Espiões. Perseguições. Explosões. "O Agente da U.N.C.L.E." superou as expectativas para um filme que pouco ganhou espaço na mídia. A produção estadunidense, dirigida por Guy Ritchie, é baseada na série homônima de 1964, que foi criada por Sam Rolfe. Essa versão cinematográfica traz elementos que se diferem dos típicos filmes de ação e de espiões, conseguindo ganhar credibilidade com algumas técnicas, mas perder pontos com outras. 

O longa-metragem tem cenário na década de 60, logo depois da eclosão da Guerra Fria. Henry Cavill interpreta o agente da CIA Napoleon Solo e Armie Hammer é Illya Kuryaki, agente da KGB. Ambos precisam trabalhar juntos em uma missão que coloca em risco a paz mundial, onde uma organização em Roma está preparando uma bomba atômica para vende-la no mercado negro. Para isso, os dois espiões contam com a ajuda de Gaby (Alicia Vikander), filha de um cientista alemão que está desaparecido, e então, o trio parte para a Itália, onde receberão identidades e vidas falsas para poderem se infiltrar na tal organização.


A história faz uma paródia da Guerra Fria, onde duas grandes potências, Estados Unidos e Rússia, precisam se aliar para evitarem um caos mundial. Um pouco irônico, já que na época os dois países se encontravam em “guerra”. Porém, o filme de ficção não se baseia completamente no contexto histórico para manter seu roteiro. Focado na aliança entre os dois agentes, a trama conta com várias doses de humor, tanto nos diálogos quanto no dinamismo das cenas. No entanto, esse humor é leve e não cansa o telespectador.

Um aspecto gritante e positivo é a trilha sonora que embala as cenas. Mesmo estando presente o clichê dos filmes de ação e de espiões, as músicas e os efeitos sonoros conseguem transparecer o cenário e a conjuntura da trama. A estética das cenas e a fotografia também ajudam a engrandecer o longa – elas ganham notoriedade por serem diferenciais e em algumas vezes fugir do padrão Hollywoodiano de produção. Diálogos sem áudio, flashbacks rápidos e cenas de ação compostas apenas por trilha sonora aumentam o conceito do filme. A composição do cenário e figurino condizem com a época em questão, além de comporem uma belíssima paleta de cores e dinâmica visual.


No quesito atuações, o filme não deixa a desejar: tem-se um britânico reproduzindo o sotaque americano (Henry) e um americano carregando um sotaque russo (Armie), que provavelmente deve ser difícil de fazer. Além desse esforço, eles conseguem representar muito bem o estereótipo de espião que após uma longa briga ou explosão, consegue facilmente se recompor e não perde a pose. Alicia Vikander e Hugh Grant também interpretam seus personagens com êxito e Grant mostra que não é apenas um ator de filmes de comédia e romance. 

Um ponto negativo durante o longa foi a divisão das telas em estilo HQ para transmitir várias cenas de ação. Foram cenas rápidas que perderam sua credibilidade ao serem jogadas juntas ao telespectador, que poderia se perder fácil enquanto acompanhava. Quanto ao desfecho, ele não decepciona, porém, também não impressiona. Chega a ser um “ok” para o fim do filme. A cena final não deixa um gancho para uma continuação, entretanto é bem possível que ela aconteça depois do filme ter superado as expectativas e alcançado um diferencial nos filmes do mesmo gênero.







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