Saudade, êxtase e melancolia. Três palavras que resumem Love, a nova obra de sexo explícito do polêmico Gasper Noé. O filme conta basicamente os problemas de um triângulo amoroso, com história básica e alienar envolvendo Murphy (Karl Glusman), Electra (Aomi Muyock) e Omi (Klara Kristin). O mais inusitado é exatamente uma ordem não cronológica dos fatos, te fazendo entender de maneira superficial o final logo no início, sem saber o "meio" disso tudo.

De início, é uma história clichê sobre flashbacks do relacionamento entre a pintora Electra e o cineasta Muprhy.  Ele arca com as consequências de seu relacionamento passado e, em sua nova vida, é repentinamente assombrado por isso, pois ainda se vê preso a ela. Enquanto isso, Omi e seu filho percebem a distância que o pai começa a ter, e Murphy enlouquece quando se dá conta disso. Então o restante das duas horas de filme é "o que levou" àquilo.

O envolvimento das personagens com o ambiente e a interação delas entre si foram espetacularmente representados, tanto pelos ângulos de câmera quanto pelos enquadramentos maliciosamente bem feitos. Distinto dos trabalhos anteriores de Noé, o filme não requer estômago forte, tendo somente uma cena ou outra em que o espectador possa desviar o olhar por ser pego de surpresa por algo chocante. Isso, misturado com o grande diferencial de suas cenas em 3D, deixa-o próximo de quem assiste.

O pôster e a ideia da divulgação de "cenas reais de sexo" talvez sejam mal interpretados, fazendo com que parte do público ignore a obra, com a falsa ideia deste ser mais um "50 tons de ninfomaníaca", quando a narrativa vai muito além do superficial de um contexto sexual. O que me surpreendeu foi a história bem contada, em um enredo que (não ironicamente) gira em torno do conceito de "amor". Requer maturidade, feliz ou infelizmente por você se corresponder com algumas situações retratadas, mesmo que metaforicamente.

Digo metaforicamente não só pelas cenas de sexo como arte, mas pela visão do diretor com assuntos de responsabilidade e remorso, envolvendo Murphy e as duas garotas.


Outro ponto que merece ser citado é a trilha sonora surpreendente: uma boa combinação de Roger Waters (Pink Floyd) e o instrumental sexy da guitarra de John Frusciante (ex-Red Hot Chili Peppers) com as cenas tensas e explícitas. Claramente diferente do estilo hollywoodiano de "fazer amor", Gaspar Noé constrói bem a tensão em conjunto com a música clássica de melodia arrepiante; algo que é mais importante do que os diversos gemidos reproduzidos pelos atores em cena.

Love é recomendado para aqueles que não se incomodam de assistir cenas reais de sexo, em meio a desconhecidos, em uma mesma sala, tendo maturidade para levar o conteúdo a sério como uma obra de arte. Por isso, também, o filme não estará em cartaz em grande parte dos cinemas nacionais - tendo como data de estreia o último dia 10.





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