O longa-metragem "Maze Runner: Prova de Fogo" chegou aos cinemas no dia 17 de setembro e é a continuação do filme "Maze Runner: Correr ou Morrer". Para quem não sabe, os títulos são adaptações cinematográficas dos livros de James Dashner, que recebem o mesmo nome. Nós, da Corporação InfoGeek, já fizemos uma crítica na semana passada sobre o último filme lançado, que você pode ler aqui. A matéria é escrita completamente vista do ângulo cinematográfico, julgando o “filme como filme” e não adaptação literária. Nessa matéria iremos analisar as diferenças entre o livro e o filme.

Os fãs ficaram indignados. Muitos criticaram e poucos deram razão à adaptação. É de grande obviedade que um filme nunca seguirá tudo o que está escrito no livro; sempre haverá cortes do diretor e mudanças no roteiro. Sempre vai haver uma distinção entre livro e filme – alguns mais gritantes, outros menos. No entanto, isso não chega nem perto do que foi Prova de Fogo (para ser mais íntimo). De forma concisa, o roteirista T.S. Nowlin reescreveu o filme. Já se esperava, depois dos trailers, que mudanças fossem feitas na adaptação, porém, não era de ser imaginado o quanto enorme elas seriam.



A partir de agora, para você que não leu os livros ou então não viu o filme, estará exposto a muitos spoilers.

Maze Runner: Correr ou Morrer
No primeiro filme da saga, o roteirista já havia mexido no roteiro e criado coisas que não continham no livro. Foram muitas, muitas mudanças, mas que nem chegam perto da continuação. Em Correr ou Morrer, Teresa e Thommas não se falam telepaticamente e a forma com que eles encontraram a saída para o labirinto foi encurtada. Essas mudanças não só prejudicaram o primeiro filme, mas como poderão prejudicar os próximos.

O refúgio do começo do livro
O livro começa com os Clareanos bem alimentados, bem vestidos e confortáveis. Mostra também um Thomas preocupado, tentando se conectar com Teresa. Mostra Cranks querendo atacar a casa. Uma casa pequena, sem muita tecnologia e sem funcionários do Cruel. Lá, os garotos descobrem que Teresa não está mais lá, e sim um garoto em seu lugar: Aris, que traz consigo a informação de que havia um grupo B em outro labirinto, recheado de garotas. Depois da ilusão de corpos sangrentos na sala, eles recebem a visita do Homem-Rato, que os entrega para uma nova fase dos experimentos: o deserto. Essa é a versão do livro. O filme já começa completamente diferente, com os Clareanos vivendo com milhares de outros grupos (talvez o C, D, E?) em uma construção enorme (que mais parece um hospital) cheia de tecnologia, armas, remédios e segurança. No filme, Aris e Thomas encontram uma sala secreta com vários adolescentes ligados a tubos, como se estivessem sendo sugados ou então petrificados. Chega a ser medonho.


O deserto
O Homem-Rato, após se revelar como funcionário da Cruel, manda os Clareanos escolherem entre ir para um deserto como nova fase dos experimentos ou continuar no refúgio, mas sem comida. É claro que eles seguem em frente, mesmo odiando a escolha. Alguns morrem em “pré-provas” ao longo do caminho, e ao chegar no deserto, se deparam com calor escaldante, chuvas traiçoeiras, raios e cranks. Eles ficam quase o livro todo por lá, e o número de Clareanos vai diminuindo conforme as páginas vão se passando. No filme, o deserto ganha pouco destaque e Thomas e sua trupe vão pra lá por vontade própria ao escapar do Cruel. Sim, o deserto no filme é tratado como fuga e não experimento.


Teresa
Teresa é uma personagem complicada tanto no livro, quanto no filme. Estando sempre em dúvida se o Cruel é bom ou ruim, ela acaba fazendo muita confusão nos livros. Em Prova de Fogo (livro), Teresa não é encontrada no refúgio, não vai para o labirinto com o grupo A e em momento algum dedura os amigos para o Cruel. No livro, a organização manda Teresa e Aris se voltarem contra Thomas: Teresa iria tentar matá-lo, colocando o grupo B (somente de garotas) contra o garoto, enquanto Aris estaria figurando ao lado de Thomas, porém, ajudando Teresa a fazê-lo cair no seu plano. Thomas é enganado, o grupo de garotas o sequestra, no entanto, a farsa acaba quando Teresa e Aris o atingem na cabeça. Confuso, não é? No filme Aris apenas ajuda Thomas a encontrar uma saída do refúgio do Cruel e não ganha muita participação. Já Teresa, novamente fica alheia ao filme e é colocada como “a do contra”.


Os Cranks
Os infectados pela doença Fulgor, mais conhecidos como Cranks, foram caracterizados no filme de forma zumbi. No livro, eles têm consciência (em alguns estágios) e também podem falar. Em nenhum momento eles são presos em folhagens como no filme, e Winston, ao contrário do longa, não morre infectado pela doença.

Brenda
Brenda é uma garota extraordinária. Entretanto, a aparência dela no filme é totalmente diferente da descrita do livro. A maioria dos momentos em que ela passou com Thomas foram mudados, porém, a parte mais gritante por ser alterada foi ela ter sido infectada por Fulgor, adoecer rapidamente e depois (provavelmente) ter se curado. Em momento algum da versão original Brenda se torna uma crank. Na verdade, (spoiler do terceiro livro) não a colocarão como membro do Cruel no próximo filme, pois ela se mostrou bastante contra a organização e pelo visto estará ao lado de Thomas para conseguir vingança.


Jorge
Jorge, ao lado de Brenda, lideram uma enorme construção. Eles resistem ao encontrarem Thomas e sua trupe, mas no fim acabam cedendo e ajudando-os, em teoria, como na versão literária. Entretanto, os meios que desembocam no fim não são convincentes: Jorge, por achar que são valiosos, os prende de cabeça para baixo em um buraco. Ótima forma de não querer matá-los, não é? Outro ponto que não aconteceu no livro.


Braço Direito
Essa é simples: não há nem menção do Braço Direito no segundo livro, quanto mais aparição de seus membros. Mas no filme o diretor fez diferente: encheu de personagens da organização, e, inclusive, colocou membros do grupo B, que deveriam estar no experimento do deserto, dentro do Braço Direito. Isso foi muito incoerente.



O final: CRUEL e as respostas
É, o final. No filme, os garotos encontram o Braço Direito, Teresa os dedura para o Cruel e a organização entra com armas no território inimigo. Quando os Clareanos já estão sem munição, não resistem mais aos cientistas, que os obrigam a voltar para “o grande laboratório”. Mas Thomas intervém ainda querendo lutar e é surpreendido por Jorge e Brenda que (apenas os dois) conseguem reverter a situação em uma luta armada. Ava Paige tenta convencer Thomas de que Cruel é bom, e assume que as memórias de Teresa haviam voltado, portanto, ela estava do lado deles. Comoção ali e comoção aqui, Teresa vai com o Cruel por vontade própria e ferido, Minho (que mal apareceu no filme), também é levado.

Thomas fica extremamente com raiva e decide que irá atrás deles para resgatar Minho. Depois de um discurso bravio, Brenda, Jorge, Newt e os demais decidem ficar ao seu lado, e assim, o filme acaba. No livro, nada disso acontece. Como já foi falado, Teresa não os dedura para o Cruel. No final de Prova de Fogo, os Clareanos resistentes enfrentam uma batalha com Cranks no deserto e depois são resgatados pelo Cruel, que promete não os impor mais provas. Não há muitas respostas nesse livro: as memórias de Teresa não voltam e Ava Paige não participa como personagem. 



Em suma, o filme Maze Runner: Prova de Fogo apresenta mil e uma mudanças que se afastam de forma gritante do livro. O próprio autor em entrevista conta que o roteiro foi reescrito, sem seguir o livro. Como produção cinematográfica, Prova de Fogo consegue manter consistência, apesar de possuir alguns erros em questão de filme. Já como adaptação é um desastre: a trama toda foi mudada, e isso deixa os fãs - que leram os livros e esperaram por produções fieis – bastante decepcionados. Agora é esperar pela sequência que, sem a menor dúvida, não terá semelhança com o livro.

E aí, o que acharam de todas essas mudanças? Necessárias ou catastróficas?





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