A Era de Ouro dos quadrinhos trouxe uma grande diversidade de super-heróis à imaginação popular, sendo que quase todos estavam preocupado em lutar contra o eixo japonês/nazista. O Tocha Humana, Demolidor, Capitão Marvel e a Mulher Maravilha, por exemplo, enfrentam regularmente os nazistas, japoneses e algumas sociedades mais que estão conectadas de um jeito ou de outro com esses adversários. Mesmo o Super-Homem e o Batman enfrentaram diversas vezes o eixo.

Isso persistiu até os aliados ganharem: as editoras de quadrinhos observaram que as vendas caíram drasticamente com a chegada do fim da guerra, e do temível período pós-guerra. Para muitos leitores, o interesse por histórias de super-heróis diminuiu; os vilões tinham sido enfrentados e vencidos, então o que restava fazer? Os heróis precisavam de vilões, e quando os vilões inteligentes estavam surgindo em alguns quadrinhos, para os leitores eles não poderiam substituir as ameaças do mundo real naquele tempo.

Então houveram enormes mudanças, em termos de gêneros de quadrinhos que estavam à venda. Originalmente a DC tinha seu “Big Six”: Super-Homem, Sandman, Batman, Ultra Man, Espectro e Flash. Estas eram as seis HQs publicadas mensalmente, que se tornou a base para o crescimento do universo DC. Logo o sexteto tornou-se o Big Eight durante a E.d.O. dos quadrinhos. Quando vemos esses títulos e consideramos as mudanças que começaram a ocorrer no mundo nos anos 1940 e 1950, podemos ver exemplos extremamente fortes de como as coisas estavam mudando também nas HQs.


A primeira HQ da DC foi New Fun Comics, que claramente foi inspirada nas estruturas das tirinhas de jornal, além de diversos personagens cômicos - que se tornaria posteriormente a More Fun Comic Books. Ela apresentava personagens como Arqueiro Verde, Speedy, Aquaman, Mystical Dr. Fate, Johnny Quick, e o Espectro (co-criado pelo criador do Super-Homem, Jerry Siegel). Ele era um fantasma que voltou com o objetivo de rastrear malfeitores, fazendo com que eles olhassem-no nos olhos, o que resultava algumas vezes na morte instantânea dos vilões.

Os dias do Espectro tornaram-se contados, e por um curto período de tempo, o Superboy foi introduzido ao mundo. Então a revista tornou-se cômica novamente - pareceu haver uma necessidade de humor, que cresceu com o passar do tempo após a 2ª G.M.

O humor começou a surgir com quadrinhos de animais engraçados inspirados nos estúdios Warner Bros. e Disney, mas também poderia ser um humor adolescente com Archie - eles começaram em 1941 e decolaram a partir daí, superando os quadrinhos de super heróis. Até mesmo o Escudo, o grande primeiro herói patriota, foi ofuscado por Archie.

Voltando ao Big Six da DC, primeiramente existia o New Fun Comics (que tornou-se More Fun), e a segunda HQ da DC se chamava New Comics. Depois o nome foi alterado para New Adventure, conforme evoluiram do estilo cômico para histórias com caráter mais aventureiro. Logo, tornou-se a Adventure Comics, que trazia excelentes heróis como Sandman e Hour-Man. Depois tornou-se a casa do Superboy.

A próxima HQ que merece ser mencionada é a Detective Comics. Foi a origem, inclusive, do nome “DC”. Lá, o Batman se tornou saturado. O herói foi um dos poucos que sobreviveu à 2ª Guerra.

O próximo: Flash Comics. Ela apresentava o herói Flash original, o Hawkman e Johnny Thunder, sendo produzida até a edição 104 e morrendo na era dourada. Tudo mudou junto com a perda de popularidade dos super heróis. No entanto há algumas mudanças que merecem ser citadas. Um dos gêneros é a All-American Comics. Ela começou com a predominâncias das cores vermelha, azul e branca nos uniformes de seus heróis. Contudo, após a 2ª Guerra e o declínio das HQs, a revista se tornou All-American Western, estrelando caubóis como personagens principais. Daí em seguida se tornou All-American Men of War, que contava lendas dos campos de batalha durante a 2ª Guerra.

Já a All-Star Comics, em sua edição de número 57 em 1951, contava com a útlima aparição da Justice Society of America. Muitos comparam esse acontecimento ao fim da era de ouro, mas é importante levar em conta que a edição seguinte da All-Star se tornou a All-Star Western. Se tratando de westerns (ocidentais), não foi só a DC que transformou os gêneros de suas revistas, a Marvel também se deu bem publicando os westerns. Esses westerns duraram até mais ou menos os anos 70, com “Kid Colt, Outlaw”, uma criação de Stan Lee, sendo possivelmente a mais duradoura publicação de quadrinhos sobre cowboys de todos os tempos. Havia também Two-Gun Kids, reinventada por Stan Lee na era Marvel dos quadrinhos em 1960. Stan transformou-o em uma espécie de super-herói ocidental híbrido ao conceder-lhe uma identidade secreta, um side kick e uma máscara similar a do Lone Ranger.

 A Marvel possuia seu título produtivo Marvel Comics, que se tornou em seguida Marvel Mistery Comics, e após o final da guerra virou Marvel Tales que contava histórias de terror. Nem mesmo o Capitão América resistiu ao fim da era dos quadrinhos de super heróis, tendo o título de sua edição alterado para “Capitain America’s Weird Tales”, basicamente mais um encadernado sobre histórias de terror.

Enquanto isso, Stan Lee se divertia ao brincar com gêneros que nunca havia trabalhado previamente. Ele diz estar cansado de fazer “somente ‘super’ personagens”. Seu editor adorava a palavra “kid”, resultando na criação de títulos como “Two-Gun Kid”, “The Ringo Kid”, “The Western Kid”, etc. Era cada vez mais e mais heróis denominados “kid”. Além disso, havia os contos de romance, que pretendiam ser contos sobre garotas declarando o que houve com elas e como elas perderam “seus homens”, ou até mesmo como arranjaram “seus homens”. Então Stan Lee, famoso por publicações de heróis, teve a genial ideia de assiná-los como “as told to Stan Lee”, como se alguma garota tivesse contado a ele a tal história. Também haviam outros gêneros apreciados por Stan, como terror, ficção científica e histórias adolescentes.

Um dos outros quadrinhos da DC que não era parte do Big Eight, era o Leading Comics. A revista contava originalmente com os super-heróis Seven Soldiers of Victory, mas teve uma mudança drástica e passou a publicar histórias de Peter Porkchops, tirinhas de humor tendo como personagem principal um porco antropormofizado. Os gibis de humor faziam sucesso enquando as vendas de quadrinhos de super-heróis só despencava.


Esse texto foi baseado nas aulas do curso “SmithsonianX - The Rise of Superheroes and Their Impact on Pop Culture”.




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