável ao decorrer do filme, em relação aos seus predecessores. Cenas contrastantes - como em um ambiente predominante branco há um foco totalmente preto - também foram inseridas para o prazer repentino dos olhares desatentos.

Finalmente, muito indica que Spectre será o último de Daniel Craig, e Sam Mendes também esclareceu que esse será seu último trabalho na franquia, o que faz sentido, já que segundo o próprio diretor o filme é a conclusão dos eventos de Cassino Royale. Quer saber por quê? Então assista-o, pois pelo menos como um "último" longa de 007, da atual regeneração do Dout... digo, agente 00, vale-se a pena gastar o valor de um ingresso de cinema.






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